26 de abril de 2016

Gravidez na adolescência: aborto ou novas oportunidades?



É com pesar que anuncio que a rubrica "Doutor G explica como se faz" de hoje será a última. De abril. Pumba a criar suspense logo assim sem pedir licença. Agora a sério, vai mesmo ser a última de Abril e Maio. O Doutor G vai fazer um mês sabático porque Maio vai ser um mês com muita coisa a acontecer, desde gravações de sketches, a vários espectáculos de Stand Up Comedy (já agora, se forem do Porto, Caminha ou Chaves, podem ver aqui as datas), e outras surpresas que vão surgir em breve. Tudo isto a juntar ao facto de trabalhar oito horas por dia, como o comum dos mortais. Mas para que é que me estou aqui a justificar? Em Maio não há Doutor G e pronto. Se refilarem muito também não há em Junho, só para aprenderem. Vá, vamos lá então às questões de hoje.


Caro D.G leio o seu blog desde do primeiro dia e devo admitir que os assuntos que aborda me tem ajudado na vida sexual. A minha dúvida é esta: namoro com uma rapariga à mais de um ano, facto que para mim é espantoso, visto que já me tinha resignado nos meus 22 anos de vida a ser ou o irmão do namorado ou a ser o "amigo gay" embora respeite quem seja, nunca fui homosexual. Adoro a minha namorada mas devido a trabalho da parte dela e universidade longe de casa da minha parte a luta greco romana nunca se proporcionou, já tive relações sexuais com outra pessoa fora da relação mas com ela ainda não foi até à meta, andamos a experimentar fetiches mas nada de mais. O que recomenda para o funaná se realizar?
Eddy, 22, Lisboa

Doutor G: Caro Eddy, se lês o meu blogue desde o primeiro dia então já não devias cometer o erro «à mais de um ano». Quando dizes que tiveste relações com outra pessoa fora da relação, espero que tenha sido antes de namorares, caso contrário é muito bem feito que com ela nunca chegues à meta e fiques sempre de água na boca. No entanto, porque estou de bom humor, vou partir do princípio que não a traíste. Quando dizes que andam a experimentar fetiches, vou partir do princípio que um desses fetiches é não fazer sexo. «Tu sabes o que me deixa louca? Não pinar. Fico doida de tesão quando não pinamos.», é o fetiche que estou a imaginar. Isso e fazer tricot com a pila. De qualquer das formas, a universidade e o trabalho não são desculpas para a ausência de funaná pelado, já que na tua idade e nos primeiros tempos de namoro, basta uma aberta de cinco minutos para haver aguaceiros na zona Sul. Sugestões:

  • Dizeres-lhe «Tenho um fetiche que gostava mesmo de realizar, que passa por introduzir o meu pénis na tua vagina. Agora.»
  • Marquem um hotel e jantar romântico;
  • Excita-a o suficiente para ela querer fazer sexo.
Quando tratares do assunto depois manda email a dizer como correu e, para ter a certeza que não te esqueces, vou fazer um inception e dizer-te que mal comeces a praticar o coito com a tua amada, vais lembrar-te de mim e pensar «Já está! Não me posso esquecer de enviar email ao Doutor G!». Vai ser estranho, aviso já.


Caro Doutor G. preciso de ajuda, a situação é a seguinte: o que é que significa precisar de espaço e tempo para pensar nas coisas? Andei com um rapaz durante um ano e uns meses, tudo estava a correr bem até que num dia a criatura em questão decidiu que precisava de um tempo para ele porque estava com muito problemas! Ora a minha questão é, devo esperar que ele resolva todos os problemas que tem ou devo partir para outra? Durante o "tempo" não nos devemos falar nem nos preocuparmos um com o outro ou faz parte?   
P, 22, Leiria

Doutor G: Cara P, para melhor responder à tua pergunta, tomei a liberdade de elaborar o seguinte gráfico:

Agora é fazeres o que quiseres com esta informação.


Boa tarde Doctor G, tenho vergonha daquilo que sinto, começou a alguns anos atrás na Alemanha mas pensei que tinha passado, agora que reencontrei o meu amigo Mário o desejo voltou. O meu desejo pode ser pouco comum mas agora que sei que não estou sozinho decidi desabafar consigo. Tenho uma vontade enorme de ter relações sexuais com amimais, mais precisamente com um pouquinho da Índia que tenho aqui em casa. Como poderei ultrapassar esta situação?  
Anónimo, 28, Viseu

Doutor G: Caro Anónimo, no meio da tua doença mental, o que mais me choca é haver um porquinho-da-índia chamado Mário. Primeiro, a não ser que possuas um pénis do tamanho de um esparguete cortado em três, não vejo como será possível a prática do coito com um roedor de pequeno porte sem que o bicho faleça. Segundo, queres mesmo ficar com a pila com um cheiro almiscarado? Se a tua dúvida é real e não estás só no gozo, algo que não me admirava porque em questões de fetiches marados, seja o que for que nos passe pela cabeça, há sempre pelo menos duas pessoas no mundo que gostam. Cocó numa taça polvilhado com purpurinas? Há um site para isso. Sexo com obesos mórbidos barrados em chantili com canela? Há um site para isso. Sexo numa banheira cheia de vomitado de três dias ao som de Agir? Valha-nos deus, mas sim, há certamente um site para isso. Acho que todos os fetiches são válidos, desde que feitos sozinhos ou com consentimento de todos os envolvidos. Agora diz-me, o Mário deseja-te? Tem usado minissaias e maquilhagem provocadora? Tem-te feito olhinhos enquanto ajeita a cama feita daquele material que parece cotão do umbigo de uma idosa acamada? Tem guardado cenouras baby nas bochechas como que um innuendo ao deep throating? Se achas que ele está afim, então força nisso, mas não percas a oportunidade de sair à rua todo nu com um porquinho-da-índia a fazer de preservativo! Vais ficar uma lenda de Viseu que vai fazer com que até Viriato seja esquecido.


Boa noite Doutor G, desde o 1º ano da faculdade que sempre me interessei por um rapaz da minha turma. Somos um bocado opostos no sentido em que ele nunca sai à noite nem bebe (por causa do ginásio lool) e diz que o meu único defeito é fumar. A verdade é que me tem despertado tanto interesse que confesso ter uma enorme vontade de lhe dar a volta à cabeça e ver do que é que aquele menino é capaz. Não tenho noção da experiência dele no campo amoroso, mas como receio que seja pouca uma vez tomei a iniciativa de o convidar para um copo, meia na brincadeira. Ele insistiu em saber a que horas era. No dia seguinte deu a entender que se tinha cortado porque supostamente achava que era uma saída em grupo. Desde há 2 semanas que apesar de estar sempre com ele na cabeça, falamos pouco por sms (mas bastante pessoalmente) porque sinto que isto está a perder a piada. A minha pergunta é, será que devo dar-lhe para trás e esperar que tenha aquele efeito íman que incrivelmente costuma resultar nos homens? Ou definitivamente ele está numa de micro-ondas (gosta, aquece, aquece, mas nunca vai passar disso)?
S, 21, Porto

Doutor G: Cara S, já dizia um sábio que «um corpo definido e musculado é atraente até nos lembrarmos que o ginásio é o hobbie dessa pessoa». Desconfio sempre de pessoas que não saem à noite nem bebem. Dito isto, sê mais directa e diz-lhe o que queres. Se ele rejeitar, diz que tens batidos de proteína em tua casa e que lhe dás aminoácidos à boquinha enquanto ficas por cima que é para ele não entrar em catabolização. Se ele rejeitar, esquece e parte para um gajo que se embebede contigo na noite porque provavelmente vão ter histórias muito mais interessantes para contar aos netos.


Querido Doutor G, deixa-me que te diga que és sexualmente atraente, pelo que te fazia. Fácil. Namoro há 5 anos com o meu namorado e sem queixas. Excepto uma: A pila é pequena. Eu gosto mesmo é de salsichão e tive o azar de me apaixonar por uma Sicasal Kids. De frango. Percebes o dilema, não percebes? Pelas tuas mãos diria que não sabes o que é uma pila pequena ;). Pena seres hetero. Voltando ao assunto que me traz aqui, deves perguntar-te: «Mas se não tavas satisfeito, porque não saíste logo na primeira oportunidade e só abordas o assunto passados 5 anos?». A verdade é que eu não gosto de ser o passivo da relação, pelo que sempre pensei que uma pila pequena não ia fazer mal nenhum até porque o tamanho não iria nunca interessar. Mas ainda temos o problema do sexo oral. Parece que estou a chupar uma amostra de um Chupa Chups. E mamar um salsichão dá-me gozo... Nos últimos meses anda-me a apetecer saltar a cerca para chupar um calipo digno de ser vendido na Makro só para satisfazer esta sede, mas ao mesmo tempo não o quero trair. O que devo fazer?  
Tiago, 27, Lisboa

Doutor G: Caro Tiago, obrigado por constatares o óbvio. Relativamente à tua dúvida, posso apenas teorizar sobre o assunto, já que a minha experiência empírica com pénis é reduzida. Diz um estudo que o tamanho do pénis apenas importa em relações de longa duração, já que numa one night stand come-se a chicha que houver, mas a longo prazo começa a apetecer ver o prato cheio. Este estudo foi feito com mulheres mas calculo que com casais homossexuais o resultado seja o mesmo. Por acaso sempre foi uma questão saber se o sujeito activo apenas recebia sexo oral ou também o fazia no pénis do sujeito passivo. Sempre calculei que dependia de relação para relação e aqui está a prova. Sendo que não queres trair o teu namorado, aqui ficam algumas opções:

  • Fazer sexo com óculos fundo de garrafa para parecer que tudo é maior;
  • Encher a boca de carne picada antes do felácio para dar aquela sensação de preenchimento;
  • Usar como preservativo um porquinho-da-índia depilado e amputado. Em gíria de humor, isto chama-se uma Call Back. Sou muita boss.
  • Usar a técnica do ninho de vespas que os antigos aldeões utilizavam como implantes mamários dos pobres;
  • Passares os dias a chupar um esparguete cozido para enganares o cérebro quando estiveres com o teu namorado. É tudo uma questão de perspectiva.
De nada.


Namoro com um rapaz já faz 5 anos. Ainda sou nova e boa aluna com os meus objetivos bem definidos. Um desses objetivos será entrar na faculdade para o curso que sempre quis. Mas (tem de haver sempre um mas) aconteceu que engravidei e descobri na semana passada. Toda a gente ficou feliz (menos eu), e o meu namorado quer muito esse bebé. Como ainda só estou grávida a dois meses não se nota barriga nenhuma e gostava de casar pelo registo civil, tendo em conta que assim que acabar a faculdade, gostaria de casar outra vez mas com uma festa incluída, coisa que neste momento não é possível. O problema é que ele diz que não quer casar e que para sermos felizes com esta criança não é necessário apressar as coisas. Mas "um dia" quer casar comigo. Será que ele não me ama como eu pensava que sim? Ou será que ele tem razão e devo acabar a faculdade e só depois casar?
Anônima, 20, Setúbal

Doutor G: Cara Anónima, dizes que és boa aluna mas tens 20 anos e ainda não entraste para a faculdade... Algo não bate certo, a não ser que só tenhas entrado para a primária aos 8 anos porque estiveste de licença de maternidade desde os 6. Toda a esta dúvida é nova para mim, acho mesmo que é a primeira vez que alguém me contacta devido a uma gravidez indesejada. Por questões deontológicas não vou sugerir o aborto ou a queda "acidental" das escadarias da estação de metro Baixa-Chiado. Pelas rolantes, em sentido inverso, só para termos a certeza que o feto descola mesmo da placenta. Não percebo como é que o teu maior problema não é o facto de estares grávida, mas sim o do teu namorado não querer casar para já! Bem sei que ser mãe aos 20 anos em Setúbal é tarde, já que quando trabalhava aí o que não faltavam eram miúdas com dentes de leite a puxar o carrinho de bebé. Ainda assim, acho que a tua preocupação deve ser apenas e só teres a estabilidade necessária para dar a essa criança as condições que merece. Casar é um contrato e o amor não se prende com assinaturas. Concentra-te na gravidez e no teu futuro e o resto logo se vê. Se ele nunca quiser casar contigo mas quiser ser sempre o teu namorado e um bom pai do teu filho, qual é o mal? Fossem todos assim! Seja como for, não o podes obrigar a casar... a não ser que ameaces fazer um aborto! Assim, seja qual for o resultado, ficas a ganhar. Sou um génio do mal.


Boas doutor G, namoro à 9 meses com uma rapariga e somos muito felizes, mas acontece que eu gostaria de criar um facebook em conjunto e desativar os nossos, mas ela acha isso uma "piroseira" e diz que isto não é uma atitude de confiança de minha parte. Ela propõe que ambos tenhamos acesso às nossas conta e que isso dará à mesma coisa de criar o facebook em conjunto, mas a mim tem diferença. Achas que ela me tem algo a esconder? Devemos criar o tal facebook? Que devo fazer? 
João, 23, Porto

Doutor G: Caro Pedro, o que deves fazer é simples: deixar de ser um conas! Mas qual é o homem que quer criar um Facebook conjunto? Isso é ideia de gaja que tem como escritores favoritos o Pedro Chagas Freitas e a Margarida Rebelo Pinto! Aliás, não sei em que ponto da relação é que alguém sugere isso! É preciso confiança e intimidade, isso não nego. Estou a imaginar esses casais no sofá a ver a Única Mulher:

- Sabes amor... tive aqui uma ideia. - diz ele.
- Diz meu fofuxo. - diz ela.
- Oh, se calhar vais achar que é parvo.
- Oh mor, não acho nada. Diz lá.
- Estava a pensar que podíamos fazer uma coisa juntos...
- O IRS?
- Não. Um perfil de Facebook!
- Ai amor, também já tinha pensado nisso. Fomos feitos um para o outro! Fica "Sandro e Kátia" ou "Kátia e Sandro"?
- Podíamos fazer um chamado Katiandro!
- Boa, mor! Tu és genial! Isso é bom nome para o meu salão de nails.
- E também posso usar quando eu acabar o curso das novas oportunidades de DJ. Já estou a imaginar: DJ Katiandro no Via Láctea em Famalicão!
- És tão top, mor.
- Top és tu.
- Somos os dois. Katiandro é top.

Sim, é isto que eu imagino. Moral da história: não, a tua namorada não tem nada a esconder só porque não quer ter um perfil conjunto de Facebook. Tem é bom gosto. E, já agora, terem acesso aos Facebooks um do outro, faz tanto sentido quanto terem um chip e uma GoPro na testa em live stream para o telemóvel da outra pessoa. Ou bem que confiam, ou bem que é para dar tudo.


Doutor G regressa em Junho, se Deus quiser. Pelo que sei, Deus deve querer porque ele era dado ao regabofe e à javardeira. Até lá, podem sempre ir enviando as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.





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