12 de abril de 2016

Amizade e sexo: brinde ou fava?



Como tem sido hábito nas últimas semanas, o Doutor G está com pouco tempo e com muito mau humor. Vamos a mais uma consulta curta e à bruta, da rubrica "Doutor G explica como se faz". 


Olá Dr. G. tenho um dilema já há 4 anos. Conheci um rapaz com os meus 18 anos, hoje é meu namorado. Houve uma confusão e eu descobri que, enquanto ele dizia que me amava e que namorava comigo, foi dançar para baixo dos lençóis com uma "amiga". Eu descobri e confrontei-o com isso. Acabou por confessar mas não contou a história toda, na altura disse que foram só uns beijos. Estivemos afastados durante um tempo e eu decidi voltar com a relação aos poucos.  Estes quatro anos foram de altos e baixos mas a verdade é que ainda não confio nele. O rapaz cresceu. Já não se mete com as miúdas e quando é ao contrário não lhes liga nenhuma (acho eu). Mas o que me custa é o facto de nunca me ter contado a verdade toda. Hoje diz que me ama e que não consegue viver sem mim. Acha que esta relação tem pernas para andar? Não consegui construir uma relação de confiança em 4 anos, será que vou confiar daqui para a frente? É possível viver com alguém em quem não se confia ou construir essa confiança de alguma forma? Deixo de ser stressada e fico com a pessoa de quem gosto? Ou deixo-o e sigo a minha vida?    
J.,22, Aveiro

Doutor G: Cara J, tanta pergunta? Mas isto é assim? Pareces aquelas velhas que vão às urgências e depois ficam uma hora na consulta com o médico a fazer mil perguntas sobre as pontadas que sentem, e outras cem maleitas da idade, enquanto há pessoal novo que ainda tem esperança de viver mais uma anos a falecer na sala de espera. Bem, vamos por partes:

  • Não sei se essa relação tem pernas para andar. Há relações mancas e paraplégicas que só a morte as separa, por isso tudo depende do benchmark de sucesso de cada um;
  • Depende. Confias mais um bocadinho nele agora do que há 4 anos? Se sim, pode ser que no futuro vás confiando mais. Caso contrário, não.
  • Não. Quer dizer, é possível viver com essa pessoa. As filhas do Fritzel também viviam com ele e não me parece que confiassem muito no pai.
Moral da história: perdoar traição é algo nobre e só ao alcance de alguns. Mas perdoar é perdoar, não é ficar a ruminar o passado. Se eu acho que essa relação tem futuro? Não, mas é apenas uma convicção apoiada em dados estatísticos que dizem que dificilmente o primeiro namorado será o namorado para a vida. Deixa andar. Se achas que ele mudou mesmo, dá-lhe o benefício da dúvida. Agora, se achar que os homens (ou mulheres) mudam, é bom senso ou ingenuidade, isso é outra história.


Elucidado Dr. G, sou uma pessoa viajada, já vivi fora de Portugal várias vezes e o que acontece é que como sempre andei de um lado para o outro nunca cheguei a ter relações "fixas". O que acontece é que sempre que desejo alguma moça esta põe-me de parte porque supostamente sou "best friend material", nem dá chance. Estou farto de esta brincadeira do vai e arrisca sabendo que não vai dar e a do não arrisca e fica a pensar no que poderia ter sido, são ambas más. Há uma miúda que tenho interesse neste momento mas já levei barra e gostaria mesmo de estar com ela e se depois não der seguir em frente. Que faço? Afasto-me completamente para evitar ficar novamente magoado e mais frio ou sigo em frente visto que preciso dela e sei que ela seria feliz comigo caso viessemos a ficar juntos apesar do risco?  
Anonimo, 19, Lisboa

Doutor G: Caro Anónimo, ai não sei quê que eu viajei muito e tal, mas depois vai-se a ver e sou um xoninhas que nem tem coragem de arriscar fazer dói-dói no ego para conquistar alguém que pode valer a pena. Sabes quem é que também é muito viajado? Os refugiados da Síria. De que lhes serve isso para o engate? Nada. Nem a Joana Vasconcelos conseguiam sacar, e olha que ela não deve ter os padrões elevados. Usa é padrões ridículos nos vestidos. Que trocadilho, meu deus! É humor de linguagem espectáculo, caros leitores! Isto é muito simples, ou "simpes" como diria a nova Marta da OK! Teleseguros: é ir de cabeça e logo se vê! Arrepende-te do que fizeste e não daquilo que não fizeste, já diziam aquelas frases foleiras do mIRC. Embora esta frase seja estúpida porque não fazer alguma coisa implica fazer o contrário dessa coisa. Por isso, no fundo, é impossível arrependeres-te de algo que nunca fizeste. Já agora, uma adenda: quando uma rapariga diz que tu és "best friend material", o que ela está mesmo a dizer é que o pipi dela não saliva ao pensar em ti. «És um gajo fixe mas sinto nojo só de imaginar fazer sexo contigo!» é a tradução à letra.


Caro Dr. G., tenho 18 anos fresquinhos e "fresquinha" é também a minha estadia pela universidade. Por aqui as caloiras estão para os rapazes como as 70 virgens estão para os muçulmanos no céu. Há que introduzir a variável dos doutores e aqui começa o jogo do gato e do rato, do pica e despica, da submissão hierárquica, blá, blá blá... Já soa às 50 sombras de Grey. Enfim, como se deve estar a prever, por muitas sombras que a noite possa ter, as luzes da discoteca levaram um certo doutor para debaixo do candeeiro do meu quarto. Não me querendo alongar em pormenores técnicos, a semana seguinte pesou-me muito, pois dei conta do grande atrelado de cornos que tinha em exposição. Vi-o a a beijar outra caloira mesmo em frente aos meus olhos! Bem, mas confesso que os meus olhos, talvez por força do álcool, não foram muito sensíveis a essa visão e portanto voltei a enrolar-me com o doutor nos cobertores... Nessa mesma noite... Entretanto tenho vivido na incerteza, será que nem dou conta se estou a usar um par de cornos por já me ter habituado ao peso? Não queria abdicar do calor daquelas noites... Até porque com o pito a arder faz-me falta.
Anónima, 18, Porto

Doutor G: Cara Anónima, mas quais cornos? Vais para a cama com um gajo e depois ele come outra e tu ficas com cornos? Mas que livros da Margarida Rebelo Pinto é que andaste a ler? Só se fica com cornos quando se está numa relação séria, um gajo com que curtiste não tem jurisdição para te oferecer um par de cornos! Tem, quanto muito, capacidade de te transformar num unicórnio! Seja como for, se voltaste a ir para a cama com ele na noite em que o viste a beijar outra, não tens moral para estar preocupada com ele meter-te cornos ou não. Quem mama de uma boca que ainda tem saliva de terceiros, não tem de ter problemas com cornos. Tem, até, de os envergar com orgulho! Devia haver salões de horns, ao género dos de nails, onde as pessoas iam pintar os seus chifres, fazer desenhos foleiros e colocar brilhantes e piercings. Fica a ideia para quem tiver espírito empreendedor. De resto, a relação com esse doutor nunca vai passar de visitas de médico ao domicílio e, por isso, aproveita se quiseres. Já que faltaste às aulas de termodinâmica devo dizer-te que o calor não é solução para quando se tem o pito a arder. Mete gelo, um calipo, ou faz um colar com ervilhas congeladas.


Dr. G, há varios anos que namoro com uma rapariga, 5 para ser exacto, e foi a minha primeira relação minimamente séria. Há uns tempos atrás, uma amiga de longa data não se começou a aproximar de mim, simplesmente um dia deparamo-nos num ambiente de extrema tensão sexual Como? Não sei. Estávamos mais bêbados que o próprio vinho e quando dou por ela estamos a dançar, quase a consumar o acto no próprio dance floor. Garanto-lhe, e não podia inventar isto, que o meu tesão era tão grande que desapertou o botão das calças :/  Nessa noite acabou por não acontecer nada mas desde então comecei a olhar para essa amiga minha de outra forma. Não apenas de forma carnal. Vejo nela tudo o que eu quero numa mulher. E é a primeira mulher em anos, que eu consigo imaginar um futuro feliz. Quem sabe, até sermos uma família! Será prudente acabar uma relação de longa data e arriscar tudo numa simples amizade?
Anónimo, 24, Lisboa

Doutor G: Caro Anónimo, espero que ao menos tenhas pedido à tua mãe para te coser o botão das calças, e não tenha sido a tua namorada a ter de arranjar as calças onde te andaste a esfregar com outra. Ah, espera, o botão não rebentou! Desapertou! Bem, tens aí um trombinhas muito habilidoso, parece aqueles velociraptors do Jurassic Park que aprenderam a abrir as portas da cozinha para ir comer a carne tenrinha dos miúdos (espero que a tua presa não seja menor). «Será prudente arriscar?», perguntas na última frase. Desde quando é que arriscar é prudente? Arriscar nunca é cauteloso e pressupõe sempre assumir riscos. Agora, tu é que tens de analisar se os cinco anos de namoro e o que sentes pela tua namorada tem mais valor do que a tesão do vinho pela tua amiga. Deixo algumas variáveis a considerar para ajudar a tua decisão:

  • Será que depois de te vires vais continuar a ser amigo dela?
  • Será que ela não sabe os teus podres todos?
  • Será que ela sente o mesmo por ti?
  • Será que não é apenas a novidade que te está a atrair na tua amiga e não te vais arrepender?
  • Será que a tua amiga sabe coser os botões das calças?
  • Será que existe vida depois da morte?
  • Será que era tudo um sonho no filme Mulholland Drive do Lynch?
  • Será que a Alexandra Solnado fala mesmo com Deus ou é apenas uma aldrabona que devia estar presa por enganar pessoas?
Todas estas perguntas, menos uma, são de resposta difícil, mas ponderares sobre elas é essencial para tomares a tua decisão.


Tenho um grande problema, recentemente estou numa relação com benefícios mútuos, encontrei um homem num site e agora uma vez por semana, estou com essa pessoa, normalmente ele dá me tudo o que eu preciso, paga-me jantares, compra-me roupa, basicamente tudo o que eu quero ele dá-me, ele até é querido e isto resultou bem durante estes últimos meses, o problema é que já estou cansada dele, não me satisfaz e quero acabar com isto tudo e experimentar coisas novas, o meu problema é ficar sem todas as regalias que já tenho até agora, porque o dinheiro dá mesmo jeito! Os rapazes da minha idade, nem paciência tenho, são umas crianças, não sabem o que querem da vida e nenhum deles tem dinheiro. Por isso Doutor G, dá-me a tua opinião sobre o que devo fazer. 
J, 21, Lisboa

Doutor G: Cara J, uma mulher que continua com alguém só pelo dinheiro, e pelas regalias, tem um nome e esse nome rima com puta. Sim, porque puta rima com puta. Acho que se ele souber que só andas com ele pelo dinheiro, desde que a transação sexo/dinheiro seja feita de forma honesta, não vejo problema. Acho que o que deves fazer é aproveitar para fazer o máximo dinheiro enquanto podes, porque quando ficares mais velha ninguém vai pagar para fazer sexo contigo. É aproveitar, encher os bolsos e quando tiveres 40 tens dinheiro para inverter os papéis e arranjares um toy boy. De nada.


Caro Doutor G, sempre fui uma rapariga muito certinha . Até agora só tive lutas greco-romanas com dois namorados. Porém, recentemente sinto vontade de conhecer outros lutadores e, neste momento,  tenho três candidatos em vista. O que acontece é que eu entrei recentemente para este grupo de amigos e eu não quero desencadear problemas, nem que eles pensem mal de mim. O que é que acha Doutor?

Eva, 22, Porto

Doutor G: Cara Eva, que nome irónico dado o teor da tua dúvida: menina que quer cometer o pecado original e está dividia entre a santíssima trindade. Para te auxiliar nesta tua dúvida, tomei a liberdade de criar um fluxograma:
Há várias combinações e variáveis que não estão consideradas e estão apenas representados os cenários mais prováveis, mas tudo depende do grupo de amigos que é e do tipo de homens. De notar que a zona vermelha é a única onde poderá acontecer uma relação séria sem que haja constrangimentos no grupo de amigos. É aquela zona em que acertas à primeira e ficas satisfeita e pode haver namoro no futuro. Está a vermelho porque namoros é coisa de evitar.


Os fluxogramas dão trabalho. O mínimo que podem fazer é partilhar esta bela rubrica até porque quanto mais partilharem mais pessoas apanham isto sem saberem o que é e pensam que é mesmo feito por alguém com diploma na área, o que torna tudo mais divertido. Como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.






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