21 de abril de 2016

Pessoas que não sabem usar WCs públicos


Sei que à primeira vista há assuntos muito mais importantes a acontecer em Portugal, como os Panamá Papers, a compra do Banif ou o namoro da Sara Sampaio, mas penso que hoje trago-vos um assunto não menos relevante: a etiqueta das casas de banho públicas. Sim, bem sei que já muito se disse sobre ela, mas acho que é um assunto que merece mais destaque! Para mim, o grau de avanço da civilização mede-se pela forma como nos comportamos em WC’s públicos. E, a ver pela amostra, estamos ainda muito aquém de chegar a um patamar desejável de evolução e civismo.

Um dos comportamentos que deveria ser passível de uma coima é aquele perpetrado por pessoas que acham que os demais gostam de ter público enquanto se aliviam. Felizmente, a maioria das casas de banho está preparada para lidar com estes energúmenos, mas há algumas, normalmente no local de trabalho, em que o arquitecto não pensou nisso. Falo daquela situação em que estamos sentados no trono, a contemplar o nosso infinito reino, e há um gajo que entra no WC para usar o lavatório ou o urinol. Até aqui tudo bem, não temos direito de exigir o monopólio do local.

O problema é quando essa pessoa sai e, em vez de deixar a porta como a encontrou, fechada, opta por abandonar o WC e deixar a porta toda aberta.

Ficamos ali sentados, a ouvir tudo o que se passa lá fora. Sentimo-nos como um cão na rua a defecar na relva enquanto ouvimos os carros a passar e as pessoas a conversar no open space. Quando trabalhava na Novabase isto era uma constante. Não bastava o facto de o WC ser perigosamente perto da zona de trabalho, e da copa, fazendo com que por vezes todo o andar cheirasse a cozido à portuguesa que ficou dentro de uma toalha molhada guardada no sótão durante dois anos. O piso 5, onde estava o pessoal das telecomunicações, era o pior. Não sei o que é que aquela gente comia mas não me admirava que fossem ratos mortos no sentido inverso à digestão. Não sendo suficiente o facto de termos que efetuar o envio de faxes no local de trabalho num wc tão exposto, como ainda vinha a sempre um anormal que entrava e deixava a porta aberta. É gente com mestrados Bolonha mas que não fez a cadeira da boa educação.

Há uma situação que tenho observado em vários WC’s públicos mas que nunca vi ninguém a fazer-lhe referência. Não sei se tenho tido azar ou se é algo realmente comum, e estou a falar de macacos do nariz colados nos azulejos. Mas que merda é esta? Somos ainda chimpanzés que fazem esculturas e pinturas rupestres com as mucosas do corpo? Quem é esta gente que após proceder à limpeza do canal nasal, acha que o WC é uma espécie de museu onde deve expor os seus troféus, qual caçador de javalis que ostenta orgulhosamente a cabeça da sua matança? Estarão essas pessoas a tentar comunicar algo? Terá a forma como dispõem as suas sapas alguma espécie de padrão com mensagem subliminar? Ou serão só porcos? Imagino estas pessoas a falar de decoração de interiores com os amigos:

- Então, já acabaste as obras?
- Já, mas agora tenho de ver se compro papel de parede.
- Não te metas nisso! Eu vou lá a casa dar-te duas de mão de sapas do nariz que fica que é um mimo. O verde até vai dar vida à sala e condizer com as almofadas. Podias era ter falado comigo o mês passado. Estava com uma constipação que de cada vez que metia a unhaca no nariz trazia nacos. Tinha-te forrado a parede em dois dias.
- Mas metes um a um ou espirras para a parede?
- Depende ser queres um estilo mais Pollock ou mais realista.

Façam como as pessoas normais: tirem o macaco e limpem ao papel higiénico; façam uma bolinha com o indicador e o polegar e atirem para longe; comam. Tudo menos minar as paredes, portas e puxadores! Isso façam em casa da vossa mãe que não vos deu educação.

Por vezes penso que estou no WC de um congresso de idosos com Parkinson.

Estou a falar, obviamente, da da quantidade de pingas de urina no tampo da sanita. O que leva um homem, adulto, com algum grau de educação a esquecer-se disso tudo no momento em que entra numa casa de banho pública? Qual é o mecanismo no cérebro que passa de pessoa que em casa tenta não sujar para um expressor de urina? Parecem aqueles regadores públicos que deitam mais água para a estrada do que para a relva! É por pirraça, desleixo, ou apenas e só falta de educação? Nem estou a falar de casas de banho de discoteca em que um gajo já bebeu um copo e quer é ver se consegue ensopar o papel higiénico todo ou encher o suporte do piaçaba de urina de cerveja. Nesse caso ainda compreendo, todos os homens soltam o carroceiro do século XV que têm dentro deles quando bebem um copo a mais. Agora, no dia-a-dia? No local de trabalho? Num centro comercial? Cambada de gente porca que muitas vezes nem puxa o autoclismo. Aposto que são as mesmas pessoas que não metem o pisca na estrada. São pessoas que lhes custa mexer dois dedos e preferem agir como um bando javardos que não respeitam a convivência em sociedade e o respeito pelo próximo.

Por falar em autoclismo, quantas vezes já vi o que parecia ser uma lontra bebé, que caiu num poço de ácido, agarrada às paredes da sanita? Não era caso de quem puxou o autoclismo mas aquilo nem foi para baixo e a pessoa não reparou. Nada disso, estava lá papel e tudo a provar que aquele atrasado mental nem se dignou a fazer o mínimo exigível e que qualquer criança aprende a fazer desde que deixa de usar o penico. Uma vez, há uns 12 anos, na estação de comboios da Pampilhosa cometi o erro de principiante de ir à casa de banho na estação. Deparei-me com uma visão que nunca mais esquecerei: todo o chão tinha uma mini cheia de urina, com 3 a 4 centímetros de profundidade, e enquanto puxo as calças para cima para que as bainhas que nunca cheguei a fazer não ficassem ensopadas, vi algo digno de um filme de terror. Marcas, castanhas, de mãos e dedos nas paredes! Se fosse sangue parecia que alguém tinha sido assassinado ali e se agarrava às paredes enquanto se esvaía em sangue. Infelizmente, não era sangue. Era cocó. Algum maluco ou algum pobre coitado que não tendo papel achou que a melhor solução seria limpar com as mãos e depois raspá-las na parede. Má decisão. Gostava de saber como terá sido o resto da tarde desse senhor.

Outra coisa que me faz confusão são os pelos espalhados pelos tampos da sanita. Mas que calvície púbica é esta? Se optam por ter um frondoso relvado genital é convosco, mas se vêem que estão a espalhar pelos por onde passam, como se Hansel e Gretel quisessem encontrar o caminho de volta para a braguilha, limpem essa merda, ok? Limpem o tampo da sanita, não custa nada. Se for no urinol, puxem o autoclismo. Ninguém quer chegar-se a menos de um metro das folhas do vosso bonsai caduco.

Outra coisa: barulhos. Não estou a falar dos barulhos que não conseguimos evitar, seja de flatulência ou do impacto dos nossos dejetos na água. Isso tudo bem, não estou a pedir que sejam como uma tia que tenho que faz uma espécie de silenciador com várias camadas de papel higiénico para que os gases não se oiçam. Estilo assassino que utiliza a almofada como silenciador da pistola, estão a ver? Uma espécie de hitman do metano. Isso tudo bem, agora fazer gemidos e grunhidos para expulsar o demónio da cavidade? Há mesmo necessidade disso? 

É desnecessário ter de ouvir o que parecem ser barulhos de um mudo amordaçado a quem estão a bater uma contra a sua vontade. 

Já ouvi um gajo que falava sozinho «Ahhhhh, foda-se. Isto está tão difícil. Estou a desfazer-me. Ahhhh, ohhhh. Deus me ajude.». Pelos gemidos seguintes não me parece que Deus tenha ouvido as suas preces. A juntar a estes barulhos estão aquelas pessoas que acham que a retrete é a cadeira do call center. Para quê atender um telefonema que não é importante sentado na sanita de um WC público? Aos berros, sempre aos berros, que é como estas pessoas falam.

Nem vou falar do facto que é de mau tom escolher um urinol ao lado de um que está a ser usado quando há outras alternativas. É como estarem dez passadeiras livres no ginásio e irmos para aquela ao lado onde está a correr uma rapariga de seios voluptuosos. Nunca é de forma inocente que os homens fazem isso e é uma parvoíce, até porque a posição privilegiada seria de frente e não ao lado. Por isso, custa-me a perceber os homens que optam pelo urinol que está junto do que eu estou a utilizar. Não sei se será uma questão evolucional em que os homens das cavernas tinham de sair da gruta e ir urinar em conjunto, quais gazelas sabendo que em grupo aumentam as suas probabilidades de sobreviver caso apareça um predador. Neste caso, acabam por ser essas pessoas a passar a imagem de predador porque a única razão para tal atitude é ansiar a proximidade a pénis alheio. Ali naquela distância que dá para dar uma mirada de soslaio só para ver a cor e a textura do prepúcio. Pior são os que acham que é o local ideal para iniciar uma conversa. Não há razão para isso. Somos dois estranhos a urinar no WC público e ao contrário dos elevadores, o silêncio não só não é constrangedor como é recomendável. Pior, os comuns desbloqueadores de conversa podem ser perigosos, já que falar do tempo, por exemplo, pode ser mal interpretado: «Está fresquinho, hoje.» é automaticamente tido como «Esse pénis possui uma dimensão diminuta.».

Muito mais haveria a dizer, especialmente sobre as casas de banho femininas que eu bem sei (não me perguntem como nem porquê) que são uma espécie de matadouro de vão de escada do Intendente. São pensos, tampões e sangue espalhado pelo chão. Por fim, peço desculpa a quem teve de ler isto à hora de almoço, mas era um assunto que tinha de ser falado. Espero que partilhem para que possamos despertar consciências.





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