4 de abril de 2016

10 tipos de condutores palermas



Como é óbvio, o facto de a fotografia ter duas mulheres é apenas um acaso e não devem ser tiradas conclusões machistas sobre isso. Conduz-se mal em Portugal e, sobretudo, conduz-se com uma falta de civismo e respeito pelos outros, o que explica bem o estado em que o pais está em outras áreas. Há uma frase atribuída a Gandhi que diz «A grandiosidade de uma nação pode julgar-se pela forma de como os seus animais são tratados.» e, apesar de concordar, acho que tenho uma mais acertada que podem citar daqui a uns anos «A grandeza de uma nação pode julgar-se pelo nível de civismo dos seus condutores.». É na estrada, entre o conforto do chassis, que as pessoas se revelam e mostram que o ser humano não é mais do que um macaco que brinca com tecnologia. Há vários tipos de condutor que me irritam e me fazem perder cabelos quando ando na estrada e aqui ficam alguns:


O cone de ar
O cone de ar é um tipo de condutor que gosta de se colar aos carros da frente para aproveitar o menor atrito e gastar menos gasolina. Mentira, faz isto só numa de intimidar para que nos desviemos e eles possam continuar a sua marcha em excesso de velocidade. Acho que estas pessoas se deviam enfaixar na traseira de um camião e passar o resto da vida numa cadeira de rodas, onde podiam fazer o mesmo aos restantes paraplégicos encostando-se à traseira deles a dar sinais de luzes para que os deixem passar porque eles estão sempre cheios de pressa para chegarem à inauguração da Primark. Não consigo perceber esta necessidade de cheirar o rabo do automóvel dos outros mas calculo que seja um resquício evolucional de quem não chegou a evoluir totalmente. Estas pessoas mereciam que durante o sexo aparecesse um gajo avantajado por trás deles, bem encostado e a segredar-lhes ao ouvido «Bebé, deixa o Carlão passar, deixa.». Deixo aqui uma receita para lidar com este tipo de condutor:
  • Acender as luzes de nevoeiro traseiras para ele pensar que estamos a travar e se assustar e depois fazer o famoso sinal com a mão de «Passa por cima» que é uma espécie de coreografia da música «Olha a onda» e que em língua gestual quer dizer «Olha o golfinho a saltar.»
O zig-zag
São pessoas com problemas mentais e pensam que a vida é um jogo de computador. Fazem a IC19 sempre em zig-zag, sem usar piscas, de um lado para o outro, com ultrapassagens perigosas e razias. São, normalmente, desempregados que não têm horas para chegar a lado nenhum mas mesmo assim preferem arriscar a sua vida e a dos outros para chegarem ao café dois minutos mais cedo do que se conduzissem de forma civilizada. Este tipo de condutor chama-se zig-zag que infelizmente deve ter sido a marca de preservativos de fraca qualidade que os pais dele utilizaram. Deixo aqui também uma dica para lidar com este tipo de condutor:
  • Deixem-no fazer o slalom à vontade e eventualmente vão encontrá-lo parado num semáforo. Metam-se ao lado dele e apontem para as rodas e digam «Olhe o pneu!». Depois, recostem-se e regozijem o momento em que ele encostar o carro e sair para verificar os pneus. Sim, depois ele vai voltar à sua condução irresponsável mas pelo menos vocês vão com o coração mais quente para casa.

Os que não metem os piscas
Se há condutores que me fazem buzinar e praguejar são aqueles que pensam que o pisca é uma espécie de ornamento do seu automóvel. Mudam de faixa sem avisar e nunca os utilizam nas rotundas. São pessoas que não percebem que não pôr pisca é o equivalente a, de repente, passar-se ao sexo anal sem avisar a namorada: é apanhar as pessoas desprevenidas e pode dar merda. Mudar de faixa e sexo anal são coisas não podem ser assim de repente. Temos que fazer sinal, esperar por uma "aberta" ou que a outra pessoa diga «Pode meter agora». É exatamente o mesmo, só com a diferença que no sexo anal só o casal é que fica chateado se a coisa corre mal e na estrada são todos os outros que têm que estar no trânsito porque um anormal decidiu que ia ser o Tomás Taveira da estrada, provocando até choques em cadeia por trás. O pior disto tudo é que essas pessoas que não usam piscas na estrada são as mesmas que utilizam os quatro piscas quando estacionam em segunda fila! Vão almoçar ou tratar da papelada que sabem que vai demorar uma hora, mas deixam os quatro piscas e ai de quem buzine e refile com o senhor do Mercedes que lhe bloqueia o carro há meia hora, pois ele responde logo, irritadíssimo, como se a razão fosse sua amiga de infância «Não vê que tenho os 4 piscas?!». Como se as quatro luzinhas a piscar conferissem à viatura e ao condutor um estatuto de super-herói. Era meter-lhes luzes de árvores de Natal pelo reto acima, para serem todos eles uns pirilampos que piscam pelas vezes do carro. Já aqui dediquei um texto completo a estas pessoas.


O tuning
O filme Velocidade Furiosa trouxe ao mundo uma das suas maiores pragas que se faz sentir até hoje: o tuning dos pobres. Os homens com problemas com o tamanho da sua masculinidade que utilizam o carro como prolongamento peniano para melhorar a sua autoestima. Não podendo aumentar a potência do seu órgão sexual, decidem meter ponteiras de ar, ailerons e decalques de chamas nos seus carros de gama baixa. Muitos deles investem mais dinheiro no sistema de som do que no carro porque sabem que com a cara e estilo de gueto que têm ninguém os vai deixar entrar numa discoteca. O tuning por si não é mau, é só foleiro, mas torna-se mau quando os seus utilizadores se comportam na estrada da mesma forma que se comportam na sala de aula: muito abaixo da média. Por norma, acumulam os três tipos anteriores com a agravante de serem as unhas de gel do asfalto. Não deixa de ser irónico que esta gente que passa a vida a meter luzinhas foleiras nos carros não utilize os piscas: para eles, as luzes do carro são para criarem uma fonte luminosa nos esguichos do para-brisas e não para evitar acidentes. Depois há também a questão da maioria destes azeiteiros não terem bom gosto musical e utilizarem o seu sistema de som para nos presentar com kizomba e Caribe’s Mix e nunca com Queen ou Led Zeppelin. Aliás, aposto que só conhecem os Zed Leppin.


O road-rage
Este tipo utiliza a buzina como forma de comunicação, já que o seu vocabulário se limita a caralhadas e insultos. São pessoas cuja vida lhe corre mal, especialmente ao nível do sexo, e decidem usar a estrada como escape para as suas frustrações. São especialistas em língua gestual e o manguito é o seu sinal favorito, mais uma vez demonstrando que a génese da sua falta de civismo vem dos seus complexos de inferioridade peniana. Apesar desta categoria ser dominada claramente por homens, há também mulheres com alma de camionista. Lembro-me de uma senhora uma vez abrir a janela, fazer-me um manguito e dizer em plenos pulmões «Vai para a cona da tua tia!». Achei estranho por vários motivos: primeiro, porque não estava no Porto; segundo, porquê para a vagina da tia? Qual tia? Tenho mais de dez e fiquei na dúvida. Ri-me e ela ficou ainda mais furiosa o que fez-me rir ainda mais. Depois de me rir fiz o que faço sempre quando tenho de lidar com este tipo de gente: mando beijinhos. Quem diz que o amor tem o poder de mudar o mundo é porque nunca tentou dar amor a um condutor enraivecido. Uma vez, depois de pôr em prática a minha técnica, o gajo passou-se e começou a perseguir-me, colado a mim e a ameaçar que me albalroava o carro com o dele. Mantive a calma, saí da IC19 para a Buraca e ele seguiu-me sempre a espumar-se todo. Fiz a rotunda e entrei para a Cova da Moura e comprovei que era um covarde quando o vi a virar para outro lado.


O fashion
Ao contrário da categoria anterior, esta categoria é dominada por mulheres que acham que o espelho do carro é igual ao da casa de banho e serve apenas e só para se maquilharem. Fico sempre com vontade de buzinar para elas se assustarem e vazarem uma vista com o lápis dos olhos, ou para ficarem com a boca pintada à palhaço. Mulheres, todos sabemos que a canção do Agir que diz que vocês são lindas sem make up é mentira, mas antes desmaquilhadas do que mortas num acidente de viação.


O "no meio é que está a virtude"
Não podia ficar de fora o tipo de condutor que acha que na faixa do meio é que está a virtude. É pessoal que tem fobia a bermas e acha que é normal ir na faixa do meio na autoestrada, mesmo que não existam carros à volta. É pessoal que precisa de espaço e gosta de estar à larga, e mesmo que a faixa do meio seja a mais concorrida é onde eles vão, ali em filinha indiana com todos os da mesma espécie. Isto é parvoíce ao nível de ir ao hipermercado e ir sempre para a fila do meio mesmo que esteja lá gente e as outras estejam todas vazias. Ainda assim, é melhor ser estas pessoas do que as que só usam a faixa da esquerda e atravessam a autoestrada toda mesmo em cima da saída como se só se tivessem lembrado naquele momento que vivem no Fogueteiro. E, claro, que há os outros que andam de fila em fila, sempre em procura da que anda um bocadinho mais rápido sem perceber que só estão a contribuir para o engarrafamento. Portugal deve ser dos únicos países em que a faixa da direita é menos concorrida.


O "smart" driver
Este tipo de condutor só tem smart no nome e é aquele que vai agarrado ao smartphone porque o feed de Facebook tem de ser visto em qualquer local e as mensagens não podem esperar cinco minutos a serem respondidas. Quando vemos alguém que vai descaindo paulatinamente para a faixa do lado e depois dá uma guinada sabemos logo que é alguém que vai a mexer no telemóvel. Vai a fazer swipes no Tinder e pelo guinar repentino parece que deu like num travesti sem querer e teve match. Esta gente merecia duas chapadas com um Nokia 3310 a ver se aprende que conduzir ao telemóvel já é uma das maiores causas de acidentes na estrada. Dumb drivers. Dumb drivers everywhere. Condutores burros com telefones inteligentes.


O que não tem carta
Já me bateram no carro, na Buraca, um toque sem qualquer dano para os veículos de quatro rodas, mas ao sair do carro vejo o rapaz pálido, apesar de ser preto, que me dá uma informação dramática «Não tenho carta mano. Não chames a polícia, por favor. Se precisares de arranjar alguma coisa no carro o meu tio tem uma oficina e trata-te disso de borla.» Não chamei a polícia porque um contacto destes dá sempre jeito. Fez-me lembrar o dia em que fiz exame de condução em que o gajo que foi comigo fazer exame no mesmo dia chegou ao centro de exames de carro e não ia à pendura. Proponho o slogan: se não tens dinheiro para tirar carta de condução, vai de autocarro meu cabrão.


O monte de merda
O condutor monte de merda é aquele que faz manobras que colocam em risco a vida de outros. Lembro-me de uma vez, a vir de Viseu para Lisboa pela estrada nacional, estava a chover e um nevoeiro que não se via mais de 20 metros à frente, em que os carros iam todos em fila indiana a trinta à hora porque a tempestade dizia ao nosso bom senso que era o máximo e mesmo assim não nos sentíamos seguros. Nisto, há um monte de merda com um jipe que decide ultrapassar 10 carros de seguida, sem qualquer visibilidade, sem se saber se havia curvas, nada! Não sei o que se passa na cabeça destes atrasados mentais, se é que passa alguma coisa a não ser o egoísmo e a falta de inteligência. Quando ele ia a ultrapassar, com toda a gente a buzinar-lhe, vem um carro no sentido contrário e se não fossem os outros carros a abrir espaço tinha havido ali mortes. A morte do gajo do jipe não me importa muito, acho até que era merecida, agora matar pessoas que vão a cumprir com as regras e sem saberem nem terem culpa levam com um carro de frente, é que é mais chato. Se eu mandasse nisto, uma manobra destas dava direito a ser-se banido para sempre das estradas, uma multa de 1 ano de ordenado e ainda 1 ano a fazer trabalho comunitário 8 horas por dia. Isto para além de lhe enfiar vários micro machines pelo rabo acima, só para ele perceber que há coisas que não se devem fazer com os carros.


Ficaram de fora outros maus condutores como os taxistas, os lerdos que andam a vinte à hora (categoria onde se inseria a minha namorada), o pessoal que demora horas a entrar numa rotunda porque é demasiado cortês e deixa entrar toda a gente primeiro e, há ainda aquele tipo de mau condutor que são as mulheres, mas sobre isso já escrevi aqui.

Não sejam palermas. Conduzam como animais racionais. Se gostam de arriscar a vida, mandem-se de um penhasco dentro dum saco de lixo e não metam em risco a vida das outras pessoas que não têm culpa da vossa estupidez.





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