10 de janeiro de 2017

Apanhada na cama pela sogra. O que fazer?



Hoje o consultório é quase só mulherio. Não fosse o facto de o Doutor G não tratar as mulheres de forma condescendente e ainda era seria convidado para cronista das Maria Capazes. Bem, vamos a mais um "Doutor G explica como se faz".


Caro Dr. G, devido ao seu conselho, decidi experimentar a aplicação FMK. "Conheci" com rapaz bastante interessante (match em Marry) e começamos a conversar, conversa esta que durou algumas semanas. Sem motivo aparente, a atitude dele mudou completamente, falava cada vez menos comigo, com frases secas até que deixamos totalmente de falar. A minha questão é, o que pode ter acontecido? Será que encontrou outra? Devo insistir na conversa?
R.C., 26, Porto

Doutor G: Cara R.C., folgo muito em saber que estás a utilizar a bonita aplicação F*ck Marry Kill, uma espécie de Tinder mas em melhor, feita aqui pelo menino pela sua equipa altamente especializada em javardeira com classe. São vários os motivos que podem ter levado a que o rapaz deixasse de falar:
  1. Teve um match de Fuck com uma rapariga safadona que o convidou para ir tomar café na cama dela;
  2. Fizeste a piada do «Temos match de marry... quando é que me pedes em casamento?» e afugentaste o bicho;
  3. Os programadores da app fizeram porcaria e, sem querer, apagaram o gajo da base de dados.
O segredo no dating online é dar tudo. A velha cartada preferida das mulheres de «Vou demorar um bocado a responder para me fazer de difícil e ele vir atrás.» já não funciona com as novas tecnologias. Os homens viram o seu leque de possibilidades expandido com este tipo de aplicações e o mais provável é que ele estivesse a conversar com vinte pretendentes ao mesmo tempo. Assim que uma se faz de difícil, ele opta por outra. Os homens, para além de serem uns badalhocos, não gostam de ter muito trabalho. Acho que se estás interessada nele, e a insistires na conversa, deves ir directa ao assunto e perguntar-lhe se quer largar o telemóvel e ir para o mundo real contigo. Conversar durante algumas semanas numa aplicação e não levar a coisa para o mundo real é coisa de xoninhas.


Caro Doutor G. ando com um rapaz há uns tempos e a única solução que encontrámos para praticar a luta greco-romana foi o banco de trás do carro dele e, mesmo assim tem de ser tudo planeado a pormenor para que nos possamos encontrar sem faltar a aulas e trabalho. A situação começa a ser desgastante e receio que um de nós se farte dentro em breve. Portanto, recorro à sua sapiência e imaginação fértil para nos dar algumas sugestões (hotel ou ir para casa um do outro são duas hipóteses, praticamente, excluídas).  
Anónima, 19, Entroncamento

Doutor G: Cara Anónima, é realmente uma questão importante e que merece ser abordada. Compreendo as tuas dúvidas, mas as opções são várias. Podemos até dizer que estás numa encruzilhada de possibilidades, ou, como diria uma grande poetisa contemporânea, nuns «entroncamentos sem fim.».
  1. Se arranjar um hotel é complicado, sugiro um motel de beira da estrada, daqueles que não mudam os lençóis;
  2. Vão a um bar de alterne os dois. Nisto, vais ao WC e trocas de roupa e vens vestida de forma a não destoares das trabalhadoras que lá estão. Sentas-te ao ao lado do teu amor, fazem um bocado de conversa como quem está a negociar o preço de uns miminhos. Depois, vão para uma das zonas privadas ou quartos. Com sorte, caso tenhas cara de badalhoca, ninguém vai reparar que não trabalhas lá e vão ter algum tempo a sós;
  3. Marquem uma visita a uma casa à venda. Quando estiverem a ver o andar, mandem uma pedra da janela para o carro do vendedor. O alarme irá começar a tocar e ele vai lá abaixo ver o que se passa. Aproveitem os minutos a sós.
  4. No cinema, durante a projecção de um filme francês. À partida, estará vazio, especialmente se forem à última sessão, pois todos sabemos que os intelectuais, a partir das 20h, estão na cama a ler Kant com a TV ligada na Casa dos Segredos.
  5. Na mesma linha, podem usar uma sessão de teatro na Cornucópia.
  6. Podes tornar-te babysitter. Leva sempre um ralador e um xanax para aromatizar o biberon dos miúdos. Depois, até podem gritar à vontade.
Muitas mais haveria, mas não me pagam para isso. No meio disto tudo, a mensagem essencial é que tenham cuidado quando fizerem no carro. Há por aí muito gandim em zonas remotas a assaltar e violar pessoas. Não é por acaso que eu e um amigo tivemos uma ideia há uns anos de criar um parque de estacionamento com compartimentos privados, onde o pessoal podia ir praticar o funaná pelado sem gastar muito dinheiro e com segurança. O projecto já tinha nome e tudo: o ParKona. Classe.


Olá! Estava na cama com o meu namorado em pleno ato. De repente, a mãe dele abriu a porta, eu escondi-me de baixo dos lençóis e nem apareci. Passados uns 10 segundos ela saiu mas foi tão mau!! Nem a consigo encarar mais! E agora?
RS, 17, Lisboa

Doutor G: Cara RS, faltam alguns detalhes importantes para melhor averiguar a tua situação: Qual era a posição em que estavam? Se estavam a fazer uma daquelas acrobáticas podem desculpar-se e dizer que estavam a treinar para as audições do Cirque du Soleil; ela percebeu o que estava a acontecer ou é daquelas mães tapadas que pensou que estavas à procura de uma lente de contacto nas virilhas do seu filho? No fundo, a culpa é da sogra. Nunca se deve entrar no quarto do filho sem bater! Agora, é viver com isso. Era pior se fosse o teu pai, provavelmente. Se quiseres fazer humor para aliviar a tensão, deixo-te algumas sugestões:
  • Então sogrinha? Agora já sabe que temos mais uma coisa em comum: o seu filho já esteve dentro de ambas as nossas patarecas.
  • Nem lhe disse boa tarde no outro dia, não foi por vergonha, foi porque me apanhou mesmo na parte em que fui para baixo do lençol e fiquei com a boca ocupada.
  • Da próxima vez bata antes de entrar. O seu filho costuma fazer isso para aguentar mais.
  • Quando passares lá a noite, entra de rompante no quarto dos sogros e diz «Ahhh ahhh! Estamos quites!». Se eles estiverem a dormir e não a fazer sexo, podes optar por um «Ahhhh ahhhh! Então foi por isto que a sogrinha fez cara feia? Invejosa!».
O humor resolve tudo.


Caro Dr. G., tenho uma amiga (com quem tive uma relação meramente sexual) que atualmente está numa relação em que não é feliz. Ela diz que gosta muito dele, mas também diz que se quer vingar dele pelas inúmeras vezes que foi traída. A questão é que eu sou muito amigo dela e odeio saber que ela está com uma pessoa que não a merece, quando nem ela sabe o porque de continuar numa relação destinada ao falhanço. Faço o que Dr.? Já falei com ela inúmeras vezes, disse-lhe que essa relação era uma treta, que ele não gosta dela, que é um cobarde e ela sempre concordou comigo e não faz nada.
Anónimo, 20, Abrantes

Doutor G: Caro Anónimo, a melhor forma de responder à tua questão é através de um bonito e autoexplicativo fluxograma:
Posto isto, isso da amizade é tudo muito bonito, mas tu queres é molhar a sopa. Aproveita a deixa de ela se querer vingar do namorado. Normalmente, nesses casos tens direito a tudo do menu.


Dr. G , é a segunda vez que lhe envio uma questão, a primeira não sei se recorda mas, era a lhe dizer que o meu namorado queria criar um Facebook em conjunto mas eu não queria... não interessa... a questão é que nós acabámos... e eu recentemente fui visitar o meu pai que está no estrangeiro e conheci um rapaz e interesse de ambos e entretanto eu vim para Portugal e continuamos a falar por vídeo todos as noites. O meu dilema é: se nós queremos que resulte eu tenho de ir viver para lá, já que ele trabalha e a minha família também está lá, pronto é mais fácil. Não sei o que fazer, porque aqui tenho amizades e a minha vida já construida e sei que, ao ir para fora, a minha vida mudará...
Anónima, 19, Porto

Doutor G: Cara Anónima, deixa-me dar-te os parabéns por já não namorares com um rapaz que queria ter um Facebook conjunto. Está tudo preocupado com umas chapadas à padrasto e uns olhos negros, mas ninguém se preocupa com a verdadeira violência doméstica. Devia haver uma associação APAVFC. Relativamente à tua dúvida, vou recorrer, novamente, a um fluxograma:


Caro Doutor G, há mais ou menos um ano, engracei com um rapaz. Inicialmente andávamos sempre às turras, Após umas quantas indiretas, discussões pequenas e uma ou outra frase mais provocadora, a coisa acabou por culminar em cafés e saídas. O problema é que o rapaz convida sempre o melhor amigo para vir aos nossos cafés, o que acaba por ser um bocado chato e inconveniente. Porque quer uma pessoa conhecer melhor outra, e ter um tempinho a sós, e fica impossível de fazer isso. (Ninguém pode ter uma conversa profunda durante os 4 minutos que o melhor amigo demora na casa de banho, não é?). A minha questão é: porque é que ele tem de chamar sempre o melhor amigo para o café? Estará ele a dizer implicitamente que quer uma relação a três?
R, 21, Castelo Branco 

Doutor G: Cara R, são várias as hipóteses:
  1. O rapaz é um xoninhas que tem medo que lhe falte assunto durante o café e leva o amigo para não haver silêncios constrangedores;
  2. O rapaz tem namorada e leva o amigo para o caso de alguém o ver ele poder dizer «Fui tomar café com um amigo e uma amiga.» e a namorada não se passar.
  3. Ambas as anteriores.
  4. Ele não está assim tão interessado em ti.
  5. Ele está com uma micose no trombinhas e até ficar curado prefere levar o amigo como escudo DST para não passar por xoninhas.
À partida, será uma destas. Só tens de fazer uma de duas coisas: na próxima vez levas uma amiga safadona para se sentar na cara do amigo dele para ele não cuscar a vossa conversa; dizer-lhe «Vamos tomar café hoje? Vais levar o teu amigo e deixar os tomates em casa ou desta vez fazes ao contrário?». De nada.


Sinto que esta consulta teve bastante classe, não concordam? Como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam muito amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.






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