3 de janeiro de 2017

Dores de cabeça durante o sexo? O Doutor G explica.



A ressaca, já passou? Ano novo, consultas novas. Vamos à primeira rubrica «Doutor G explica como se faz» de 2017, onde continuam a proliferar muitas dúvidas sentimentais, sexuais e existenciais.


Eu e a minha namorada já estamos juntos há cerca de 5 anos...Desde há 1 ano para cá, ela tem insistido que está na altura de nós casarmos... Eu gosto muito dela, mas não deste tipo de cerimónias. Por essa razão, levei-a aos Açores, arregacei as mangas e fiz-lhe um filho... Ela está grávida de 13 semanas e o bebé está ótimo. Parece ser mais bonito que o pai naquelas fotos a preto e branco. Com esta brincadeira, consegui que ela parasse com a pressão alta constante sobre o casório. A minha pergunta é... Quando ela voltar a falar de casamento, faço-lhe outro filho? Ou tem melhor alternativa a esta situação?
J.J., 31, Porto

Doutor G: Caro JJ, realmente, nada melhor do que evitar uma prisão de alta segurança do que nos escondermos num bunker e deitar fora a chave. Se não queres casar e ela quer, das duas uma: ou alguém cede, ou separam-se. O Doutor G acha que o casamento só serve para se ter direito a duas semanas de férias extra e para gastar dinheiro com familiares distantes que se morrerem nem vamos ao funeral. No entanto, percebo que muita gente goste de oficializar a sua relação através de um evento que serve para esfregarmos a felicidade na cara dos outros. Ter um filho é um compromisso muito maior do que assinar um papel. Se gostas mesmo dela e isso para ela é muito importante, então casa-te e não penses mais nisso. Mas, pensando bem, se ela gosta mesmo muito de ti e tu não queres casar, então ela que se conforme e deixe de pensar nisso. No fundo, tudo se resume a isto e em nenhuma caixa do fluxograma vês que fazer filhos é uma solução seja para o que for.


Caríssimo Dr. G, a consulta de hoje é em busca de respostas, não para mim, mas para uma querida amiga minha. Ora essa amiga minha está interessada num rapaz que conheceu na faculdade, mas não sabe como mostrar-lhe isso e fica sem saber responder quando ele, inconscientemente ou não, aborda o tema "rapazes". Temos aqui um caso de xonice a dobrar porque eles dão-se super bem, mas nenhum deles arranca dali. Ela bem me pede dicas, mas eu sou muito mais descarada que ela e só lhe sei sugerir coisas do género "o gajo que ando à procura está mesmo à minha frente, mas anda de olhos fechados" ou então de forma muito mais discreta "fá-lo tropeçar e senta-te na cara dele". Conselhos tão bons, mas que ela não mete em prática. Conto consigo para a ajudar.
Margarida, 21, Lisboa

Doutor G: Cara Margarida, essa história da amiga é mais velha do que a amiga do Castelo-Branco. As dicas que deste são boas, mas o problema está no facto de ela ser uma xoninhas. Como mulher, nem precisa de pensar muito no que vai dizer, só precisa de dizer: «Zé, gostava de me esfregar contigo até fazer faísca de chicha e incendiar os lençóis. Siga?». Seja como for, já aqui falei sobre o que fazer nessas situações e todas caem neste bonito fluxograma:
Quanto a dicas de sedução, a melhor forma é comprar o livro do Doutor G que tem separadores ilustrados sobre as melhores dicas para transportes públicos, funerais, trabalho, centro de emprego, salas de espera dos hospitais, casamentos, entre muitas outras situações. A tua amiga (claro que é a tua amiga...) pode comprá-lo em qualquer FNAC, Bertrand, ou neste link com 10% de desconto e portes de envio grátis. Chama-se a isto, product placement à bruta. 


Caro Dr. G., pela segunda vez, sou obrigado a recorrer ao seu consultório. Antes de ingressar no ensino superior um dos objetivos era ir para a cama com muitas universitárias. Nos primeiros dias até tive sorte e pratiquei Jiu-jitsu sem roupa com uma caloira de direto. Até chegámos a estar juntos de baixo dos lençóis várias vezes e foi sempre muito bom para ambos. Estava tudo bem até que, sem aviso ela acaba comigo e volta para o ex que lhe meteu os cornos várias vezes (será que gosta de ser traída?). No entanto tenho continuado muito perto dela, falamos muitas vezes (por vezes conversas mais impróprias), mas nunca se deu mais nada. Estou a ser 'usado' tipo Back plan? Continuo assim ou 'parto para outras aventuras'?  
Anónimo, 20, Abrantes

Doutor G: Caro Anónimo, desconheço o que seja uma caloira de direto, mas calculo que seja um curso em que elas levam a praxe muito a sério e com acordo ortográfico. Depois, um homem preocupar-se em estar a ser usado para sexo, é como um gordo ir ao McDonald's comer um menu grande com Coca-Cola Zero. Ser usado para sexo não é mau, excepto quando se é Maria e se acaba grávida e com uma história complicada para contar, mas até ela conseguiu safar-se. Depois, não sei o que é ser-se o Back Plan, mas vejo aí um manancial de potencial piadas sobre sexo anal e/ou espremer borbulhas das costas. O que interessa aqui é que ela não é mulher para ti. Primeiro, porque tem falta de amor próprio, depois, porque é uma badalhoca comprometida que tem conversas impróprias com outros gajos. Ela está no círculo-vicioso "Xoninhas-BadBoy" e a usar-te como xoninhas trampolim. Manda-a dar uma volta e foca-te no teu objectivo inicial: ir para a cama com várias universitárias. Cromos repetidos não contam.


Caro Doutor G, apesar de só ter tido um único parceiro sexual ao longo dos meus 22 anos, as lutas debaixo dos lençóis sempre foram divinamente magistrais e decorreram sempre sem constrangimento algum... até há bem pouco tempo. A questão aqui é que ultimamente durante o coito fico sempre com uma dor de cabeça infernal que me obriga a parar o acto a meio. O que, como deve calcular, frustra-me tanto a mim como ao meu namorado. Nunca me tinha acontecido nada semelhante e, na nossa última tentativa, cheguei mesmo a ficar com um dos lados da cara dormente. Esta situação assusta-me bastante e está a tornar o acto sexual em algo que evito a todo o custo! Só que isto já começa a influenciar negativamente a minha relação afectiva, além de que não quero que esta situação defina a minha vida daqui para a frente. Conhece ou já ouviu falar de alguém com um problema semelhante?
Anónima, 22, Açores

Doutor G: Cara Anónima, o Doutor G consegue curar muitas maleitas e manias, mas não é a pessoa adequada para o problema que apresentas. A não ser que a causa das dores de cabeça seja uma das seguintes, acho que devias ir a neurologista:

  • Andas a trair o teu namorado e, como partilham uma relação muito especial, tens uma espécie de dor reflexa dos enfeites de marfim que lhe deste no Natal;
  • Estão a praticar a posição pile-driver e o sangue está a acumular-se na tua cabeça e a tua coluna está dobrada ao ponto de provocar dormência ao nível da bochecha superior;
  • Estás a precisar de óculos de ver ao perto e de cada vez que estás a fazer sexo oral, custa-te a focar a zona pélvica do teu namorado e faz com que fiques com dores de cabeça;
  • Estás de quatro com a cabeça demasiado perto da parede e chegas a meio do acto com um traumatismo craniano, com perda parcial de memória que já nem te lembras que tens um lado da cara dormente porque lhe pediste para te dar bofetadas e te chamar nomes.
Não sendo nenhuma destas, vai ao médico. A um médico a sério, não vás à Maya nem à Maria Helena porque isso tem o mesmo efeito do que fazer um papagaio com notas de 500€, largá-lo, e tomar decisões de vida consoante ele voe para a esquerda ou direita.


Caro Doutor G, namoro há cerca de dois anos e meio, e acabei de entrar na universidade... a 280km's de onde vivo. Já aqui, se percebe a receita para algo incrível que vai dar ao falhanço. A acrescentar à situação, já de alguns meses para cá, sinto que não estou feliz com a minha namorada. Sim, a dita prática do amor é fantástica, com tudo incluído. Acho que isto deve-se ao facto de a minha namorada praticar... bullying comigo, e muitas vezes falar e responder-me mal e tratar-me mal. Não sei o que fazer, porque estou a conhecer pessoas totalmente novas, que aliado ao tipico dia de um universitário que geralmente acaba a perguntar-se "Porra, como vim parar aqui?", vai quase de certeza acabar em traição. Como devo fazer?  
Anónimo, 19, Beja

Doutor G: Caro Anónimo, se achas que a tua namorada te trata mal, então o problema não devia ser a distância ou as pessoas novas que andas a conhecer. A não ser que estejas a dizer isso só para inconscientemente te desculpares de estar a sentir uma comichão na cabeça do pimpolho que te leva a pensar que traí-la será um acontecimento inevitável no futuro. Se calhar ela respondeu-te mal uma vez e tu agora pensas nisso como «Sim, eu estou aqui com vontade de esbardalhar pipi alheio, mas ela daquela vez respondeu-me em tom ríspido que não se passava nada só porque eu deixei a tampa da sanita levantada.». Bem, vocês vão acabar mais cedo ou mais tarde, porque a distância é a pior das amantes. 


Bons dias doutor, e o seguinte: namoro a quase 5 anos com uma rapariga linda, porém ha uma grande questão: nao consigo sair a noite com ela e ter um bom momento de diversão, na lutas peladas debaixo dos lençois, passado 5 minutos ela diz que ja nao aguenta mais... E depois ha aquele grande momento em que quando saio a noite com os meus amigos - tipo bro's night - é só miudas, quase ao ponto de me perder em pipi alheio, nunca aconteceu... sugestões? 
Afonso, 21, Guimarães 

Doutor G: Caro Afonso, a tua escrita é medonha. Percebo que alguém com nome do nosso primeiro rei e que vem do berço da nação, queira preservar a tradição de escrever em português-arcaico. O problema é que não consegui perceber quase nada da tua dúvida. Ela, passados cinco minutos, não aguenta mais? Se tiveres tanto jeito para o sexo como para escrever, calculo que seja porque estás a dar-lhe pontapés das costelas flutuantes. Pergunta-lhe porque não aguenta mais: se de dor intensa, ou se de excesso de prazer. Se ela disser que é a segunda, é porque está a mentir e tu não estás a fazer um bom trabalho. Quanto às saídas à noite, não percebi nada. Vá, um bom 2017.


Apesar de ainda ter várias dúvidas em lista de espera, o Doutor G tem recebido menos nas últimas semanas, embora as consultas tenham cada vez mais visualizações. Se precisarem de ajuda ao nível do sentimento e do sexo, não hesitem e enviem as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam muito amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.






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