8 de fevereiro de 2018

Facebook, temos de falar...



Facebook, temos de falar...

Quero começar por te agradecer, não gosto de ser ingrato. Agradecer-te por nos teres livrado do Hi5; agradecer-te por todo o conteúdo gratuito; agradecer-te pela forma como ligas pessoas do mundo inteiro; agradecer-te pelos memes e vídeos de gatinhos e bebés; e, acima de tudo, por me teres dado uma plataforma para escrever e fazer rir os outros e, assim, descobrir aquilo que realmente me dá prazer na vida. Agradecer-te por teres sido a minha montra e porque se não fosses tu, provavelmente, nunca estaria a viver da comédia e da escrita, faz agora um ano.

No entanto, como na maioria das relações longas, há alguém que se começa a desleixar e neste caso foste tu. Foste retirando o alcance das minhas publicações gradualmente e este ano decidiste tirar-me uma grande fatia da minha visibilidade no feed das pessoas. É desmotivamente. Reuni mais de 300 mil pessoas na minha página, sem ajudas de ninguém, só através do meu conteúdo, da generosidade das partilhas e dos likes das pessoas que gostam e, também, com a ajuda dos haters e coninhas que se ofendem por tudo e por nada. Sinto-me orgulhoso por ter reunido esse número, em apenas quatro anos, sem estar na TV, rádio ou outros media tradicionalmente impulsionadores da visibilidade. Sinto-me orgulhoso de o ter feito com o conteúdo que eu gosto e não com o conteúdo que eu acho que as pessoas vão gostar. Sei que as minhas taxas de engagement são das mais altas de Portugal e isso não se deve à minha cara bonita, nem ao facto de estar na TV e ser uma celebridade, mas apenas e só porque há quem goste do meu conteúdo. Diria que a esmagadora maioria das pessoas que seguem a página nem sabe o meu nome e não reconheceria a minha cara na rua e isso, apesar de poder ser um erro de marketing, é algo que me orgulho porque sei que o que lhes importa é o que escrevo e digo e não quem sou.

Por isso, acho injusto que me trates como uma marca. Percebo que o faças num post em que vendo bilhetes ou livros, tudo bem, não tenho problemas em patrocinar esses para que cheguem a mais pessoas. É justo. Agora, no conteúdo original que faço e que são 99% das minhas publicações? As pessoas não vêm ao Facebook para ver e consumir publicações de marcas. Ninguém está numa rede social para ver o que a Staples ou a Danone publicaram, mas estão para ver o que eu e muitos criadores de conteúdos fazem diariamente. Sei que sou uma gota no oceano, mas sei que são as páginas como a minha que trazem pessoas ao Facebook. Se as pessoas quisessem ver o que a família anda a fazer iam mais vezes aos jantares de aniversário da tia-avó.

Bem sei que fui mal-habituado e que nos deste uma plataforma nunca antes vista onde gajos como eu, sem cunhas nem jeito para o networking no meio “artístico”, podiam mostrar o seu trabalho a milhares de pessoas sem pagar nada. Bem sei que sim e é só por aí que te estou grato. Espero que quando vires os utilizadores a ir embora, como muitos já estão a ir, especialmente os mais novos, percebas o tiro no pé que estás a dar e voltes a dar às pessoas o conteúdo que elas disseram que queriam receber, embora perceba que em parte a culpa é delas que metem like em todas as páginas sem critério. Percebo que queiras fazer dinheiro e tens toda a legitimidade para isso, mas não trates quem cria conteúdo da mesma forma que tratas uma empresa que só quer vender serviços ou produtos. Tiras-me o público que eu angariei e ainda tens a lata de me enviar mensagens a dizer «Sabias que por mais 40€ podes alcançar até 7 mil pessoas?». Olha, por acaso não sabia e acho um roubo do caralho, se queres que te diga muito honestamente. Não sou rico, nem os meus pais são, por isso não vou poder pagar-te o que me pedes para chegar ao MEU público. Repara, há plataformas que pagam pelo conteúdo, já tu, ganhas dinheiro comigo com aqueles anúncios que metes ali de lado enquanto as pessoas me estão a ler. É na boa, era uma relação quid pro quo: tu davas-me espaço e público, eu dava-te tempo de antena para os teus anúncios e vivíamos bem com isso. Era justo. Agora, começo a achar que não.

Nem fiquei ressentido contigo quando me bloqueaste duas vezes sem qualquer razão e sem me deixares contestar a decisão. Uma conversa com a minha namorada que tinha a palavra violação foi o suficiente para me meteres de castigo 24h. Depois, voltaste a fazê-lo quando publiquei um comentário onde me ofendiam e chamavam nomes e ao qual respondi sem uma única caralhada. Censurei a fotografia e nome da pessoa, mas mesmo assim decidiste que era bullying. Percebo, realmente a minha resposta foi de uma categoria que destruiu o coninhas e, por isso, talvez fosse mesmo caso de bullying. Não fiquei magoado nem me queixei, pois percebo que tens um algoritmo de reports e precisas de manter a casa limpa e, às vezes, levam por tabela os que não fizeram nada de errado a não ser dizer umas verdades ou ofender gente sensível a tudo menos a causas importantes. Percebo, é na boa, faz parte. Compreendo que os teus indianos não saibam distinguir ironia em português.
Vou continuar por cá, até porque o meu conteúdo dificilmente se adapta às outras redes. Só os vídeos, que faço pouco, no YouTube, talvez. Eu escrevo, textos longos, por isso o Twitter será sempre uma plataforma secundária para mim e o Instagram é para comédia fastfood que não é a minha. Não digo fastfood no sentido negativo, atenção, há conteúdos fastfood muito bons por lá, mas simplesmente não é o meu estilo. De qualquer das formas, vou começar a andar mais também pelo Twitter (@noutracoisa), Instagram (@guilhermercd) e no YouTube (PorFalarNoutraCoisa). Se calhar começo a publicar por email ou por grupo de WhatsApp, não sei, ou faço um canal no mIRC onde vou partilhando as minhas coisas. Cá me irei safar, não precisas de te preocupar comigo, mas sinto que quem está a começar a criar conteúdo vai ter uma tarefa difícil e acabará por desistir ainda antes de saber se tem jeito ou não, e é pena porque há por aí tanta gente com talento e vontade para criar, seja em que área for.

Resta-me esperar que o público se lembre de mim quando não lhes apareço no feed durante uns tempos e venham aqui ou ao blogue ver se publiquei alguma coisa nova ou que activem as notificações ali em cima do botão Gostar e Seguir. Resta-me esperar que essas pessoas partilhem quando gostam, caso contrário a página poderá começar a morrer. Repara, por mim é na boa, Facebook, da mesma forma que me despedi para fazer isto, também volto a trabalhar na minha área de formação, sem qualquer problema. Gostava é que isso acontecesse quando o público se fartasse de mim, ou eu perdesse o gosto em fazer isto, e não porque tu não lhes mostras o que ando a fazer, mesmo depois de terem mostrado interesse nas minhas publicações e interagido com elas centenas de vezes.

Sem ressentimentos.
Guilherme Duarte a.k.a. O gajo de barba do Por Falar Noutra Coisa.





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