22 de fevereiro de 2018

Modas parvas 2018 - "Assédio", cocktails, stories, funk



Chegou aquela altura do ano em que identifico as novas modas parvas. Umas que já se têm vindo a arrastar e que é necessário matar, outras que começam a surgir e ameaçam a minha estabilidade psicológica. Como sempre, é um texto onde destilo ódio e onde o objectivo principal é uma catarse, fazer rir e ver quem é que não tem capacidade de encaixe. Vamos a isso.

Cocktails
O gin já é coisa do passado, a moda agora é beber sumo a preço inflaccionado. O mercado das bebidas é de modas: primeiro, foi o Blue Corazon, o Pisang Ambon e o Safari; depois, foram as caipirinhas e suas variantes; depois, o gin com salada e mexido com a pila flácida que é para não partir as bolhinhas delicadas da tónica; agora, são os cocktails. Cocktelarias são estabelecimentos onde trabalham pessoas que tiraram "um curso" onde aprenderam a dificílima arte de misturar cenas num recipiente. Pessoas que vendem bebidas alcoólicas - quase sem álcool - a preço de ouro com trufa da Sibéria. É impossível embebedares-te com cocktails: primeiro, devido ao preço; depois, porque pedes um e demoram uma hora a preparar e, entretanto, já passou o efeito do primeiro. Aquilo faz-se rápido, mas se fizessem em trinta segundos não podiam cobrar os preços que cobram. Se um mecânico reparar que o problema do carro é só ligar um cabo, não pode demorar só meia hora e cobrar 200€! Tem de dizer "ui, isto está aqui um cabo dos trabalhos", demorar dois dias e depois cobrar 1000€ sem factura. 

Nova edição da Casa dos Segredos
Quando as audiências desceram a pique nas últimas edições de reality shows, pensámos já nos ter livrado desse mal, mas, ao que parece, a TVI vai apostar numa nova edição. Temo que seja o “vai ou racha” e que o casting seja ainda mais exigente do que os das últimas edições. Quando digo exigente estou a referir-me ao facto de que só pessoas com um QI menor do que a idade e com pelo menos duas doenças venéreas é que foram seleccionadas. Deixo um apelo à TVI para me colocar a fazer de voz por um dia e sem avisar os concorrentes. «Larga os pesos que o bíceps já está trabalhado, agora vai ler um livro, ó granda burro.» ou «Já toda a gente viu o teu rabo! É Dezembro e ninguém anda de fio dental na cozinha, sua porca.» seria o género de coisas que diria. Isso e dar-lhes desafios ao género «Esta é a voz! O primeiro a pegar num cinto, colocá-lo à volta do pescoço, subir para cima de um banco e, depois de prender a outra ponta do cinto no varão dos cortinados, mandar o banco ao chão ganha uma presença na discoteca “Dona Cândida” no Montijo.» Vejam lá isso, produção.

Interferir na selecção natural
Uma moda parva que se tem vindo a acentuar na nossa sociedade cada vez mais protectora e choninhas. Pessoas com idade para ter juízo decidem começar a comer cápsulas de detergente ou, mais recentemente, a ver quanto tempo aguentam com o braço na placa do fogão eléctrico até ficarem com queimaduras de terceiro grau, e o mundo entra em histeria, achando que a solução é sensibilizar e alertar para os perigos do óbvio. Não é. A solução é deixar os burros irem ter com o criador mais cedo e se forem de hálito a WC pato ainda melhor que é da maneira que vão mamar da boca de Belzebu para toda a eternidade. Quando vos aparecer um extraterrestre e vos perguntar qual o nível de inteligência dos humanos, respondam-lhe que andamos a meter trancas e a esconder caixas de cápsulas de detergentes, mas que deixamos que pessoal marado dos cornos compre metralhadoras e mate os colegas todos, não se fazendo nada quanto a isso.

Pintar sobrancelhas por fora
Mulheres cuja maior influência na vida foi o palhaço Batatinha. O objectivo é tornar as sobrancelhas mais grossas, mas o resultado final é quase sempre uma espécie de asa de gaivota desenhada por uma criança de uma turma especial do ensino básico. Esta palhaçada é propagada pelas milhentas bloggers e vloggers de moda e beleza cuja única capacidade artística e criativa é conseguirem transformar a cara numa tela de um pintor cego com Parkinson. Há umas que têm carisma, sabem falar e são válidas, mas 99% é gente sem nada na cabeça a não ser extensões de cabelo. Isto a juntar ao facto de que muitas são feias! Ser vlogger no ramo da beleza e ser feio é o mesmo que um gajo querer ser ginecologista e ter um tique que é lamber os lábios. Não vai dar, lamento.

Nomes parvos para profissões
Algumas profissões têm sofrido algumas alterações em termos de nomenclatura nos últimos anos: deixámos de ter secretárias para passar a ter técnicas administrativas empresariais; deixámos de ter "o gajo do call center" para ter o operador de tele-marketing; deixámos de ter o cabeleireiro e "a gaja que faz as unhas" para ter o haircut artist e a designer de nails; deixámos de ter domésticas para ter "mães a tempo inteiro"; até o desempregado passou a ser designado "entre empregos" ou "em busca de novos desafios". Temo o dia em que o taxista será o “técnico de transporte de passageiros em veículo ligeiro” e que as peixeiras serão “consultoras comerciais pós-pesca". No entanto, os nomes mais parvos aparecem nas novas profissões que as redes sociais inventaram e o pior é "influencer". Acho giro às pessoas que se autointitulam influencers cujo trabalho se resume a mostrar fotografias do decote no Instagram. Pah, não influencias a opinião de ninguém, lamento. A única coisa que influencias é o fluxo sanguíneo nos homens a ir mais para sul. Fui bruto? Este assunto irrita-me. Se há coisa que me tira do sério são pessoas que fazem mais dinheiro do que eu sem terem o trabalho de escrever um texto a dizer mal de outras pessoas.

Falar de millennials
Os millennials isto, os millennials aquilo. Multiplicam-se os artigos de jornal, ensaios de psicólogos, e notícias sobre como essa geração é diferente no local de trabalho e nos objectivos de vida e sobre como as marcas tentam apelar a esse target. Tretas. Os millennials não são uma geração, são só o subgrupo dessa geração que corresponde à fatia de gente mimada que não sabe o que custa a vida. Agora, temos a Geração Z e esses sim, são quase todos meio palermas porque como bom millennial trintão, sou obrigado a dizer que «Esta juventude está perdida.»

Testes do Facebook
Algo que se pensava extinto, mas que voltou em força nas últimas semanas. O meu Facebook está cheio de gente feia que gostava de saber como seria se fosse uma beldade de Hollywood. Lamento, mas o teste não é o poço dos milagres e o resultado é sempre continuarem a ser pessoas feias que, hipoteticamente, residiriam em Hollywood. Depois, há os que decidem ser travestis virtuais e querem saber como seriam do sexo oposto e o resultado é diabólico e de atormentar os sonhos de um bebé ou de fazer bolçar um adulto. Por falar em bebés, há outro teste que diz às pessoas quantos filhos vão ter. Por este andar, a perder tempo com testes de merda no Facebook vão ter zero filhos, porque pilinha no pipi que é bom, nada. E, se calhar, ainda bem.

Hoje é o dia de...
Ainda no Facebook, este tipo de post é o preferido das rádios nacionais. “Hoje é dia da Maria”, só para terem partilhas e engagement através de um conteúdo completamente inócuo e de criatividade nula. Sabem como é que sei que é feito só para ter partilhas? Porque nunca há o dia do Jaílson, ou da Belmira. Como há poucas pessoas em Portugal com esse nome, são ostracizados e nunca têm direito a um dia deles, caso contrário o post só teria duas partilhas e uma delas seria da minha mãe. “Hoje é dia de Coimbra”, também é comum e, mais uma vez, nunca é “Dia da Picha” ou da pequena aldeia da Boieira em Leiria.

"Assédio" sexual
É aqui que vou ser ofendido. Reparem que coloquei a palavra assédio entre aspas? Exacto, porque há assédio real, violação, coação sexual e afins. Existe muita, no mundo do entretenimento, mas mais e pior no resto do povo e dos comuns mortais que ninguém passa cartão. Quando digo que o "assédio" virou moda, é quando tudo passa a ser assédio. Lamento, mas colocar a mão nas costas de uma mulher para lhe dar passagem como quem diz "Faça favor" não é assédio: é só cavalheirismo e uma desculpa para lhe ver o rabo. Um gajo, a meio do sexo, não saber fazer bem as coisas não é assédio, é só um gajo que não sabe o que faz. Arrependimento por uma má queca não é assédio. Esta moda de apelidar tudo de assédio só faz com que os verdadeiros casos (muitos e a maioria) sejam desvalorizados. Começa a ser tão comum que as mulheres que nunca se sentiram assediadas na vida começam a pensar que têm algo de errado com elas e depois metem-se a pintar as sobrancelhas e essas coisas. Está tudo ligado. Efeito borboleta e coiso. É isso e estes casos de assédio serem o maior impulsionador da criação de bonecas sexuais realistas na tentativa de tornar as mulheres obsoletas sexualmente e, como tal, voltarem a ser mais discriminadas noutras áreas da sociedade. Vocês oiçam o que eu vos digo. 

Funk Favela
Boa notícia é que a kizomba está a passar de moda, má notícia é que o que agora está a bater é o funk das favelas brasileiras. Pessoas que não sabem cantar, letras manhosas, uma batida reciclada, pessoas com ar sarrabeco e rabos a abanar. Não estou a falar da Ana Malhoa, não. Ao pé do funk de favela, a Ana Malhoa é Florbela Espanca com a voz da Amália. E os vídeos da Ana já os vi todos e nunca apanhei doenças, enquanto que para ver os do funk uso sempre preservativo e no fim lavo-me com vinagre.

Stories de Instagram
As stories são um conceito giro: publicar sem grandes problemas, sem medo que fique no feed para sempre e com mais foco em serem genuínas do que com qualidade de imagem e de som. É um conceito giro num mundo que vive de filtros e poses falsas, mas, como tudo, na mão dos seres humanos é usado para o pior. Mil e quinhentas stories sobre a tua ida ao supermercado? Lamento, mas ninguém quer saber. Das mil stories do teu gato a dormir? Se calhar é melhor ires ver se ele está morto e se estiver ficamos todos contentes para não termos de ver mais as tuas stories sem interesse. Stories a conduzir enquanto ouves uma música manhosa? Pode ser que seja a última e ficamos todos a ganhar. Já agora, podem seguir-me no Instagram em @guilhermercd e ver as stories irritantes que faço com a minha cadela.


Já está. Sinto-me mais leve. Sintam-se à vontade de adicionar mais modas parvas nos comentários e não se coíbam de me ofender e mostrar que essa moda de ficar indignado por tudo e por nada nas redes sociais ainda faz parte da colecção para este ano.



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