29 de abril de 2015

UBER proibida em Portugal? Acho muito bem!



Então parece que a UBER foi proibida em Portugal? Eu acho muito bem, vêm para cá essas empresas estrangeiras a querer roubar o trabalho aos portugueses de forma desleal!

Onde é que se já se viu oferecer um serviço com mais qualidade e eficiência, de forma mais conveniente e a um preço reduzido?

Era o que faltava. Andam os taxistas anos a aprender a arte de conduzir à chico-esperto, para depois vir um badameco qualquer tirar-lhe o pão da boca? Um xoninhas que usa piscas, não se mete à papo seco nas rotundas e não buzina nem chama nomes por tudo e por nada? Não pode ser, Portugal precisa de manter as suas tradições e ter choferes de praça é uma delas. Para não parecer que estou aqui a falar sem saber, deixo aqui uma das muitas conversas interessantes que já tive com taxistas. Já foi há 4 ou 5 anos mas garanto-vos que foi 99% isto que se passou e desde já peço desculpa pela linguagem obscena que se segue:

- Boa noite, é para a Buraca se faz favor - digo eu ao entrar num táxi na Gare do Oriente em Lisboa.
- Buraca? Se fosses preto não te levava. - diz o senhor taxista, numa honestidade que faz falta a Portugal.
- ... - sorrio eu, tentando interpretar aquele comentário de forma leve.
- Vamos pela 2ª circular? - pergunta o senhor.
- Pode ser, a esta hora não deve haver trânsito.
- Então vai ser sempre a abrir HE HE HE! - exclama ele, enquanto calça uma luva branca na mão direita.
- Pois... vamos a isso - concordo eu, não querendo ser desmancha prazeres.
- Então e há muitos assaltos lá na sua zona?
- Alguns, mas não é tão mau como se pensa.
- O que faz falta a Portugal é um Salazar, que fazia logo uma limpeza a essa pretalhada toda. - sugere ele, como quem sabe imenso de política e estado social.
- Não me parece que seja da cor da pele... - tento eu explicar.
- Ai não é, não! São todos uns larápios! Só sabem é roubar! - interrompe-me ele, enquanto acelera mas olha para trás, descurando a estrada.
- Tenho muitos amigos que não são assim... - continuo eu.
- São amigos são, quando menos der por isso roubam-lhe o carro e a mulher!
- Experiência própria a falar? - digo eu a meter-me fora de pé.
- Eu não! Ai dela! E filha igual, se aparece lá em casa com um preto, meto-a fora de casa.
- Sem o conhecer? Só por ser preto?
- Ó amigo, a ver se a gente se entende. Não é só por ser preto! É por só querer é boa vida e trabalhar nada. - diz ele, demonstrando que afinal não tinha nada a ver com racismo.
- Ah... ok.

Nisto passa outro taxista por nós quando já estávamos na 2ª Circular e em excesso de velocidade.

- Olha aquele filha da puta deve querer picar-se comigo! Eu já lhe mostro. Está a ver este botãozinho? Isto carregando aqui ele nunca mais nos vê. - diz o taxista com os olhos a brilhar. O que é certo é que o carro passou dos 120 km/h para os 180 km/h em poucos segundos e ele grita enquanto bate com a mão no tablier - Só falta aqui uma anti-aérea caralho!
- Eu não estou com pressa... - digo eu como quem diz para ele abrandar.
- Agora é este que não me sai da frente! Condutores de fim de semana! - grita ele não se lembrando que era quinta-feira.
- Então e o negócio anda bem? - pergunto eu só porque sou parvo.
- Ui, nem queira saber, está uma desgraça. Hoje em dia, só compensa com os turistas, que uma pessoa mete sempre a mais e já dá para fazer um bom serviço. Agora de resto, só aos fins de semana à noite. - desabafa ele.
- Pois e à noite não deve ser fácil trabalhar...
- É só bêbedos! Elas piores que eles agora! Entram aí no táxi, todas tortas, saias subidas, mesmo a provocar, está a ver como é que é. Um homem até tem que se controlar para não as levar aí para um beco escuro HE HE HE HE.
- Pois... acredito.
- Estou-lhe a dizer homem, parece que estão mesmo a pedir, a ver se um gajo cede e elas não têm que pagar a corrida... pagar pagam, mas de outra forma, não é? Não é? Hum? Hum?
- É capaz.
- Não me vai dizer que não gosta de mulheres, pois não?
- Gosto pois. - digo eu de forma muito máscula.
- Ah bom, estava a ver que era um desses! É o que há mais por aí! No outro dia levei dois rapazes, assim da sua idade e quando dou por ela, olho pelo espelho e estão-se a beijar! Até me deu um nó no estômago! Mandei-os logo sair, era o que faltava agora! Oiça o que eu lhe digo, qualquer dia são mais que nós! Então ali na Baixa só se vê é paneleiros!
- Ficam mais mulheres para nós. - digo eu tentando fazer-lhe ver o lado positivo.
- Não fica não, que elas ficam mal habituadas. Porque esses paneleiros sabem cozinhar, gostam de ir às compras com elas, depois elas ficam desabituadas dum homem a sério e já não querem fazer nada em casa. - conclui ele, num raciocínio brilhante.
- Bem, agora depois na rotunda é à direita e pode parar logo ali - digo eu.
- Ah, já estava a ver que era mesmo para o meio da Cova da Moura, já lhe ia dizer que não ia para o meio dos pretos. - diz ele virando o disco na mesma música - Pronto, são 10 euros e 85 cêntimos.
- Aqui tem. Já agora, se eu lhe dissesse que a minha namorada é preta, não se ficava a sentir mal com o que disse?
- Ah mas pretas é outra coisa, são fogo na cama amigo. Fogo na cama, é o só o que eu sei!
- Por acaso não é, mas podia ser...
- Ah caralho que me estavas a enganar! Mas olha que são mesmo fogo, pele de veludo e fogo! É preciso é ter cuidado por causa das doenças! - diz ele estragando tudo novamente.
- Vá, obrigado e boa noite.
- Obrigado eu amigo.

E é por conversas destas que eu acho muito bem que o UBER tenha sido proibido em Portugal. Os taxistas deviam ser uma espécie protegida, para que nunca se extingam e assim possamos continuar a observar a estupidez, racismo, machismo, homofobia e falta de civismo no seu habitat natural. Para quem gosta de escrever humor, os taxistas são como tágides, ninfas do asfalto.

Ah e tal, estou a generalizar e a maioria dos taxistas são pessoas que sim senhor. Claro que são, já apanhei imensos que foram impecáveis, cordiais e prestáveis, mas se estereotipar é giro, para quê ser politicamente correcto?





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