1 de julho de 2015

10 tipos de colegas de trabalho



Este texto é dedicado a todos os que trabalham, já trabalharam, ou irão, no futuro, começar a trabalhar. É um texto, portanto, para toda a gente, que eu sou muito bom em termos de marketing. Embora não trabalhe há assim tantos anos, já fui conseguindo identificar os vários tipos de colegas que existem. Deixo apenas uma ressalva para os meus colegas e chefes actuais: qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência, isto é tudo inspiração das empresas anteriores! Bom, vamos a isso.

O graxista
Um dos tipos mais conhecidos de colegas. É aquele tipo de pessoa que dá graxa ao patrão e a alguns colegas que ele ache que podem ter influência na empresa. É menino para deixar comentários nas fotos do chefe a dizer "LOOL", "O chefe é de mais!" ou ainda um "O chefe é o pai que eu nunca tive! #amorsincero". O graxista odeia se alguém se aproxima do seu mais que tudo e é capaz das maiores calúnias para ser o preferido. Traz bolo de bolacha, o favorito do chefe, faz elogios ao cabelo da chefe e afirma que é um prazer trabalhar ao lado de alguém tão competente. É também menino para deixar emails agendados para serem enviados às onze da noite, para dar a ideia que de chega a casa e continua a trabalhar. Um bom chefe detecta este tipo de empregado a milhas, o que é estranho porque em Portugal utilizamos o sistema métrico.

A badalhoca
A badalhoca é aquela rapariga que se vê ao longe que está ali para dar tudo pela empresa. Tudo. Veste-se de forma provocadora todos os dias e é capaz de se sentar ao colo dos colegas a pedir ajuda. Normalmente, este tipo de colega, também se detecta quando ela está a falar com alguém, em que se debruça de tal forma que mostra 74% dos seios a quem está à frente, isto enquanto empina o rabo para quem está atrás, mostrando assim que dá para todos. Quando chega a altura das avaliações, a empresa chega a parecer uma casa de meninas. Há sempre dois ou três gajos que lançam boatos dizendo que ela só conseguiu a posição através de outras posições, nomeadamente de quatro. Normalmente, os que dizem isso, são os únicos gajos que não a conseguiram comer. A inveja é  tramada. Estava a mostrar este texto à minha namorada e ela disse-me, "Por acaso, acho que não há nenhuma badalhoca no meu trabalho!". Eu respondi "Na volta és tu...". À partida, não irei fazer sexo durante o Verão.

O xoninhas
O xoninhas é o gajo sem espinha dorsal. É o que faz tudo o que lhe mandam, mesmo que lhe mandem trabalhar 20 horas por dia, pelo preço de oito. Está no seu canto, não fala com ninguém, nunca vai almoçar fora com os colegas e ninguém sabe o nome dele. É bom rapaz e ajuda sempre que lhe pedem, mesmo que já lhe tenham rejeitado dar-lhe uma mãozinha. Atrasa o seu trabalho e leva na cabeça por isso mas nunca diz mal dos outros, mesmo que lhe tentem passar a perna. "Já é uma sorte teres trabalho!", diz-lhe a mãe muitas vezes, que no fundo é a culpada de ele ser um xoninhas. Por vezes, acontece o inesperado e, sai da sua crisálida, qual borboleta outrora lesma gosmenta. Isto acontece nas festas da empresa, em que após vários copos de vinho tinto começa a soltar a franga. Já vi, com estes olhinhos que a terra há-de comer, um destes episódios. Um gajo, crème de la crème dos xoninhas, a beber uns copos a mais e a começar a dar passos de break dance na pista, enquanto gritava "Esta merda é toda minha! Sou o rei da pistodance!!!". No dia seguinte voltou ao normal, mas com mais vergonha ainda.

O chefe palerma
Há chefes bons, há chefes maus e há chefes que se armam em maus. Já apanhei de todos. O pior tipo é sem dúvida o chefe que, claramente, sofreu bullying na escola, levou umas chapadas na moleirinha no recreio e que, agora, se vê numa posição de chefia onde pode achincalhar os outros. Já vi chefes a dizer "Hoje vai ter que ficar cá até às 4 da manhã!". Óbvio que não fiquei. É aquele tipo de chefe que, quando há merda, está mais preocupado em saber quem fez o erro, do resolvê-lo. Se for um chefe intermédio, pior ainda, só se preocupa em sacudir a água do capote para não levar com as culpas. Enterra a sua equipa, que deveria defender, qual Tomás Taveira em doses cavalares de viagra. Ninguém gosta dele a não ser o graxista. Para além de ser um filho da puta, é incompetente e não sabe gerir pessoas. À primeira vista, ninguém percebe como é que ele está numa posição de chefia, mas depois olhamos para os nossos políticos e temos um momento eureka.

O bomba-relógio
Há sempre um gajo que é só uma questão de tempo para entrar num esgotamento nervoso. Anda sempre stressado, nota-se de dia para dia a calvice a aumentar, e fala consigo próprio quando está ao computador, enraivecido, com as veis da cabeça a latejar. Todos sabem que vai haver um dia em que ele se vai passar. Todos esperam é que ao fazê-lo, seja de forma pacífica, do género nunca mais aparecer e não atender o telemóvel e não de forma violenta, aparecendo na empresa com uma faca de trinchar porco e mandar meia dúzia para a morgue. Os chefes preocupam-se imenso com isto, porque a empresa era capaz de ir à falência. A meu ver é um medo infundado, porque era publicidade gratuita na CMTV. O bomba-relógio é normalmente um gajo de informática.

A jararaca
A jararaca do mato, é uma espécie autoctone à maioria das empresas. Raramente andam sozinhas e podem-se identificar tanto machos como fêmeas da espécie, sendo que as fêmeas estejam em predominância. A jararaca mete veneno sempre que pode. Vai criar intrigas, dizendo "Sabes que o Ramiro, o gajo novo que entrou, é primo do Sandro? É cunha, só pode", ou ainda "Já vista como a Kátia vem vestida hoje? É dia de avaliação...". Eu já tenho anticorpos que me tornam imune ao veneno desta espécie, que ganhei ao conviver com elas de perto, qual Steve Irwin, mas sem a parte de morrer. Uma vez, uma jararaca veio fumar comigo, após uma discussão com outra jararaca e desabafou "Já viste aquela puta? Como é que ela tem a lata de me falar assim?". Eu respondi "Pois...". Passado meia hora fui fumar outra vez (trabalhar ali dava-me para isto), e vem a outra jararaca que me começa a dizer "Bem, há bocado passei-me. Aquela puta a levantar-me a voz, já viste?". E eu, "Pois...". Sou muita ninja a passar pelos pingos da chuva e a manter a minha neutralidade.

O suspiros
Este tipo de colega de trabalho, é aquele que finge que trabalha. Normalmente é para impressionar o chefe, mas também para que todos vejam o quão empenhado ele é e, especialmente, para não lhe irem pedir ajuda para nada, até porque o mais mais provável é ele não saber. O suspiros fica sempre a trabalhar mais uma hora, hora essa em que apenas vai navegando pelo Facebook, de mão no queixo, a abanar a cabeça e, claro está, a suspirar de 5 em 5 segundos. Abre e fecha o painel de controlo do Windows, faz pesquisas aleatórias no Google e suspira mais uma vez. Tem sempre uma folha de Excel aberta, à distância de um alt+tab, para que quando alguém se aproxime, ele possa olhar para o ecrã, de ar concentrado a suspirar. Por norma escolhe sempre um lugar no canto e virado para a parede. Se tiverem dificuldade em identificar este tipo, é só estar atento a quem sai exactamente 10 minutos depois do chefe sair.

O gajo dos vídeos do youtube
Todas as empresas têm um destes, é obrigatório por lei contratar um gajo dos vídeos do Youtube para animar a malta. O nome diz tudo, é um gajo que passa o dia a ver vídeos, já a chegar ao fim da Internet e que faz questão de os partilhar com toda a gente. Chama-vos, vocês chegam ao pé da secretária dele: "Já viste este gato com luvas de boxe a dar porrada em dois esquilos por causa de um bocado de maça reineta?". Claro que vocês não viram, têm mais que fazer, como trabalhar. Ele mostra-vos o vídeo, enquanto se ri desalmadamente e fixa o olhar na vossa cara a ver se vocês estão a achar piada. Se não se rirem, ele encara aquilo como um desafio e diz "Epá, agora tens que ver este, duma gaja a dançar no varão e depois nem imaginas o que acontece... Até te passas!". "Esbardalha-se toda?", perguntam vocês. Ele triste pergunta "Oh, já viste?". Vocês dizem que sim, mesmo que não o tenham visto. Este tipo de colega veio deixar no desemprego outro tipo, já mais ultrapassado, que era "O gajo que faz forward de emails com apresentações em PowerPoint sobre os mais diversos assuntos, inclusivamente, gajas nuas.".

O avô cantigas
Este tipo é um contador de histórias. Acontece-lhe tudo, especialmente no fim-de-semana. Agarra as conversas e não as larga, tornando tudo sobre si. Tem o hábito irritante de interromper as pessoas com as suas histórias mirabolantes sobre o dia em que foi para a cama com três Angolanas anãs trapezistas que, foi-se a ver, e eram só três gajas morenas, de estatura média e que andavam de saltos agulha. Tem uma mania que me faz ainda mais confusão que é a de ter sempre histórias melhores do que os outros para contar, pensa ele. "Foste ao Bairro Alto? Eu também fui, mas depois fui a Albufeira."; "Foste assaltado? Eu uma vez fui raptado e sodomizado durante três dias numa cave, enquanto só me davam ossos de frango do Pingo Doce para comer.". Confesso que eu, por vezes, tenho alguma tendência para fazer isto. A diferença, é que, realmente, as minhas histórias são boas.

O sindicalista
Este tipo de colega é discriminado pelos outros, que não percebem que ele só quer o bem de todos. Sabe os artigos da Lei do Trabalho de trás para a frente e recusa-se a trabalhar mais dez minutos que o que o seu contrato diz. Recusa ganhar por fora ou trabalhar a falsos recibos verdes. Faz o que todos deveriam fazer, no entanto, é olhado de lado pelo graxista, pela jararaca, pelo gajo dos vídeos do youtube e pelo bomba-relógio. A badalhoca também olha de lado para ele mas é porque o quer comer, já que fica irritada com a aparente falta de interesse dele por ela. Não é que ele não queira, mas como tem códigos de conduta tão definidos, seria incapaz de praticar o coito com uma assalariada do seu patrão, para além de que sabe bem as leis do assédio sexual no local de trabalho. O sindicalista por norma é despedido, acusado de não saber vestir a camisola.


Reparei agora que todos estes tipos existem também nas escolas e faculdades. Há hábitos que nunca se perdem. Como sempre, neste tipo de textos, identifiquem os vossos colegas nos comentários. Aposto que conhecem muitos destes tipos.
Um bem hajam e vá, vão trabalhar, caso contrário ainda são catalogados como "O gajo que está sempre a ler o Por Falar Noutra Coisa no trabalho e a rir desalmadamente, o que é compreensível porque o autor tem imensa graça e é, inclusivamente, bem dotado.".





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