12 de julho de 2015

É das carecas que os eleitores gostam mais



Metam o cinto porque vou falar de cancro. É possível que haja piadas de mau gosto e, 
se tudo correr bem, gente ofendida no fim. O que aconteceu foi o seguinte: Laura, a mulher do Passos Coelho, tem cancro, já se sabe há algum tempo e apareceu, pela primeira vez, de cabeça rapada e ao lado do marido, numa visita oficial a Cabo Verde. Pronto, gerou-se a algazarra.

Os comentários nas redes sociais foram os do costume, parecendo que na sala de convívio dos manicómios há acesso à Internet e ao Facebook. As piadinhas de sempre de quem tem a mania que é humorista negro e que para ter piada basta chocar e dizer que ela mereceu o cancro, pelo mal que o marido fez ao pais ou que, o Passos Coelho é tão tóxico que até deu cancro à mulher. São "piadas" às quais eu não acho graça mas também não me deixam chocado, nem minimamente ofendido. Cada um diz o que quer e que bem lhe apetece. Confesso que só não fiz nenhuma piada sobre o caso porque não me lembrei de nenhuma de jeito, e porque sinto bastante empatia pela senhora, porque também eu já estou a ficar com entradas... Toma e embrulha, foi só para verem que não acho que seja um assunto intocável. Na minha opinião, nenhum o é. E, uma coisa é fazer uma piada, boa ou má, outra é o senhor Álvaro, de Moimenta da Beira, deixar um comentário a desejar-lhe a morte, sinal que é o que ele, realmente, sente.

O pessoal de direita veio logo de capa e espada, quais guardiões da moralidade, a dizer que só está a haver esta polémica porque a Laura e o Pedro não são de esquerda. Sim, porque toda a gente sabe que só o pessoal de esquerda é que faz comentários obscenos na Internet. Aliás, nunca vi ninguém de direita a comentar notícias, vomitando racismo, homofobia e a dizer que um Salazar é que metia isto na linha. Esta polémica aconteceu, não porque ela é de direita, norte ou sul, mas porque há pessoas anormais, más e mesquinhas em todo o lado, que se revelam no anonimato da Internet. Ainda bem que assim é, que assim podemos deixar de fechar os olhos e pensar que somos todos muito civilizados.

Não deixa de ser irónico que ao atacar, com base na sua orientação partidária, quem fez acusações de aproveitamento político, seja também uma forma de se estarem a aproveitar da careca da Laura para fins políticos. 

O Correio da Manhã apressou-se a fazer um artigo sobre o drama das mulheres de Pedro Passos Coelho, onde foram buscar o caso da ex mulher, antiga doce, que depois de uma depressão está irreconhecível, que é como quem diz, de forma politicamente correcta, que está toda estragada. Fizeram-se artigos de jornal sobre se a Laura deveria ou não expôr-se, e as capas das revistas fizeram-se reluzir com a sua careca. Deve ou não expôr-se? Mas isso é pergunta que se coloque? Deve? Que gente mais atrasada mental. Ela não deve nada a ninguém, se quiser expõe-se, se não quiser não se expõe. Simples. Nem deve ter que pensar nas consequências. Calculo que um cancro já dê preocupações suficientes para ainda ter que se estar a pensar no que as pessoas, de cabeleiras fartas e mentes pequenas, vão pensar. Eu, se fosse ela, tinha desenhado um enorme manguito na moleirinha a mandar toda a gente para o caralho. Agora, ao expôr-se, tem de estar consciente de que pode ser comentada. Faz parte. Não pode haver vacas sagradas e não, não a estou a chamar vaca. 

Será aproveitamento político? Custa-me a acreditar que seja, embora não espere grande ética de ninguém da nossa esfera política, muito menos dos grandes partidos. Agora, não sejamos ingénuos, há equipas de marketing e de relações públicas e é mais que óbvio que sabiam que isto iria ter impacto. Tanto positivo, humanizando o primeiro ministro, como negativo, gerando críticas e acusações de aproveitamento político. Não acredito que não tenham pensado que iria dar chinfrim, não me fodam! Agora, se foi planeado e feito para obter votos? Não sei. Eu acho que não, mas não ponho as minhas mãos no fogo. Muitos portugueses são bem capazes de votar no Passos porque "Coitadinho, então agora a mulher tem cancro...". Sabemos bem que nós, na altura de votar, somos tudo menos racionais. Eu, por acaso, acho o contrário: ele devia deixar de ser primeiro ministro para ter mais tempo para se dedicar à mulher mas, principalmente, porque já chega de fazer merda. Todos sabemos é que virá outra varejeira tomar o seu lugar. Sinceramente, nem me chocava assim muito que se estivessem a aproveitar da doença da mulher para conseguir uns votos. Parece-me bem pior quando se aproveitam de promessas falsas que deixam pessoas na miséria. Aproveitarem-se de um cancro, seria só mais um golpe baixo na política. 

Aliás, António Costa, para equilibrar as contas, aposto que vai dizer que tem andado com imensas cólicas e que lhe apareceu um furúnculo no testículo esquerdo.

Resta-me desejar as melhoras à senhora embora me seja indiferente se ela melhora ou não. Não a conheço, não tenho opinião sobre ela e passa-me ao lado se ela tem cabelo rapado ou se usa madeixas californianas em tom de laranja PSD. E, sim, é exactamente o que estão a pensar, só fiz este texto para me aproveitar da doença dela e ter uns likes. Peço desculpa por não ser hipócrita.





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