11 de agosto de 2015

Como conseguir um segundo encontro?



O Doutor G está de férias no Algarve mas ainda assim deixou uma edição preparada para que não vos falta nada. Vamos lá então a mais uma rubrica "Doutor G explica como se faz".



Caro Dr. G, fui uma pessoa pouco aberta a relações sérias (prefiro que me deêm à bomba que usem o desfibrilhador). Mas nunca pus tal opção de lado (sou um gajo seletivo, portanto demora...). Mas infelizmente, parece que não tenho tido muita sorte com o gado (karma?). Ora apenas estão com vontade que as ordenhe ora preferem só aqueles bois treinados para a famosa tourada portuguesa. No entanto, nunca tive muitas dificuldades para ter uma amiga ocasional para ir dar cabo da suspensão do meu carro, mas ultimamente, "aquelas" que me fazem virar os olhos não dão para chegar ao topo da montanha e plantar lá a bandeirinha. Eis o meu último exemplo: Miúda espetacular = gira + engraçada + inteligente + possuída e demoníaca no ato mas inocente quando estava com roupa. Sabia que esta valeria tentar algo. Contudo, as minhas tentativas de voltar a sair com ela não valeram de muito e o meu interesse e dedicação tornaram-se demasiado óbvios, tornando a relação pouco apelativa, pareceu-me. Não me interprete de forma errada: as coisas entre nós eram boas, mas se calhar quando viu o tipo de isco que lançei à água, não lhe interessou, e afastou-se? Ou apenas já não me lembro como se pesca, por estar tão habituado a apanhar cadelinhas (relações "fáceis") em vez de peixe a sério? Se assim for, como devo reagir? Já sou uma pessoa fria com as cadelinhas e essas, no fim, parecem mortinhas para algo mais sério, devo também ser frio e evitar demonstrar sentimentos às raparigas que me puxem a atenção e o coração, ao início? Tive outro exemplo (anterior a este), onde chegou o tão conhecido e célebre "ex" e fui posto de lado a bater pívias e ele a ser venerado por ela. Tal como referi, não tenho dificuldades em tornar-me apelativo sempre que conheço alguém, mas é assim tão mau, no código do homem, ir expondo os sentimentos a curto prazo (cerca de 1 mês), como "curto de ti" ou "quando é que saímos outra vez?"? Existe alguma regra que deveremos seguir para conquistar as que nos são mais difíceis? Ou apenas este meu problema trata-se das "coisas da vida", tanto pode dar como não dar, se não deu é porque não estava destinado?
Anónimo, 22 anos

Doutor G: Caro Anónimo, um homem só não consegue um segundo encontro com uma mulher se não lhe deu uma valente e de a levar ao céu. Se a coisa for bem feita, muito bem feita, ela vai querer sempre um segundo encontro, nem que seja para repetir a dose, mesmo que não tenha intenções de se torna cliente fidelizada. A questão dos homens falarem dos sentimentos é uma questão antiga, a maioria tem medo de os revelar, sentido que isso os está a expôr em demasia e a relevar fraqueza. Isso só depende da rapariga em questão, a maioria gosta que um homem se mostre sensível (desde que lhe tenha dado orgasmos épicos no vale dos lençóis). Nenhuma mulher, hoje, quer um homem fofo e querido e que depois não sabe levar o carro à revisão. Mais depressa optam por um mecânico de profissão que não sabe conjugar duas frases seguidas. Os homens são iguais, o ser Humano é todo farinha do mesmo saco com bolor. Acho que deves continuar a ser tu mesmo e a revelar os sentimentos quando eles são verdadeiros. Quando a receptora de tais elogios for merecedora deles, vai apreciar e retribuir. Tenta, no entanto, não dizer “curto de ti”, diz antes “Gosto de estar contigo” ou algo assim. “Curto de ti” é bué SWAG do gueto e pode afugentar. Uma vez, uma rapariga abordou-me na rua, pediu-me o número e ligou-me à noite para me convidar para ir sair. Queria festa rija, obviamente, mas cometeu um erro que foi fazer-me a pergunta “Tens dama?”. Passou de uma rapariga que até dava umas voltinhas no carroussel de xixa para, na minha cabeça, “É melhor não porque deve ter Çida”.


Boas Dr G, gostaria de saber quanto tempo um homem pode demorar a superar uma "longa relação" que falhou. Quanto tempo pode levar a ter de novo confiança em alguém (deve manter-se a esperança)? E já agora... Como se deve "reagir" quando um fantasma (a ex) se lembra de assombrar novamente a cabeça do pobre (enviar todo o tipo de textos escritos)? Qual a melhor escolha: sexo otimizado ou mais doses de amor, carinho e atenção? Obrigado! =D    
Maria, 22, Porto

Doutor G: Cara Maria, tudo depende de homem para homem, mas, por norma, um homem esquece um amor passado quando tem um novo que lhe samba no colo de tal forma que lhe atrofia as sinapses e lhe causa amnésia selectiva. A melhor escolha é, portanto, uma mistura das duas coisas: por um lado, sexo optimizado, daquele mesmo badalhoco e com saliva por todos os lados e, por outro, amor, carinho e atenção, para que ele veja que tu és o melhor dos dois mundos. Uma lady na mesa e uma porca na cama, sem a parte do roncar, claro. Aconselho também que acertes o passo a essa ex, manda-lhe uma mensagem a dizer “Ó sócia, estás a dar em cima do meu damo e quê? Vê lá se queres que eu te amarre a uma árvore e te alcatroe a boca do corpo, miga!”. À partida, deve resultar.


Caro Dr. G, conheci um rapaz recentemente, ele canta ao vivo em bares e a presença e o olhar dele fazem-me vibrar instantaneamente. Já me meti com ele no facebook, mas raramente lá está. Já lhe mandei indirectas para ver se ele me dava o número dele e nada, e eu sei que ele não anda com ninguém e uma vez que também troca olhares comigo, parece-me minimamente interessado, mas não há outra maneira de o contactar um vez que ele e as TIC não se dão muito bem. O que fazer??? É preciso ser mais explícita? É que tenho um amigo meu que diz que ele é um bocado virado ao romântico e eu dessas coisas não entendo nada. Obrigada desde já pela ajudinha.
A, Santarém

Doutor G: Cara A, lamento mas não me parece que ele esteja interessado. Se tu tomas a iniciativa para falar com ele e até já lhe pediste, ainda que indirectamente, o número e ele nada, é porque ele não está para aí virado. Podes sempre dar tudo e ser mais explícita, já que pode ser que pela insistência lá vás. Diz-lhe “Olha, já que não me dás o teu número, dou-te o meu, é o número 9, 3º esquerdo, ali na rua do “Vou-te saltar em cima até te sair massa encefálica pelos ouvidos”. Aparece e leva preservativos, uma garrafa de absinto e uma embalagem de lixívia, que no fim vai ser preciso limpar a casa de tanta javardice que te vou obrigar a fazer”. Se ele depois disso continuar a não perceber é melhor partires para outro, já que é sinal que ele tem um atraso mental e/ou tu és tão atraente quanto um gato atropletado e/ou ele gosta de rolo de carne ao empurrão.


Ora viva novamente, caríssimo Dr. G! Antes de mais, e para encerrar o último capítulo, é óbvio que prefiro a opção de consumir carninha requentada, assim, vadia e despersonalizadamente. Até porque, por muito que se goste de um só restaurante, corre-se sempre o risco de que este encerre mensalmente para "manutenção", enquanto que rodízios há muitos e o apetite deste caçador de javali europeu é voraz. Contudo, Dr., vi-me na eminência de consultar a sua sabedoria uma vez mais pois, parece-me que esta maleita poderá apresentar sintomas alarmantes. Acontece que, há poucos dias, estava no forrobodó com uma suína do leste europeu: uma autêntica princesa do Báltico, de traços corporais esculpidos por anjos do olimpo lituano, onde eu podia cabecear para o fundo da rede , feito Jankauskas. A meio do arraial, o telemóvel desta minha companheira começa a tocar, dizendo-me ela que era algo urgente e que tinha mesmo de atender. Ok, enquanto ela trocava palavras em lituano com o receptor lá de Vilnius, eu fui dando a palestra ao meu Ibrahimović de bolso, esperando pela segunda parte do encontro para continuar a facturar. Todavia, houve uma frase na língua nativa desta minha tágide de mares congelados que me deixou a mim e ao Ibra completamente cabisbaixos: algo em lituano que se assemelhou muito a "piquenas e médias empresas" - mítica expressão , como o Dr. sabe, da autoria de uma antiga ministra das finanças, irmã de um grunho que abandona programas a meio. Isso mesmo, passei de estar no bem bom com a Miss Kaunas 2013 para estar na cama com Manuela Ferreira Leite. Tudo mudou desde aí. O Ibra está com a moral super em baixo, envolto numa austera política de isolamento, com os seus mercados e bolsas (de fluidos) a cair de dia para dia, apenas porque a imagem daquele tiranossauro rex social-democrata não me sai das cabeças. Doutor, em nome da Federação Portuguesa de Caçadores de Porcas do Leste, venho por este meio convocar os seus serviços para recuperar um atleta que tão bem tem representado o País lá fora, recolhendo óptimas apreciações acerca de suas performances junto de juradas exigentes de vários países. Como poderei voltar a ver a minha Scarlett Johanson made in USSR com os mesmos olhos de antigamente, doutor?  
Marcelo, 23, Fig.da Foz

Doutor G: Caro Marcelo, à terceira consulta vou começar a cobrar, que isto não é a casa da Joana e mesmo na casa dela, se quiseres repeteco, tens que botar o dinheiro na mesa. No entanto, deixa-me felicitar-te pela tua prosa javarda, que muito me apraz. Para começar, um reparo, os restaurantes fixos não têm que encerrar mensalmente para manutênção. Homem que é homem come carne mal passada ou opta por outro prato do dia. E, mulher que é mulher, sabe usar todos os seus argumentos para que continue a ter clientela e prazer nanqueles oito dias maravilhosos de cada mês. Não fazer nada durante esse período, é palermice. Em relação à tua lituana, parece-me que o teu problema não foi teres pensado na Manuela Ferreira Leite, mas sim teres associado a expressão “piquenas e médias empresas” ao tamanho do tua dita dura. O teu Salazar ficou inseguro ao pensar que ela estava a falar sobre o tamanho do seu cash flow. A meu ver, o teu problema deveria ser o facto de ela atender o telefone durante o chavascal, sinónimo de que não estava assim tão compenetrada quanto isso. Atenta na palavra “compenetrada”.


G. venho de uma família brasonada que atualmente detém uma das maiores fortunas do país, segundo a revista Exaame. Tenho 25 anos e cresci num mundo de privilégios. Porém o dinheiro e o nome não me dizem muito, ao contrário da restante família – que é numerosa e muito católica. Sou uma aventureira e levo o meu Mini Cooper  ao mecânico sozinha – o que o meu pai acha uma aberração. E numa dessas idas conheci o homem da minha vida. Ele é mecânico e não me passa cartuxo nenhum com medo de represálias por parte da minha família. Só pode ser isso!!! Sei que ele me acha uma beta do piorio, mas também sei que não lhe é indiferente o meu tom bronzeado e o meu bumbum ao estilo carioca. G. sei que vives na Buraca e  curiosamente és vizinho do meu mecânico…. Já estás a perceber de quem estou a falar J Tenho ou não razão para andar aqui a pingar por ele? No meu mundo as coisas funcionam de forma simples – e quando não são simples, nós simplificamos:  G. arranja maneira de providenciar um encontro escaldante e serás bem recompensado. Mesmo bem recompensado. Além de, evidentemente, seres o padrinho de casamento – à espanhola ou não, também marchavas – providenciarei a internacionalização da tua carreira, incluindo espetáculos a bordo de jatos privados e iates de luxo de amigos de família. Não tens nada a perder. Alinhas?  
Anónima, Cascais 

Doutor G: Cara Anónima, folgo muito em saber que fazes parte de uma das 25 famílias que enriqueceram com a crise, enquanto mais gente se junta ao limiar da probreza, cuja taxa é a mais alta dos últimos 10 anos. Não estou a ver de quem falas e estranho até que alguém da Buraca tenha qualquer tipo de medo de represálias de betos de Cascais. Parece-me fantasia da tua cabeça, o mais provável é que ele não esteja assim tão interessado. De qualquer das formas, se for o único mecânico que eu conheço na Buraca, vais sair de lá maltratada, já que eu já vi como é que ele arranjava o meu falecido Renault 19. Uma vez, tinha o pára-choques amolgado e ele prendeu o carro com uma corrente à parede e começou a fazer marcha-atrás até aquilo ir ao síito. Era cada stickada que o gajo até levantava as quatro rodas do ar. Se ele for assim na cama, depois posso também providenciar uma consulta com um radiologista que conheço, porque é possível que fiques com alguma fractura na bacia. Só la continuei a ir porque ele é maneta e, por isso, mais barato: não cobra mão de obra. Padrinho à espanhola é coisa que eu dispenso, gosto de usar óleo no sexo mas é do johnsons e não dos que se metem nos carros.


Boa Noite Dr. G. Tenho um dilema: apaixonei-me por uma rapariga, pela primeira vez, e, devo dizer, nós somos muito mais dificeis de decifrar do que os homens! Já passei a fase de estar confusa quanto à minha sexualidade, porque acho que é óbvio para mim e para toda a gente que me conhece que nao me enquadro nas noções heteronormativas que a sociedade nos incute. E estou bem com isso, não é esse o meu dilema. O meu dilema é que, embora a rapariga também seja lesbica, é cinco anos mais velha do que eu (o que na nossa idade é bastante), e vai estudar para fora no inicio do proximo ano letivo! Ela tem uma irmã da minha idade, e temo que me veja mais como irmã e amiga do que como algo mais... Mas tambem sei que as pessoas não se costumam preocupar muito com a minha idade, porque no passado saí e namorei com rapazes tambem pela casa dos 20. Conseguia ver que eles estavam interessados em mim, mas com ela nao percebo! E como vai embora daqui a alguns meses nao sei se devo trazer o assunto à tona. Devo falar-lhe sobre isto e correr o risco de levar um não? ou um "sim, mas vou embora e nao me quero envolver". Ou entao, com muita sorte, eu digo-lhe e ela caga no futuro e temos uns proximos meses incriveis, ate ela ir embora e me deixar de coracao despedaçado... Que devo fazer? Corro ou nao o risco?  
Sara, 15, Porto

Doutor G: Cara Sara, é lixado estar do lado de lá e tentar perceber os sinais de uma mulher, não é? Eu diria que não tens nada a perder, o não está garantido. Sabes quem é que também não se preocupava muito com a idade das pessoas com quem andava enrolado? O Carlos Cruz. Acho que tens que começar a escolher melhor as pessoas com quem te enrolas. Eu não sei quais são as regras de etiquetas no lesbianismo mas calculo que sejam iguais às relações hetero. Se eu fosse gaja seria obviamente lésbica e uma javardona, até porque aturar homens não é para mim. Puxando pela lésbica que há dentro de mim, diria que podes optar por uma das seguintes abordagens:

  1. "Não sei se te interessa, mas o meu trabalho durante todos os verões, até aos 14 anos, foi lamber envelopes. Nunca se abriu nenhum na viagem. Fica a dia."
  2. "Diz que não se deve correr com tesouras na mão, que tal fazermos uma deitadas na cama?"
  3. "Queres ir aos saldos e foder? Que é que foi essa cara? Não gostas de descontos?"
É isto.



Lá para o fim da semana haverá outra edição do consultório, até lá partilhem e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.






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