9 de abril de 2017

Estudantes expulsos: spring break à portuguesa



Cerca de mil estudantes portugueses foram expulsos de um hotel em Espanha onde estavam alojados a celebrar a viagem de finalistas ou, como se diz agora, o Spring Break. O problema começa logo nessa nomenclatura para imitar os americanos, depois não exijam que os portugueses não se comportem como tal e não façam o que os americanos sabem fazer melhor: rebentar com outros países. Fez a nossa polícia rusgas enormes aos autocarros dos finalistas, com cães e tudo, a ver se encontravam droga da boa e, afinal, não deu resultado e eles armaram barraca na mesma. Se não lhes tivessem tirado a ganza, se calhar tinham fumado uma e ido dormir em vez de emborcar dez shots e darem uma de decoradores de interiores a remodelar o quarto. «Este sofá não fica bem aqui, deixa cá ver se condiz com a água das piscinas.».

Tivemos a padeira que malhou em nuestros hermanos, agora temos miúdos imberbes com a mania que são rebeldes só porque atiram uma televisão para a piscina.

Acho bonito mantermos as tradições de não facilitar a vida aos espanhóis. «Miúdos? Discriminação!» espumam algumas "feministas" de meia-tigela por não incluir o sexo feminino neste grupo de arruaceiros. Lamento, a verdade é que os homens são mais dados a destruir coisas do que as mulheres. Aposto que as televisões atiradas para a piscina foram todas arremessadas por rapazes o que não iliba as raparigas porque foi por causa delas que eles o fizeram. Toda a gente sabe que as miúdas se passam por bad boys que atiram televisores para a piscina e por rebeldes que pegam fogo ao colchão no quarto para matar os ácaros. Os adolescentes de todas as gerações sempre tiveram uma especial aptidão para fazer porcaria devido a todas as hormonas aos saltos que criam rituais de acasalamento ridículos. Saudades dos outros anos em que as notícias eram sobre rapazes que tinham saltado da varanda para a piscina e tinham ido ter com o criador mais cedo. É a beleza da selecção natural com a qual acho que não devemos interferir sob pena de não evoluirmos mais enquanto espécie.

Lembro-me de quando fiz a minha viagem de finalistas, a Lloret de Mar, de sermos recebidos pela gerência do hotel como se fossemos vândalos logo à partida. Recebemos uma palestra ríspida e um papel com o valor de tudo o que estava no quarto que teríamos de pagar caso estragássemos. Lembro-me de haver lá candeeiros marcados com um preço que só podiam ser feitos de ouro com apontamentos de diamantes. Fiquei arreliado de ser tratado como um arruaceiro, mas como sabia que no ano anterior tinham lá estado uns que partiram paredes de um quarto para o outro e que mandaram colchões e tvs para a piscina, percebi o pé atrás da gerência. No entanto, ao saber isso, achei estranho continuarem a alugar o hotel para as viagens de finalistas, pelo que me fez parecer que é capaz de compensar e, por isso, não têm tantas razões para refilar.  É o mesmo que fazem muitos donos de bares que se queixam de desacatos à porta do bar feitos pelos mesmos miúdos de dezasseis anos aos quais eles venderam álcool mesmo sendo proibido vender-lhes.

Todos os anos há notícias dos desacatos causados por portugueses, mas todos os anos os aceitam lá. Dá-lhes jeito. É como nós que dizemos que o ingleses vandalizam a noite algarvia e andam pela Rua da Oura a causar distúrbios, mas nenhum dono de estabelecimento nocturno quer que eles deixem de ir lá gastar o dinheiro. Aos hotéis é igual e acaba sempre por lhes compensar, caso contrário não faziam parcerias com as agências de viagens que lhes levam milhares e milhares de clientes sem eles terem de mexer um dedo. O seguro não cobre? Arranjem um seguro melhor ou deixem de alugar o hotel a estudantes portugueses. Simples. Não me parece justo expulsar toda a gente só porque existem meia dúzia de atrasados mentais que não tiveram educação em casa.


Era como as faltas colectivas na escola quando alguém fazia merda e ninguém se acusava. Toca de marcar falta a toda a gente porque mais vale prejudicar 50 do que deixar 1 impune.

Já são gente crescida, isto era o mesmo que morrer alguém esfaqueado numa discoteca e como ninguém se acusava ia tudo preso. É uma democracia que cheira a ditadura dos burros e a prova de que o mundo está feito para esses é que só os burros podem aproveitar mais do que uma viagem de finalistas. Não estou a desculpar os meninos, atenção. Quem parte azulejos e manda colchões para a piscina é uma abécula. A idade não desculpa porque quem tem idade para votar, beber álcool, e conduzir tem de ter maturidade para saber que os hotéis não são para partir a não ser que se faça parte de uma banda de rock conhecida. Aí até fica mal não partir o quarto todo. Criançada mal-educada resultado daquela política de que não se deve bater nos filhos e só se deve dar reforço positivo. Uma boa chapada à padrasto podia não resolver o problema, mas mal não faria. Não é só a petizada que ainda nem tem os testículos completamente formados que se porta assim! Já vi em festas de empresas pessoal a descarregar os extintores na varanda e a meter os colchões no corredor a bloquear as portas. Pessoas de vinte e tal ou trinta anos a querer mostrar aos chefes que pensam fora da caixa e que não se importam de sair da sua zona de conforto e dormir no estrado. É normal. Acontece. Faz parte. Não façamos um drama deste caso até porque só uma pessoa distraída é que ainda não tinha reparado que a juventude está perdida. Acho pior usar um boné a dizer SWAG do que meter um mesinha de cabeceira no elevador. Acho pior ter um símbolo do infinito tatuado no fundo das costas do que partir candeeiros com um taco de basebol.

Moral da história: sim, há muito adolescente mal-comportado e sem valores e que merecia uma palmada no cu com um ferro em brasa e cujos pais mereciam pior, mas a maioria estava lá a aproveitar sem fazer mal a ninguém nem destruir nada. O hotel tem de decidir se quer ter lá ou não estudantes, mas não pode expulsar quem não prevaricou e já pagou só porque há uns montinhos de esterco a dar mau nome a uma geração inteira. Assim, acabam por mostrar que mereceram os estragos.





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