9 de setembro de 2014

Desenhos animados da minha infância



Depois do texto de ontem, onde se falou de bater em crianças e de como isso forma o carácter, fica aqui um texto que celebra os melhores anos das nossas vidas. Anos esses onde me sentava a ver televisão embrenhado num mundo de fantasia sem pensar que a vida real cá fora aleija o rabinho, metaforicamente para alguns, literalmente para muitos ali no Parque Eduardo VII. Haverá melhor maneira de começar um texto sobre desenhos animados do que com alusão à prostituição masculina, muitas vezes de menores? Não estou a ver como. Aqui ficam então 10 desenhos animados que relembro com mais carinho.

Tom Sawyer
Lembro-me de ver religiosamente todos os Domingos de manhã e digo religiosamente porque era bem cedo à hora da missa. Felizmente os meus pais eram inteligentes e sabiam bem que era mais importante para uma criança aprender moralidade através de desenhos animados do que com a Bíblia. Lembro-me do José Jorge Duarte a apresentar, ou Lecas para os amigos e da excitação que eram aquelas manhãs, quando ainda só havia 2 canais.

Tartarugas Ninja
O gajo que criou estas personagens devia estar sob efeito de substâncias mais radioactivas do que aquelas que caíram em cima de simples tartarugas e as tornaram bichos de 2 metros com abdominais feitos de carapaça. A juntar a isso uma ratazana gigante mestre ninja, que lhe deu o nome dos melhores pintores renascentistas. Fazia todo o sentido. Todos nós nos revíamos num deles, eu era o Miguel Ângelo, de fita laranja e matracas. Era também o mais parvo de todos. Faz agora ainda mais sentido.

Ren e Stimpy
Os desenhos animados para crianças mais nojentos de sempre. Hoje em dia era impossível uma coisa destas passar sem ter a comissão de pais a enviar cartas à produção para que cancelassem. Lembro-me de um episódio em que entrava o Super-Tosta em Pó, um super herói improvável, em que um deles estava com falta de ar e o Super-Tosta tira uma mangueira de bombeiro de dentro das cuecas, enfia na boca do Ren e dá à bomba, no que agora percebo serem dois reservatórios que metaforizavam testículos. O Ren lá se salvou. Nojento? Genial? Provavelmente ambos.

Doug
Sinceramente não me lembro bem, mas sei que me traz boas recordações ao ver as imagens. Hoje em dia o Doug teria boné no cimo da cabeça, uma t-shirt em V até ao umbigo. A amiga, não me lembro o nome, estaria vestida de empresária nocturna que trabalha numa qualquer paragem de autocarro a horas duvidosas. Em vez de corações e cartas de amor trocariam selfies da pila e das mamas, ela engravidava aos 14 anos e entravam para o Secret Story com o segredo "Temos herpes genital". Bons tempos.

Tom & Jerry
Este clássico incontornável tinha um ritmo alucinante e cheio de criatividade que nos ensinava que os mais pequenos podiam vencer os grandes. Que a inteligência era a mais forte das forças. Éramos pequenos demais para perceber que o mau da fita era o Jerry, o rato. O Tom estava apenas a fazer aquilo que o seu instinto de gato e a sua dona lhe diziam para fazer: apanhar o rato. O Jerry era sádico e estava mais preocupado em provocar o Tom do que fazer a sua vida normal. 

Dragon Ball
Provavelmente nunca haverá outros desenhos animados como estes. Conquistou jovens, adultos, rapazes e raparigas, alunos e professores. A minha escola, tal como muitas, parava ali por volta das 10:20h para ver o Dragon Ball. Dezenas, ou centenas de pessoas encaixavam-se na cantina, de pé para ver o próximo episódio que no anterior nos disseram para não perdermos. O sentido de humor da versão portuguesa destes desenhos era do melhor que por cá já se vez em termos de dobragem. Ainda hoje quando oiço o Henrique Feist a falar parece que estou a ouvir o Songoku. Para muitos foi uma desilusão o homem que dava voz ao nosso maior ídolo ser gay. Há pessoas idiotas.

Boumbo
Este talvez a maioria não se lembre. Eu lembro e estive meia hora no google a procurar "talking yellow car cartoons from the 80s" até encontrar. Sei que eram aventuras ao volante de um carro falante que fazia um barulho inconfundível. Não me lembro de muito mais, mas sei que eram dos meus favoritos.

Duck Tales
Ver na TV o que eu devorava em livros de banda desenhada. O Tio Patinhas, o Donald, o Huguinho, Luisinho e Zezinho. O Gastão e a Maga Patalógica, entre tantas outras personagens que marcaram várias gerações. Ensinaram-nos que 3 criaças viverem com um tio que não tinha irmãos era normal, mesmo que andassem todos sem calças dentro de casa. Ensinou-nos também que ser rico e forreta é do melhor que se pode ser. 

Ursinhos Carinhosos
Os desenhos animados mais panisgas de sempre mas que eram do melhor que já foi feito. Eram heróis com poderes fofinhos e que nos ensinavam a ser melhores pessoas. Hoje em dia, se houvesse um remake, seriam os Ursinhos do SWAG, que lançavam azeite pelo peito, onde os maus da fita escorregavam e partiam a coluna. Pensando bem, era capaz de ser um conceito vencedor.

Filmes da Disney
Os tempos áureos da Disney, com obra prima atrás de obra prima. Rei Leão, Aladino, Toy Story, Rei Artur, Robin Hood, entre tantos outras pérolas da animação à moda antiga, que marcaram a minha infância. Alguns sabia-lhes as falas de cor, de os ter visto, revisto e voltado a rever quando o meu irmão era pequeno e os via com ele. O Rei Leão marcou a transição das dobragens em português do Brasil para o de Portugal. Foi estranho ao início.

Em busca do vale encantado
Este merece um destaque especial. Lembro-me de o ter alugado aqui no extinto video clube 44 da Buraca, sem saber bem o que era, mas se tinha dinossauros tinha que ser bom. Lembro-me também de chorar baba e ranho. "Little foot, há coisas que se vêem com os olhos, outras com o coração" disse uma vez o meu irmão à minha mãe com uns 3 anos de idade. A minha mãe pensou que ele fosse um génio filosófico mas depois descobriu-se que estava apenas a papaguear uma das frases marcantes deste filme. Ainda assim é a prova que tinha bons ensinamentos.


Muitos ficaram de fora, Thunder Cats, Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon, Inspector Gadget, He-Man, Flinstones, mas não cabiam cá todos e já foi uma luta para escolher estes 10. E vocês? Algum que seja imperdoável não estar na lista? Lembravam-se de todos?


Versão brasileira, Herbert Richers 

(Quem perceber esta frase merece um cafuné virtual)

PS: Já tinha escrito um texto sobre as coisas da minha infância para além dos desenhos animados, para os interessados é clicar aqui.





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