13 de maio de 2015

O mundo contraiu humanos



Bom dia, prontos para um post deprimente e sem piada? Vamos a isso que isto de ser só rir habitua-vos mal. Há uns tempos vi umas imagens poderosas que retratam muito do mal que há no mundo, do qual nós somos 100% responsáveis. Não eu nem tu claro, são os outros. Não sou de fazer posts deste género mas apeteceu-me partilhar estas ilustrações que acho que estão geniais.

Enquanto uns têm brinquedos caros e nascem em berço de ouro, outros não têm infância e tem que trabalhar e ganhar tostões para comer e sustentar as coisas boas dos outros.


O que para uns são brinquedos para outros é trabalho forçado, tal como as armas de plástico com que todos brincámos em pequenos, quando há outros que tinham a mesma idade que nós que eram obrigados a empunhar uma arma verdadeira e ir para uma guerra que não era sua.


Quando os castelos de histórias de princesas que vivem felizes para sempre forem destruídos, vamos deixar de sonhar e deixar de criar construções de areia de encantar.


Enquanto isso vamos consumindo e tornando o dinheiro no ópio do povo, na religião mais massificada e que ninguém parece questionar. No dinheiro é mais fácil acreditar do que em Deus. Temos a certeza que existe.


O dinheiro que nos dá coisas boas, mas que tornou o mundo sujo e pestilento. Que nos dá prendas, mesmo que fechemos os olhos e não queiramos saber quem teve que sofrer para que aquele smartphone topo de gama tenha sido construído.


Não seria de esperar diferente num mundo onde os media existem para nos entreter e não informar. Para amedrontar e não inspirar.


Num mundo onde a educação é formatada para que aprendamos a responder ao "O quê?" e não ao "Porquê?". Que digamos porque sim e não porque não. Que nos estandardiza e nos diz para ter respeitinho e não questionar a autoridade.


Onde se criam cidadãos que preferem o conforto ao desconhecido. Onde nunca nos ensinam a arriscar.


Num mundo onde aos líderes que promovem guerras e morte de milhares inocentes se estendem as passadeiras vermelhas e se entregam prémios Nobel da Paz o exemplo que vem de cima não podia ser o melhor.


Onde os "bons" constroem impérios assentes em mentiras e que dizem aos outros como se devem e podem comportar.


Onde atrás de um líder vem outro que já lá estava plantado para desabrochar, numa flor que parecia cheia de vida mas que murchou tão rápida quanto as outras.


Onde também esses líderes são estandardizados e produzidos em massa por um sistema de reciclagem de lixo tóxico.


Um lixo que gera lixo. E mais lixo. E mais lixo. Que fazem dinheiro com as palavras que dizem mesmo que não correspondam aos actos que fazem.


Um lixo que vai escorrendo para a base da hierarquia e que aliada à educação que não educa, que apenas formata, se torna num pastor que indica o caminho a ovelhas que o sistema ordenha enquanto lhes dá a pastar futilidade.


Uma sociedade onde as amarras não desaparecem, apenas se camuflam. Onde os escravos não deixam de o ser, apenas mudam de departamento.


Uma sociedade que nos põe uns contra os outros, onde mais depressa nos revoltamos com quem faz greve pelos seus direitos do que com os políticos e gestores que levaram à sua necessidade.


Mas o que interessa é que nós vamos assistindo, escondidos e no conforto do lar. Fazemos like na criança subnutrida africana e partilhamos um vídeo de uns gatinhos para alegrar.


E pronto, é muito isto. Ia partilhar só as imagens sem comentários mas depois deu-me para a lamechice só para vocês pensarem que eu sou bué profundo. Aposto que estavam à espera de uma bojarda ou piada final, não era? Não há. A piada se calhar está aí.
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12 de maio de 2015

Auto recriação oral, ciúmes e ménages



Desta vez à terça-feira, é dia de mais uma rubrica "Doutor G explica como se faz", o melhor consultório sentimental e sexual feito directamente da Buraca.



Doutor G tenho uma dúvida. Gostava de saber como se faz sexo oral sozinha, em mim mesma. Pesquisei na internet e não encontrei nenhuma resposta acerca disto. Era bastante vantajoso porque não existe o problema de ser julgada (ou elogiada) pelo aspecto físico, se é fingido ou não, se mexe bem ou não, etc. Ainda por mais quando não se pode ter brinquedos eróticos de loja. Simplesmente não quero ter essa preocupação do parceiro. Vejo por aí respostas para tudo e mais alguma coisa e gostaria que me ajudasse nesta. Parece uma parvoíce mas é a sério.
Raquel, 25, Leiria 

Doutor G: Cara Raquel, a auto recriação oral é sem dúvida um dos grandes sonhos da humanidade. Tenho quase a certeza que foi por essas razões que se inventou a especialidade circense do contorcionismo. Imagino um rapaz a tentar auto felaciar-se até atingir uma posição de ponte invertida com rotação de 320º. Nisto a mãe entra no quarto e ao ver tal espectáculo diz "Meu filho! Que flexibilidade! Tens que fazer dinheiro com isso!", não reparando onde ele tinha a boca. Assim surgiu a arte de contorcer o corpo. Dada a anatomia masculina, torna-se mais fácil conseguir alcançar tal feito, seja através da remoção de costelas, do aumento da flexibilidade em aulas de pilates ou apenas e só devido ao tamanha hercúleo do membro em questão. Para as mulheres, calculo que o desafio seja ainda maior. Aconselho-te a ir para o Chapitô e na inscrição, quando te perguntarem que tipo de malabarismo gostas mais, podes sempre dizer "Basculação da campainha de Satã". De seguida treinas até deformares o corpo, qual Corcunda de Notre Dame, mas tal como ele, vais poder tocar o sino. Com a língua.


Caro Doutor G, minha dúvida não é a nível sexual, e sim, sentimental. Namoro há quatro meses. Tenho um bom relacionamento. Tenho uma boa cumplicidade com a minha parceira. Mas os ciumes que ela sente, chateia-me muito. Tento sempre não dar motivos. Tenho deixado de fazer certas coisas, só para não deixá-la chateada. Ás vezes até deixo de estar com alguns amigos. E isso deixa-me muito triste, porque se ela confiasse em mim, isso não seria um problema e custa-me muito deixar de fazer certas coisas só porque ela não pode ou não consegue estar comigo em certos momentos. Já falei com ela a respeito deste assunto. Ela diz que não consegue se controlar. Ela disse-me que já foi traída por um ex e por isso ela tem problemas para confiar em alguém. Estou sendo compreensível mas tudo tem um limite. E eu não sei mais o que fazer. Por favor me ajude!!!
João, 21, Sines

Doutor G: Caro João, tens que avaliar os prós e os contras. Mulher ciumenta vai ser ciumenta para sempre. Se ela tem traumas que vá a um psicólogo, já que não és tu que tens que servir de saco de pancada para as inseguranças dela. Sim, tens que compreender e tentar ajudá-la a melhorar, mas sem nunca deixares de ser quem és. Não te transformes num banana que cede perante o medo de ter a namorada a fazer uma cena de ciúmes, que é o que muitas vezes acontece, tanto com homens como mulheres. Eu desconfio de quem não consegue confiar nos outros, parto sempre do princípio que também não confiam neles próprios e que sabem do que são capazes de fazer pela calada. Se o resto da relação compensa, tentem resolver mas sabendo que vai demorar e que cura definitiva não existe. Se ela se tornar insuportável, antes de a deixares acho que deves ter o proveito da fama que ela te dá. Depois o gajo que vier a seguir é que se lixa, que ela vai ainda com mais bagagem radioactiva.


Olá Dr. Vamos lá ao que interessa (que por sinal é o que digo sempre quando se trata do sexo oposto) e é isso que tem-me feito confusão. Dr, a minha duvida é: agora que sou uma mulher independente e dona de si, e não devo satisfações a ninguém se não a mim, apercebi-me que: o que quero mesmo é estudar a anatomia do sexo masculino a fundo. No passado era sempre aquela coisa, "ai tímida, ai ai ai óh larilas”! que a princesa quer conhecê-lo primeiro e falar... e balelas!! Aparentemente isso mudou, pois nem paciência para uma cerveja ou um café tenho, o que não me incomoda muito, pois o alvo é leva-lo para a cama. O que me causa confusão é que mesmo depois do acto não quero dormir com eles, nem conchinha nem mexilhão. Quero a verdadeira visita de médico, soluciona o serviço e logo vai-se embora. Existe ainda o facto de não querer falar com os sujeitos em análise nos dias que se seguem, e quando os vejo na faculdade emito um breve e cruel “tá tudo” com toda a arrogância e poderio de “Oh amigo, já foste”, (o que para mim é uma vitória e felicidade). Vejo amigas minhas a morrerem de amores e enquanto isso eles comigo marcham de todas as maneiras e feitios. É que nem mensagens nem nada. Eles até mandam a pedir mais, mas eu ignoro. Responda-me Dr, serei eu um garanhão feminino dos tempos modernos?
Mariana, 24, Coimbra

Doutor G: Cara Mariana, folgo muito em ver mulheres assim independentes e pro activas no que ao sexo concerne. Felizmente nos dias que correm, cada vez é menos olhado de lado o facto de uma mulher querer o sexo apenas pelo sexo, sem sentimentos à mistura. A mim faz-me confusão não haver mais assim, já que se eu fosse mulher seria muito provavelmente uma saltimbancos. Sim, ainda há o estigma de que uma mulher que anda com muitos é uma pêga e não uma garanhona. Aliás, as outras mulheres são as primeiras a colocar esse rótulo. No entanto, aviso-te já que apenas vais aproveitar essa boa vida até aparecer um macho alfa que te dê uma épica, daquelas cujos orgasmos ascendem aos dois dígitos nos primeiros 10 minutos. Quando isso acontecer, o teu cérebro vai produzir os mesmos químicos que produz quando estás apaixonada, levando-te a confundir o sentimento de luxúria com amor. Não estou a inventar, isto está comprovado cientificamente que acontece no cérebro das mulheres e é aliás uma das razões pelas quais o Doutor G não pode ter uma one night stand nem amigas coloridas, já que elas depois querem sempre mais.


Olá Doutor G, desde já felicito por este site mirabolante, mas sem dúvida excelente. Desde Setembro que o Dux da minha faculdade me chama a atenção. Atrai-me o simples facto da colher de pau ser maior que ele, o bigode e o seu ar arrogante dá-me vontade de lhe saltar em cima. O problema é que ele não liga nenhuma... deve ter alguma caloira debaixo de olho. Nunca fui habituada a esforçar-me para ter alguém a galar-me, o que me leva a pensar que neste caso terei mesmo de o fazer. Mas não sei como, pode ajudar-me?
M, 21, Porto

Doutor G: Cara M, é mais que sabido que uma das formas mais eficazes de engatar um Dux é convidá-lo para um passeio nocturno à beira mar, numa daquelas noites de inverno com as ondas a bater, proporcionando uma bonita banda sonora para que o clima role. Às vezes não é só o clima que rola. Deixo-te apenas um conselho, por vezes o tamanho da colher de pau e o tom arrogante pode sugerir algum tipo de complexo de inferioridade noutra área.


Olá Dr.G, preciso da sua opinião. Conheci um rapaz de 25 anos em Setembro. Conforme fui lidando com ele, todos os dias, fui sentindo uma atracção por ele, por ser uma pessoa que me agradava muito. No fim de Dezembro, já tinha noção que esse sentimento de atracção era mútuo. Envolvemo-nos em Fevereiro, e depois de termos estado juntos duas vezes resolvemos ter uma conversa séria sobre o que tinha acontecido. Basicamente disse-me que não se queria apaixonar por mim, pois eu compreendo que as nossas vidas sejam muito diferentes (ele trabalha e eu vou em Setembro para a faculdade). Uma das razões foi não "querer" namorar com uma pessoa que vai para a faculdade (=festas e saídas, para ele), embora ele saiba que eu estaria disposta a muito por ele. Fui-me conformando com isso. Há 3 semanas atrás tivemos um jantar de amigos, saímos e, no fim, acabámos por ir embora os dois para uma pensão. Neste fim-de-semana passado os pais dele não estavam em casa, na sexta convidou-me para ir lá a casa ver um filme (não pude ir), e combinámos ir jantar no sábado (pagou o jantar e fomos passear pela cidade) e eu depois iria dormir lá em casa essa noite. Quando estamos juntos ele lida comigo como se fosse sua namorada e penso que tem noção que não é um simples amigo para mim, que tenho sentimentos por ele. A minha questão é: o que é que eu faço? Nunca me quis apegar muito devido à nossa conversa de há alguns meses, mas não escolhemos quem gostamos ou não... E ele a ser fantástico comigo desta maneira só faz com que eu me apegue mais a ele... Obrigada!
Anónima, 19, Lisboa

Doutor G: Cara Anónima, não querendo parecer insensível e até porque há casos e casos, quando um homem não assume uma relação é apenas e só porque não gosta o suficiente da outra pessoa ou porque quer andar a desbastar seara alheia. Quando se gosta age-se irracionalmente e nem a distância, nem a idade nem qualquer outro constrangimento impede que se assuma e se pense que é para sempre. Ele ter pago o jantar pode ser um acto de cavalheirismo ou um acto de "Sempre sai mais barato que ir às meninas", dependendo do restaurante. Tens que decidir se estás disposta a arriscar, apegar-te e depois fazeres dói dói no coração ou se é melhor blindares-te a isso. Eu arriscaria, já que como depois vais para a faculdade, mesmo que com ele não funcione vai ser a melhor altura da tua vida para esqueceres um desgosto amoroso e te transformares numa Mákina de fiestas!


Olá, ano passado conheci uma rapariga na minha banda e desde que a conheci reparei que ela era diferente. Ela não liga a modas, aprecia humor e gosta de música 60' e 70' tal como eu. Como se não bastasse ela é a única pessoa com quem consigo ter conversas eruditas e é alguém que realmente me cativa. Apesar de a conhecer há mais de um ano só começamos a falar a sério desde a Páscoa. Casa vez tenho mais vontade de estar e falar com ela e acho que estou realmente a ficar apaixonado, não é gostar como acontecia antes em que a rapariga até era jeitosa e tal e a gente pronto. (atenção que não estou a dizer que ela não é jeitosa, porque é, muito!). O problema é que ela mora a uns 30 minutos de mim e só nos vemos ao sábado para os ensaios ou quando temos algum serviço na banda. O que acha? Devia falar com ela sobre os meus sentimentos? Ela é um ano mais velha que eu.
Anónimo, 17, Casa

Doutor G: Caro Anónimo, o importante é saber interpretar os sinais, embora seja complicado dada a aparente bipolaridade da maioria das mulheres. Mas até no caos há um padrão, é preciso é saber identificá-lo. Tens que perceber que tipo de rapariga é ela e ver como ela lida com os outros rapazes e no que difere a forma em como trata e se dá contigo. Dependendo disso pode fazer sentido falares-lhe sobre os teus sentimentos ou então espetares-lhe a língua na goela de surpresa. A via subtil por norma é a melhor, vais deixando pistas do que sentes, embora qualquer mulher saiba que quando um homem fala muito com ela é porque lhe quer resgatar o orgasmo refém. Falas em serviço da banda, vou partir do principio que é uma filarmónica. Que instrumento é que ela toca? Oboé? Pífaro? Trombone? Estás num meio ideal para fazer trocadilhos sexuais e dar-lhe a perceber. "Este oboé não se vai tocar sozinho", só para dar um exemplo. Epá vi agora que tens 17 anos, esquece esta última parte toda, diz-lhe que gostas dela, que é a rapariga mais especial que já conheceste, que o recorte do sorriso dela é a mais bela obra deste caos genético de que todos somos fruto. Diz-lhe que o som da banda se transforma em silêncio de cada vez que ela sorri e os vossos olhares se cruzam. Que o som da voz dela é a mais bonita das sinfonias que nem Mozart teria a mestria de compôr. Diz-lhe que ela é a razão pela qual acordas com alegria, embora com pena que o sonhos que tens com ela cheguem ao fim. Se disseres isto das duas uma: ou ela vomita um bocadinho com tanta foleirada ou vai soltar cachoeira pelos olhos e não só.


Caro Doutor G, somos duas leitoras assíduas do blog do Guilherme, mesmo antes de ele achar que se poderia chamar a isto de blog. Desde o início, tínhamos uma paixão platónica e o achávamos atractivo a todos os níveis, depois vimos o primeiro vídeo... Ficamos bastante animadas com o desenrolar do rubrica do Doutor G, e começamos a tirar algumas conclusões, a saber:  a) é um ser tão amável que dá vontade de apertar e qualquer mulher gosta disso; b) parece um bom entendedor nas matérias sexuais o que é um ponto bastante positivo; c) 80% dos seus conselhos baseiam-se na persuasão de um membro do casal na tentativa de acrescentar pessoas para a festa, o que nos leva a pensar que têm um fetiche AKA trauma para realizar uma ménage ou até mesmo uma orgia. Tendo isto em conta, a primeira dúvida é tem namorada/o? Se sim, já experimentou ter uma daquelas conversas, que segundo o Doutor "sempre complicadas", na tentativa de passar a linha para o lado de lá ou trazer mais pessoas para o lado de cá? Não precisa de responder já, mas visto que somos atrativas em todos os níveis, temos algo para lhe propor. 
Sheila e Rute, 23 e 24, Linha de Sintra

Doutor G: Caras Sheila e Rute, obrigado desde já pela vossa tentadora proposta mas terá que ser rejeitada, já que após enviarem esta dúvida, tornaram-se minhas pacientes e o código deontológico dos médicos me impede de participar em actividades extra curriculares com vocês. Fiz o juramento de Hipócrates e embora realmente o nome faça lembrar hipocrisia, é algo que levo muito a sério. Por exemplo, nesta rubrica não se falou em qualquer lado sobre convencer o parceiro a trazer um terceiro elemento para a festa, pelo que depreendo que essa percentagem é fruto da vossa imaginação e fetiche comigo. Se já o fiz ou não, é um segredo que ficará guardado comigo e com as outras 10 pessoas que participaram. Em relação a ter namorada, sim há uma Doutora X na minha vida. Para terminar, relativamente ao facto de terem ficado desiludidas com o vídeo do Guilherme, é apenas e só porque não foi um dos vídeos caseiros no qual ele tem performances de chavascal olímpico.



Está feito. Como falem ontem, estou a pensar a rubrica do Doutor G definitivamente para as terças-feiras, dado que por vezes há acontecimentos importantes durante o fim-de-semana que podem justificar um texto à segunda. O que acham? Ora deixem aqui a vossa opinião:

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Mais uma vez obrigado aos que participaram nesta edição, não deixem de partilhar
 e enviar mais dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com.


Até lá, façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.

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10 de maio de 2015

Bullying da SIC? Ou da família?



Sei que já venho um pouco tarde para falar deste assunto e que já se disse quase tudo o que havia para dizer, mas ainda assim sinto-me obrigado a comentar sobre o facto do rapaz da foto ter sofrido bullying por parte da SIC no programa dos Ídolos. Já todos devem saber a história mas resumindo: ele não cantava um chavo, tem umas orelhas proeminentes e a SIC achou de bom tom meter-lhe umas ainda maiores. O miúdo diz que ficou traumatizado e humilhado, tendo-se isolado em casa durante 4 dias sem ir às aulas e que a vida dele se tornou um inferno. O ponto positivo é que mesmo no calor do inferno ele tem dois abanos para se refrescar.

A avó prepara-se agora para entrar com um processo judicial em busca da indemnização que fará com que tudo fique bem, porque toda a gente sabe que é muito mais fácil enxugar lágrimas de humilhação com notas de 500 euros. Afirmou numa entrevista que vai deixar de pagar a casa para ter dinheiro para contratar um advogado. Sim senhora, muito consciente, nada melhor que deixarem de gozar com o rapaz do que torná-lo um sem abrigo.

A avó não está preocupada em perder a casa porque sabe pode ir morar para debaixo das orelhas do neto.

Se ela ganha o processo e isto pega moda a SIC vai à falência, já que vai ter que pagar a todos os cromos que foram gozados pelo seu aspecto ou até pelos seus trejeitos efeminados... estou certo que estão todos lembrados do célebre "Tá forte, tá", de quem não me lembro de alguém ter ficado chocado com o gozo muito maior de que foi alvo. É engraçado que as pessoas ficam escandalizadas apenas quando se goza com algumas coisas e outras não. Gozar com alguém ser muito alto, magro ou ter vozinha de pífaro estragado tudo bem, agora gozar com quem é gordo, baixo ou ter orelhas grandes, isso já não se pode porque parece que é bullying. Se calhar até é.

Não acho que a SIC tenha estado bem, antes pelo contrário, acho que era escusado e se fosse eu a mandar, aquilo não teria ido para o ar. Mas também não me choca assim tanto, para mim o pior veio depois, em que todos os órgãos de comunicação social decidiram fazer disto notícia, usando a foto do rapaz com orelhas grandes sem sequer lhe desfocarem o rosto, piorando assim todo este caso e dando-lhe uma proporção que não merecia. Se ele já era gozado na escola, imagino o quão pior ficou depois de todos os jornais terem espremido ainda mais o sangue de que se alimentam. A SIC esteve mal, os media no geral também, mas ainda assim o verdadeiro bullying veio dos pais dele, da avó ou de quem quer que foi que o incentivou a participar num programa para o qual ele não tem talento e onde mais do que eleger talentos, existe para encontrar cromos. Sempre assim foi e por alguma razão é que as audições têm sempre mais audiência que as galas. Aqueles que lhe disseram "Cantas muito bem meu filho, pareces um rouxinol" é que são os verdadeiros responsáveis.

Esses e todos aqueles pais que se convencem e convencem os filhos que eles cantam bem, só para os ver na TV. Parece que ter 5 minutos de fama orgulha mais pais do que ter boas notas na escola.

Esses pais que não tem olhos nem, ironicamente, ouvidos na cabeça é que são os culpados de tantos que lá foram e saíram em lágrimas quando ouviram o júri a dizer que cantavam pior que um castor com hemorróidas. Esses pais que assinaram papéis a dizer que cediam os totais direitos de imagem dos seus mais que tudo, para que fizessem deles estrelas ou cromos, para que gozassem com eles, os tratassem mal e lhes destruíssem o sonho de ser aquilo que nunca seria possível serem. Esses pais, que querem ter filhos famosos para meter inveja aos vizinhos e aos outros progenitores nas reuniões de associações de pais. Esses é que são os verdadeiros bullies. Sim, é bonito ver pais a alimentar os sonhos das crianças, ensiná-los que é bom sonhar com o impossível, até mesmo deixar que eles caiam, se magoem e que aprendam a levantar-se, mas deixar e provavelmente incentivar um rapaz de 17 anos, que até o Beethoven em fim de vida percebia que ele não canta absolutamente nada, a ir a um programa de "música" como os Ídolos é só sádico e negligente. É giro para quem vê, sim porque quase toda a gente que ficou escandalizada soltou um risinho também ele sádico na altura. Sim, porque ao contrário do que muita gente pensa, rirmo-nos de algo não significa que não tenhamos empatia pelas dores dos outros.

Todo este alarido só faz com que o rapaz ainda sinta mais que tem realmente um defeito, ou dois neste caso. Ele precisa de pensar que o José Rodrigues dos Santos, o Messi e o Michael Phelps também têm as orelhas grandes e ar de xoninhas e não foi por aí que não chegaram longe na vida. A avó diz que já lhe falaram sobre uma operação para reduzir o tamanho das orelhas e que ele se mostrou receptivo. Mas esta gente come feijoadas pelas orelhas ou quê? O miúdo tem 17 anos, se é para cortar mais vale daqui a uns tempos, pois é bem possível que aquilo ainda cresça mais uns centímetros. Pelo menos a mim houve algumas coisas que ainda cresceram até aos 20. Dizer-lhe que precisa de ser operado é só criar-lhe ainda mais complexos com algo que não faz sentido. Infelizmente, aposto que o rapaz é mais gozado por ter uma vozinha de xoninhas e efeminada do que pelas orelhas. Não digo que esteja bem, mas aposto que depois de se operar a diferença vai ser passar de ter a alcunha de Dumbo Maricas para ser só o Maricas. Mais uma vez e porque há gente que não percebe à primeira, reafirmo que acho mal que assim seja mas todos sabemos que as crianças são cruéis, o que nem sempre é mau como eu já aqui escrevi há uns tempos, sem bullying éramos todos xoninhas.

Melhor que ser operado é dar as orelhas às balas e ser o primeiro a brincar com o facto de parecer o Dumbo. Nada melhor que ir à escola com umas orelhas postiças de 2 metros de envergadura e ostentá-las com orgulho. A quem se vier meter com ele na mesma, sugiro-lhe estas respostas:
  • "Tenho orelhas grandes que é para a tua mãe se agarrar enquanto lhe estou a chafurdar a pocilga!"
  • "Tenho orelhas grandes e a tua mãe diz que é tudo proporcional"
  • "Tenho orelhas grandes então podes chamar-me Dumbo que é o que a tua mãe me chama... mas é por causa da tromba".
Se estiveres a ler isto, meu pequeno Topo Gigio, não precisas de agradecer, experimenta e depois diz-me como correu.

Uns dizem que a culpa é do rapaz, que já sabia ao que ia e que agora não tem nada que se queixar. Sim, por um lado é verdade, mas por outro ele é apenas mais uma vítima das promessas de fama e da sociedade fútil em que vivemos. É mais um que compra os sonhos desta "Indústria do Nada", como diria o Valete. Uma indústria efémera e que valoriza mais a imagem do que o talento. Mais a forma do que o conteúdo. Mais o pacote do que o interior. Em muitas das vezes o pacote é mesmo o rabo.
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6 de maio de 2015

Apertos de mãos moles



Como estão? Passaram bem? Nisto estendo-vos o braço, para vos dar um aperto de mão firme, decidido e confiante. Infelizmente nem sempre assim é e há pessoas com um aperto de mão que parece o tentáculo de um polvo, já morto na lota depois de 6 horas ao sol.



Parece que estamos a segurar a carcaça de um moreia morta e flácida, sem sabermos se devemos apertar ou fazer-lhe um raio-x a ver se os ossos estão no sítio. 

Aposto que já todos passaram por esta situação que é especialmente constrangedora em homens. É no aperto de mão, o famoso "passou bem" que muitas vezes marcamos a nossa primeira impressão, especialmente em ambientes mais formais como entrevistas de emprego. Quando conheço alguém que me dá um aperto de mão destes, qual lula gosmenta, perco-lhe um bocadinho o respeito que ainda nem tinha começado a ter. Parto automaticamente do princípio que são xoninhas e que se por acaso fosse preciso andarmos à porrada eu ganharia facilmente. Imagino que ele ao tentar socar-me se iria assemelhar a um pega monstro e que mais rapidamente rasgaria algum tendão do que me faria mossa. Dar um aperto de mão mole é como tentar fazer sexo anal com o pénis apenas meio erecto, a chamada meia-casa. Sim, não aleija mas não faz sentido e é uma falta de respeito para com a outra pessoa.

Não tenho muito mais a dizer sobre apertos de mão moles, era só mesmo para vos alertar e lançar um apelo mundial para que avisem os vossos amigos que sofrem deste problema. Esclareçam-nos que se diz "dar um bacalhau" mas que é dos secos e salgados que estão duros e nunca um bacalhau fresco e mole como outro peixe qualquer. Vamos iniciar o movimento:


"Aperta com força que eu não gosto de lulas"

Conto com todos vós! Já agora, será que fui só eu que durante muitos anos enquanto era criança ouvia o nome "passôbem" e não associava à expressão "Passou bem?" de cumprimento? Se calhar era só eu que era uma criança burra. 

Embora o tentáculo seja de longe o tipo de aperto de mão que mais urge ser abolido, existe também outro desagradável que se situa no espectro oposto: Os Chuck Norris. Aqueles que vos esmagam os corpos das falanges notando-se inclusivamente na expressão facial deles a força que exercem, com os dentes a ranger de tal forma que quase soltam um cocó nas cuecas. São homens que precisam de camuflar as suas inseguranças penianas através de um aperto de mão com força desmedida, mostrando assim que são homens viris e pujantes. Este tipo de apertos de mão faz-me lembrar o que me aconteceu há uns 5 anos quando fui ao Slide & Splash e fracturei o polegar da mão direita no primeiro escorrega que andei. Desequilibrei-me ao sentar e caí sobre o dedo. Fui ao posto médico buscar gelo e apesar do polegar já se assemelhar a um salpicão, em termos de cor e não de cheiro, continuei o dia todo por lá a divertir-me, visto que esta barba rija que possuo não está cá só para enfeitar. Ao fim do dia fui jantar com uns amigos e um deles conhecia o dono do restaurante que nos veio cumprimentar. Claro que tinha que ser um tasqueiro Chuck Norris e me apertou a mão inchada e já roxa com tal força que eu gani por dentro e me vieram as lágrimas aos olhos. Não dei parte fraca obviamente. Relembrar esta história fez-me pensar no que acontece quando os dois tipos de aperto de mão que falei, Tentáculo e Chuck Norris, se encontram no dia-à-dia. Vamos analisar as combinações possíveis.

Tentáculo Vs Chuck Norris
A uma primeira vista este encontro pode ser desvantajoso para o tentáculos, que aparenta ser mais frágil e debilitado, que sucumbirá ao aperto de mão de pitbull do Chuck Norris, sendo-lhe esmagados os dedos na sua totalidade. No entanto, qual suricata contra cascavel, acontece exactamente o oposto. A moleza dengosa do tentáculo actua como defesa e mal o Chuck sente que está a apertar um ser gelatinoso, larga o aperto de mão.

Chuck Norris Vs Chuck Norris
Este encontro é perigoso para ambos e também para todos os que os rodeiam. Um Chuck Norris nunca quer ser o que aperta com menos força e ao encontrar outro macho, embarcam num ritual de testosterona de deixar envergonhado qualquer elefante marinho. As mãos encaixam, apertam-se e eles ficam ali a fazer força, de olhos colados um no outro. Por vezes agarram com a outra mão o antebraço do adversário, tendo assim mais um ponto de contacto para mostrarem a sua valentia. Estes apertos fazem lembrar os combates de poderes entre personagens do Dragon Ball e podem libertar tanta ou mais energia como estes. E demorar mais que um episódio também.

Tentáculo Vs Tentáculos
Este é dos tipos de encontro que mais gosto de imaginar. Dois braços estendidos, com mãos caídas e gelatinosas, tocam uma na outra sem se apertarem. Uma espécie de fist-bump entre polvos. Um "dá cá mais cinco" entre tetraplégicos na segunda aula de fisioterapia.

Sim, eu penso nestas coisas. Para terminar, queria também fazer uma menção honrosa a outros tipos de apertos de mão desagradáveis.

O malandrinho
Este tipo de aperto de mão é uma espécie de arroz malandrinho, demasiado cozido e molhado do suor. Há quem tenha a noção e limpe as mãos às calças antes de cumprimentar alguém, mas ainda assim sentem-se sempre as goticulas sudoríparas a pousarem na nossa mão. 

A santola
A santola é aquele tipo de aperto em que a pessoa vos aperta apenas a ponta dos dedos, usando a sua mão como uma pinça e como se tivesse nojo de nós.

O carteirista
Se há aqueles que apenas nos apertam a ponta dos dedos, há também o oposto onde conseguimos sentir os dedos da pessoa a entrar-nos pelas mangas da camisa e a chegar-nos quase ao bolso de dentro do casaco. A pessoa por norma não tem culpa, mas não conseguimos deixar de nos sentir um pouco violados.

O Mayweather
Muitas vezes este aperto de mão é propositado e utilizado como forma de engate. Um aperto longo e demorado com os olhares quase a faiscarem. No entanto, há muitas pessoas que não têm noção que fazem isto e ficam ali a agarrar a nossa mão enquanto sorriem. E sorriem. E sorriem. Nós para não sermos indelicado sorrimos também, enquanto vamos fazendo alguma pressão para tirar a mão do abraço de palmas que ali se instalou. Quando a outra pessoa finalmente alivia a força, deslizamos a nossa mão numa longa e prolongada festinha nojenta.

Também acabei de dar uma de Mayweather e andar às voltas e abraçar-vos tempo demais já que ia escrever apenas os dois primeiros parágrafos. Se é preciso que retenham algo deste texto é isto:

#ApertaComForçaQueEuNãoGostoDeLulas
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5 de maio de 2015

Sangue gay, o corpo é que paga



Então parece que para ser homem, homossexual e dar sangue, só estando em abstinência há vários meses? Não fossem os casos de pedofilia e quase que parecia um casting para padres. Pumbas, entrada a pé juntos à bruta e ironicamente por trás. A notícia é da semana passada mas só porque sim e, correndo o risco de não acrescentar nada ao debate, também vou opinar.

Primeiro que tudo, acho parvo ter-se tornado esta notícia numa luta dos direitos do homossexuais, quando a meu ver o principal é o direito a viver de quem está a morrer à espera de sangue que não chega. Esses são os verdadeiros lesados e não vi em lado algum essa preocupação como sendo o ponto fulcral da questão. Tal como no debate sobre a adopção gay, o foco não devia ser no direito dos homossexuais mas sim no das crianças. Um homossexual não doa sangue, fica arreliado e vai para casa tomar brunch, enquanto que um doente que não receba sangue, já não vai para casa, morre no hospital. Tenham calma meus ursinhos carinhosos do arco íris, eu estou do vosso lado mas por favor mudem o discurso de "Sinto-me discriminado!" para "Sinto que os doentes estão a ser prejudicados!". Aposto que assim vai ser mais fácil convencer as outras pessoas que esta lei é realmente parva. Já agora vão doar sangue, que a grande maioria dos que estão indignados nunca foi dar sangue e vão agora mais depressa como protesto do que iriam antes para ajudar o próximo.

Eu ao início não quis acreditar que esta lei tivesse como base motivos discriminatórios, tentei racionalizar e pensar que era para bem dos homossexuais, visto já perderem imenso sangue devido às hemorróidas.

Pus-me a pensar e não foi preciso muito para perceber o piquinho de homofobia que esta lei traz no bico. Um bico totalmente hetero, de mulher para homem, claro.

O presidente do Instituto do Sangue diz que não se trata de catalogar como grupo de risco os homossexuais homens pela sua orientação, mas sim pelo seu comportamento. Pouca gente percebeu o que ele quis dizer, achando que se estava a contradizer mas eu passo a explicar: O risco é praticar sexo anal com outros homens e não o gostar de o fazer. Será considerado no mesmo patamar de risco um homem que tenha sido violado analmente na semana passada, do que um que o fez por prazer com um gajo que conheceu na discoteca. Digam lá se a minha explicação não foi boa e quase que por momentos parecia que esta lei não era discriminatória. Embora eu não tenha a certeza se o que está por trás desta lei é a homofobia ou apenas a incompetência. Temo que sejam as duas.

Vocês perguntam "Mas o sangue não é todo testado?". É sim, mas pelo que diz o senhor, há risco de não ser detectado o HIV se o contágio tiver sido recente. O quê?! Então quer dizer que todas as transfusões de sangue são à confiança? Em princípio não é sangue infectado mas vai-se a ver há probabilidade de ter bicho? Não sou médico, mas algo me diz que é possível ter o sangue acondicionado de tal forma a que passado uns meses, seja testado outra vez e já se detecte o HIV, caso seja positivo. Chamem-me má língua, mas acho que ele disse isto só para a população entrar em pânico e concordar com a lei, já que que contrair HIV numa transfusão de sangue não deve ser agradável, que o diga a Leonor Beleza. Mas mesmo que não seja possível eliminar essa incerteza sugiro o seguinte processo. Para os casos menos graves, que podem esperar ou que não necessitam de sangue para escapar à morte, dê-se-lhes o sangue bom, em que há certeza que não está contaminado. Para os outros, os que estão quase a quinar, aqueles que se não lhes for dado uma litrosa de plasma morrem, dêem-lhe o sangue possivelmente estragado, aquele com piquinho a azedo. Mais vale ficar com HIV do que morrer, digo eu. Pelo menos são mais uns anitos com qualidade de vida e com sorte a cura aparece. Como é que ninguém pensa nestas coisas? Obviamente que têm que se informar os riscos ao paciente e fazer-lhe algumas perguntas antes da transfusão:

- Concorda com o casamento gay? - pergunta o médico.
- Não! Casamento entre maricas é pecado! Deviam todos morrer! - diz o senhor Aniceto no leito da morte.
- Ahhhh... que chatice. É que para o senhor Aniceto sobreviver, só temos aqui pacote de sangue mas é maricas. É que nem é um sangue bissexual, é mesmo um sangue bichona, bichona! Até me admiro isto não ser cor de rosa e com purpurinas.
- Mas se eu não receber isso, faleço?
- Sim, lamento imenso.
- Ó homem, venha de lá esse sangue maricas então que eu não quero morrer!
- Ah, sabe o que é? É que agora já não pode ser. Então o senhor não reconhece os direitos dos homossexuais... Eu nem é por mim, mas sabe como é... legislação e burocracias. Vá, feche os olhos deixe-se ir.

O sistema funcionava melhor e até se alargava esta medida ao racismo.

Voltando ao cerne da questão, haverá maior percentagem de casos com HIV em homens homossexuais do que em qualquer outra fatia da população cortada por orientação sexual? Não sei, eles dizem que sim mas mesmo a ser verdade não deixa de ser curioso que um homem hetero que tem a mesma parceira há 10 anos possa dar sangue, mesmo que essa parceira seja prostituta. Daquelas da recta da Reboleira que à noite acaba sempre o turno numa orgia com 10 toxicodependentes, enquanto se injectam com a seringa autografada do Magic Johnson. É nesta grande incoerência que reside a discriminação da lei e que pode fazer com que lhes saia o tiro pela culatra, já que agora vai ser um corrupio de gays aos postos de doação de sangue, que chegam lá e mentem, só para contornar o sistema em forma de protesto. Nem duvidem que isso vai acontecer e por um lado é bem feito, porque só demonstra o quão ridícula é a lei. Já estou a ver as entrevistas de despiste:

- Qual é a sua banda favorita? - pergunta a enfermeira.
- Katy Perry... e Iron Maden.
- Hum... e o seu restaurante favorito?
- Ali o Espaço Gourmet... é a seguir! Logo à direita fica a tasca do Manel da Rinchoa. Ui, o que eu adoro comer o entrecosto na brasa sem salada nem nada!
- Ryan Gosling ou Adriana Lima?
- A Adriana Lima veste-se com mais estilo...
- O senhor é homossexual, não é?
- Eu??!?!?! Por amor da santa!!! O que eu gosto de um bom naco de pipi! Não me dá vómitos nem nada!
- A expressão naco de pipi é um bocado gourmet. Confesse lá que é gay.
- Pronto, sou sim senhora. Mas não pratico vai para cima de 1 ano!
- Esteve sempre em abstinência durante esse tempo?
- Não, tenho bebido uns daiquiris.
- Estou a falar em termos de sexo.
- Em termos de sexo sim.
- Consegue provar-me?
- Conseguir consigo mas agora já sabe que sou gay não vale a pena o esforço. Dlhac.

O rapaz dá sangue e pronto, é como se a lei não existisse.

Uma lei que não cumpre o propósito para que foi criada e só serve para rotular pessoas por orientação sexual, é uma lei homofóbica que traz consigo o efeito colateral de estigmatizar ainda mais.

Sim, se fosse cumprida nem o Freddie Mercury nem o António Variações poderiam dar sangue, o que leva muita gente a aplaudir esta medida, dizendo que não quer receber sangue de homossexuais porque provavelmente têm SIDA. Mas sinceramente, não sei se não preferia ter a honra de ser salvo com sangue de um deles, mesmo que infectado, do que com sangue limpinho de um dos que pensa isso. É que provavelmente o HIV vai ter cura daqui a 15 anos, enquanto que para a estupidez e a homofobia nunca vai haver uma vacina.
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4 de maio de 2015

Vida louca, brincar com o pinipom e pedir em namoro



Espero que o fim de semana tenha sido agradável, até porque a semana será certamente pior. Vamos a mais uma rubrica "Doutor G explica como se faz", o melhor consultório sentimental e sexual feito directamente da Buraca e por alguém sem habilitações para tal.


Caro Doutor G, tenho um amigo que não pode ver uma mulher que fica logo de pau feito e como deve imaginar é um bocado vergonhoso para nós. E agora que a queima das fitas esta a chegar tememos que nos possamos envolver em confusões devido a sua dificuldade em se conter. Sendo que qualquer pedaço de carne, bem recheado ou não já lhe serve, não diferenciando de solteiras, comprometidas, gordas ou magras.
Vasco, 25, Santarém 

Doutor G: Caro Vasco e a pergunta? Era só para contares a tua história ao mundo ou era suposto perguntares se eu tenho alguma sugestão? Vou partir do princípio que era a segunda. Peçam-lhe para colar com fita adesiva (daquela preta) o trombinhas à coxa durante 1 semana. Sempre que ele tiver uma erecção vai sentir uma dor acutilante, fazendo com que fique treinado para tal não acontecer. Uma espécie de pénis de Pavlov. Outra opção é contratarem um travesti para se colocar de costas para ele. Ele ao vê-lo vai ficar erecto, mas mal a Nádia Diamonds se vire e ele veja que é um homem, o sentimento de vergonha e culpa vai ser tal que é como se ficasse castrado quimicamente para o resto da vida.


Olá Dr. G! Vou direta ao assunto: tenho um amigo que está interessado em ter "festa" comigo mesmo estando numa relação aberta com a namorada. Está-me sempre a perguntar quando é que vamos ter "festa". O problema aqui é que não me está a apetecer visto eu própria não sou assim e mesmo que seja relação aberta acho estranho... Sei que no final a decisão é minha mas qual é a sua opinião?
M, 25, Lisboa

Doutor G: Cara M, se tu dizes que não te está a apetecer, qual é a dúvida? Das duas uma, ou és bipolar ou estás-te a armar sonsa. Um conselho, quando um rapaz diz a outra que tem uma relação aberta com a namorada, 99% das vezes é treta.


Caro Doutor, recentemente encontrei uma rapariga que gosta muito de mim, tanto gosta que para aí depois de estarmos juntos uma vez, quis partir logo para assuntos mais sérios. Ora bem, o problema é que só a vejo como uma docking station, somos amigos, falamos, mas ela quer-me exigir mais do que aquilo que deve, no entanto o desejo e vontade de andarmos todos pelados a jogar às escondidas, no escuro, debaixo dos lençóis é grande e por vezes acontece para matarmos o tempo, enquanto se espera pela hora de jantar, ou quando combinamos um café e não nos apetece despedir logo assim sem mais nem menos. Não estou preparado para assumir uma relação, mas este tipo de sentimento acontece-me por uma ou outra rapariga, sem nunca no entanto progredir para um sentimento que se diga de amor para viver no dia-a-dia. Acha que isto é um problema? Será que estou a sofrer do síndroma do banco de suplentes por não ter uma jogadora titular indiscutível?
Oscar Montanellas, 29, Visconde d'Elvas

Doutor G: Caro Oscar, como já disse várias vezes o que importa é a honestidade. Desde que ela saiba que apenas queres festa rija no leito e nada de namoros sérios e mesmo assim ela também queira, não há problema. É tudo uma questão de gerir as expectativas do cliente. O que acontece a quem tem o síndroma do banco de suplentes é que quando aparecer uma que tu queiras colocar a titular, o Karma vai-te lixar e fazer com que ela queira mudar de equipa. O Karma pode inclusivamente ser o nome do colega Moçambicano dela.


Doutor G, sempre pensei que quando fosse para a Universidade ia ser a loucura, isto é, ia curtir a vida com cada rapaz que achasse piada. A verdade é que (pensava eu) encontrei o amor, ou ele a mim, e namorei no meu 1º ano de faculdade. Agora que acabou, pensava que ia voltar á "vida loca" que imaginei, mas descobri que, na verdade, não sei o que fazer para isso acontecer. Ok, não faltam candidatos sempre que saio, mas a verdade é que nenhum me agrada o suficiente. Além disso, tenho receio de ficar com um historial de conquistadora (se é que me entende). O que hei-de de fazer?
Melissa, 19, Guimarães

Doutor G: Cara Melissa, mal utilizaste a expressão "vida loca" lembrei-me da Fanny e bolsei um bocadinho na boca. Agora estou com azia, acho que devias ter mais cuidado com o que dizes. De resto, não tenho muito a dizer, se não aparece nenhum candidato que te agrade mais vale estar quieta ou beber para baixar os padrões. Quanto mais tempo passar em que não molhas o bico, salvo seja, esses padrões vão também descer e tornar a escolha mais fácil. Em relação à fama de conquistadora, não te preocupes com isso, não estamos em 1950 nem na Arábia Saudita, as mulheres têm tanto direito como os homens de andar no rodízio. Desde que não vás para a TV dizer que foste para a cama com mais de 200 gajos, que aí sim, serias umas porca. Haveria quem te chamasse revolucionária mas não, só o serias se os 200 homens fossem deputados e lhes tivesses pegado SIDA. Aí sim, eras uma Che Guevara do chavascal! Hasta la fornicación siempre!


Olá Doutor G, para além do meu namorado não ser grande espingarda no que toca à ''caça do gambozino'' decidiu que seria normal pedir-me em namoro à uns tempos especificamente no ato com barulhos estranhos pavorosos. Se antes já só se passava algo para o satisfazer a ele ( pois a minha vontade começa a ser pouca)...agora cada vez que tentamos desato a rir que nem uma louca. Estarei a ser exagerada? Será isto normal?
Olga, 19, Lisboa

Doutor G: Cara Olga, troca de namorado. O sexo não é tudo numa relação mas quando não é bom a relação não funciona. Ter um homem que te faça rir também é importante, mas nunca quando estão prestes a andarem à bulha todos nus. Quem é que no seu perfeito juízo acha que pedir em namoro durante o acto com barulhos é adequado? Imagina que quando te pedir em casamento traz uma banda filarmónica, dois malabaristas e um anão transformista a cantar Celine Dion, enquanto te sodomiza por trás? Não digo que não seja romântico, mas incomoda os vizinhos.


Boas Dr. G, vou tentar espremer a minha situação da melhor maneira. No ano passado perdi a virgindade com um rapaz (mais velho) e que nada tínhamos para além de amizade, mas a tensão, atracção e desejo sexual sobrepunham-se e lá nos envolvemos (sendo que ele traiu a namorada dele comigo). Tal aconteceu mais umas vezes mas com muitos intervalos de tempo e eu desenvolvendo sentimentos por ele... Recentemente ele terminou o seu relacionamento e, na sua 'solitude', virou-se novamente para mim depois de eu ter já partido para outra, e, apesar de não me encontrar numa relação (ainda ando numa de apalpar terreno), sinto que voltar a envolver-me com o meu "primeiro" será como uma traição, que não estou disposta a ceder, para além de que tenho receio que se reacendam as sequelas. Porém, a chama parece continuar a fervilhar e a actual pessoa com quem "estou" já me envolveu em chatices com a ex-namorada dele e ainda ando a reconquistar confiança e de pé atrás, se valerá a pena... Devo ir pelo caminho do prazer ou da "honestidade"?
Anónima, 19, Porto

Doutor G: Cara Anónima, nunca se deve voltar a um local onde já fomos felizes, diz o ditado. Se dizes que não namoras, não percebo o que queres dizer com caminho da honestidade. Dizes que tens a confiança abalada em relação ao rapaz com quem andas, no entanto nas costas dele andas a pensar em saltar para cima de outro. Juntem-se todos numa bela e honesta orgia. 


Boas, Dr. G, durante muito tempo (muito tempo mesmo) gostei de um rapaz mas ele tinha namorada e, mesmo não querendo, acabei por o esquecer (até pk dps arranjei outras pessoas).... Dps eles acabaram e nós voltámos a falar (mas apenas como amigos); entretanto já me sentia muito próxima do tal rapaz e ele acabou por também sentir o mesmo pk começámos a namorar; mas o namoro durou apenas 3 semanas e acabou por causa de uma brincadeira (na minha opinião de mau gosto) que ele teve.... Para mim a brincadeira não teve piada nenhuma e foi o que fez não só que acabássemos mas que discutíssemos muito na última semana.... Ele diz que passávamos a vida a discutir e que para ele isso não dava, mas na minha opinião, sem ser de facto na última semana, nós não discutíamos muito.... Já acabámos há quase dois meses mas a realidade é que não consigo mesmo deixar de pensar nele; o pior é que sei que ele já me esqueceu e até desconfio que já ande a falar com outra; e agora o que faço??
BGN, 17, Lisboa

Doutor G: Cara BGN, tanto drama por causa de um namoro de 3 semanas? Dizes que não passavam o tempo a discutir a não ser na última semana, ou seja passaram 1/3 do namoro a discutir, o que para mim é bastante. Sem saber qual foi a brincadeira, não posso opinar em conformidade. Se ele só andar a falar com outra já não é mau, mas se gostas mesmo dele diz-lhe "Coisinho, vamos na loucura namorar mais 3 semanas a ver no que dá? Não te ponhas é com brincadeiras de mau gosto, caso contrário também faço uma brincadeira que passa por espalhar o "boato" na escola que tens um micro pénis". Quando disseres a palavra "boato" usa mesmo o gesto de aspas, só para ele ficar na dúvida.


Ola Dr. G, como vai? A situação é a seguinte, eu nunca fui uma pessoa confiante no que toca a pedir nº e falar com raparigas que gostaria de conhecer, tanto no fb como na rua, mas um vez ou outra lá arranjo coragem para falar com alguma. Essas poucas com que falo são sempre interessantes e amáveis, dão a entender que me querem conhecer e que talvez possa haver alguma coisa, mas passado um tempo acabo por me aperceber que não bem assim, elas arranjam namorado ou começam a deixar de falar. Com todas estas raparigas, as que são poucas, a conversa costuma durar alguns meses, com uma delas cheguei a falar quase todos os dias. O que é certo é que nunca tenho sorte e acabo por ficar sempre a olhar para o ar. O problema é que elas pensam que um gajo vai falar com elas só porque quer ser amigo, quando na verdade o queremos é ver se ela é a tal com se que deva acasalar e mostrar o ninho do amor. Considero-me bonito, não um modelo de beleza, mas o necessário para que gostem de mim. Sou um rapaz engraçado em todas as situações do dia-a-dia e não sou do tipo que anda pelas noites a jafurdar nas discotecas armado em Zezé Camarinha. Eu gostaria que o Dr. me ajudasse, o que acha que deva fazer? Mandar me de cabeça as raparigas que me parecem interessante? (Não literalmente, visto que não sou nenhum búfalo para andar as cornadas para mostrar quem manda). Deverei ser mais serio no meu dia-a-dia? Deverei eu chegar a um ponto da conversa em que digo a minha verdadeira intensão? Espero que me possa ajudar, ou por compaixão, aceito uma garrafa de whisky para afogar as mágoas, ou entrar em coma alcoólico quem sabe.
Gabriel, 19, Porto

Doutor G: Caro Gabriel, obviamente que ficas a chuchar no dedo. Então passas meses na conversa sem tomar a iniciativa para mais? Claro que elas arranjam outro que lhes dê conversa à bruta. Mais de 1 mês de conversa diária e passas a amigo confidente, em vez de a potencial macho procriador. É a lei da selva e só se safam os mais fortes, que neste caso são os que tomam a iniciativa. Se elas falam contigo e aceitam o teu primeiro passo é porque te estão a dar abertura para mais tarde te darem a outra abertura. Sou um bardajão eu sei, mas o que é certo é que se passas 3 meses e não sais da conversa, há outro que vai preencher o lugar que podia ser teu. Sim, é outra metáfora porca. Convida-as para ir a qualquer lado, saiam da frente do PC e mamem-se da boca caraças! Em relação a seres mais sério no dia à dia, depende, é preciso dosear já que se estiveres constantemente a dizer "Quero-te comer! Ha ha ha, estava a brincar!", elas vão ficar confusas e não perceber se estás mesmo interessado ou és só um brincalhão. As intenções não se dizem em conversa, vais insinuando mas mostrar é com actos, mas nada de violações.


Olá Senhor Doutor G, esta história é verídica e aconteceu com uma amiga. Somos quatro raparigas (entre os 21 e os 25 anos) e nenhuma tem currículo suficiente para perceber a anormalidade da coisa. Somos meninas de respeito, mas estas situações são sempre caricatas e torna-se motivo de conversa e chacota capaz de durar três dias. (qual festa cigana).

Aqui vai: Certo dia, apresentei a minha amiga a outro amigo. Eles acharam piada um ao outro, tomaram um café ele levou-a casa a e ficaram pelo carro. Depois de um longo beijo, ela repara que ele SACOU-A LITERALMENTE PARA FORA. (Nota: Ela não lhe tocou, apenas foi um beijo). Olhando para o pequeno Pinipom ela disse que já não tinha idade para brincar com bonecos e que, portanto, não ia acontecer nada (como disse, somos meninas de respeito). Ele aborrecido, e como queria brincadeira, não faz mais nada e pega-lhe na mão, várias vezes, com o intuito de perceber se ela era capaz de pôr mudanças. Não foi. É menina que não conduz carros alheios assim com duas de treta. Ele, desesperado, agarrou no Pinipom e brincou sozinho (qual filho único). (SIM, SÓ ESTAVAM AOS BEIJOS).

Diga-me, Senhor Doutor G, isto é normal? Corremos o risco de passar pelo mesmo? Isto não é chato por causa das constipações? As mães não ensinam aos filhos que não a devem mostrar a qualquer uma sem mais nem quê? Que ela deve ficar quentinha, protegida e embalada em vácuo? Sabemos que são várias dúvidas, mas são realmente importantes nas nossas vidas. O público feminino agradece.
Sara, 22, Lisboa

Doutor G: Cara Sara, os homens são uns porcos, disso já todas deviam estar cientes. Também se pode dar o caso de serem as mulheres que são demasiado sensíveis, já que se fosse ao contrário e fosse uma mulher que levantasse a saia e começasse a tocar à campainha de satã, nenhum homem ficaria ofendido, muito antes pelo contrário. No entanto compreendo que seja de mau tom. Uma solução para esses casos é olharem para o rapaz e seu fiel amigo e dizerem "Olha, um pinipom!", como tu própria lhe chamaste. Quase que aposto que ele o vai meter de novo nas calças, com o ego ferido. Também se pode dar o caso de a tua amiga ter ar safadão e dar beijos como quem quer levar com ele já ali e tenha assim induzido em erro o rapaz. Ela que considere toda a situação como um elogio.



Está feito. Tentem abreviar as questões por favor, mas não deixem de partilhar e enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com.


Até lá, façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.

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