6 de maio de 2015

Apertos de mãos moles



Como estão? Passaram bem? Nisto estendo-vos o braço, para vos dar um aperto de mão firme, decidido e confiante. Infelizmente nem sempre assim é e há pessoas com um aperto de mão que parece o tentáculo de um polvo, já morto na lota depois de 6 horas ao sol.



Parece que estamos a segurar a carcaça de um moreia morta e flácida, sem sabermos se devemos apertar ou fazer-lhe um raio-x a ver se os ossos estão no sítio. 

Aposto que já todos passaram por esta situação que é especialmente constrangedora em homens. É no aperto de mão, o famoso "passou bem" que muitas vezes marcamos a nossa primeira impressão, especialmente em ambientes mais formais como entrevistas de emprego. Quando conheço alguém que me dá um aperto de mão destes, qual lula gosmenta, perco-lhe um bocadinho o respeito que ainda nem tinha começado a ter. Parto automaticamente do princípio que são xoninhas e que se por acaso fosse preciso andarmos à porrada eu ganharia facilmente. Imagino que ele ao tentar socar-me se iria assemelhar a um pega monstro e que mais rapidamente rasgaria algum tendão do que me faria mossa. Dar um aperto de mão mole é como tentar fazer sexo anal com o pénis apenas meio erecto, a chamada meia-casa. Sim, não aleija mas não faz sentido e é uma falta de respeito para com a outra pessoa.

Não tenho muito mais a dizer sobre apertos de mão moles, era só mesmo para vos alertar e lançar um apelo mundial para que avisem os vossos amigos que sofrem deste problema. Esclareçam-nos que se diz "dar um bacalhau" mas que é dos secos e salgados que estão duros e nunca um bacalhau fresco e mole como outro peixe qualquer. Vamos iniciar o movimento:


"Aperta com força que eu não gosto de lulas"

Conto com todos vós! Já agora, será que fui só eu que durante muitos anos enquanto era criança ouvia o nome "passôbem" e não associava à expressão "Passou bem?" de cumprimento? Se calhar era só eu que era uma criança burra. 

Embora o tentáculo seja de longe o tipo de aperto de mão que mais urge ser abolido, existe também outro desagradável que se situa no espectro oposto: Os Chuck Norris. Aqueles que vos esmagam os corpos das falanges notando-se inclusivamente na expressão facial deles a força que exercem, com os dentes a ranger de tal forma que quase soltam um cocó nas cuecas. São homens que precisam de camuflar as suas inseguranças penianas através de um aperto de mão com força desmedida, mostrando assim que são homens viris e pujantes. Este tipo de apertos de mão faz-me lembrar o que me aconteceu há uns 5 anos quando fui ao Slide & Splash e fracturei o polegar da mão direita no primeiro escorrega que andei. Desequilibrei-me ao sentar e caí sobre o dedo. Fui ao posto médico buscar gelo e apesar do polegar já se assemelhar a um salpicão, em termos de cor e não de cheiro, continuei o dia todo por lá a divertir-me, visto que esta barba rija que possuo não está cá só para enfeitar. Ao fim do dia fui jantar com uns amigos e um deles conhecia o dono do restaurante que nos veio cumprimentar. Claro que tinha que ser um tasqueiro Chuck Norris e me apertou a mão inchada e já roxa com tal força que eu gani por dentro e me vieram as lágrimas aos olhos. Não dei parte fraca obviamente. Relembrar esta história fez-me pensar no que acontece quando os dois tipos de aperto de mão que falei, Tentáculo e Chuck Norris, se encontram no dia-à-dia. Vamos analisar as combinações possíveis.

Tentáculo Vs Chuck Norris
A uma primeira vista este encontro pode ser desvantajoso para o tentáculos, que aparenta ser mais frágil e debilitado, que sucumbirá ao aperto de mão de pitbull do Chuck Norris, sendo-lhe esmagados os dedos na sua totalidade. No entanto, qual suricata contra cascavel, acontece exactamente o oposto. A moleza dengosa do tentáculo actua como defesa e mal o Chuck sente que está a apertar um ser gelatinoso, larga o aperto de mão.

Chuck Norris Vs Chuck Norris
Este encontro é perigoso para ambos e também para todos os que os rodeiam. Um Chuck Norris nunca quer ser o que aperta com menos força e ao encontrar outro macho, embarcam num ritual de testosterona de deixar envergonhado qualquer elefante marinho. As mãos encaixam, apertam-se e eles ficam ali a fazer força, de olhos colados um no outro. Por vezes agarram com a outra mão o antebraço do adversário, tendo assim mais um ponto de contacto para mostrarem a sua valentia. Estes apertos fazem lembrar os combates de poderes entre personagens do Dragon Ball e podem libertar tanta ou mais energia como estes. E demorar mais que um episódio também.

Tentáculo Vs Tentáculos
Este é dos tipos de encontro que mais gosto de imaginar. Dois braços estendidos, com mãos caídas e gelatinosas, tocam uma na outra sem se apertarem. Uma espécie de fist-bump entre polvos. Um "dá cá mais cinco" entre tetraplégicos na segunda aula de fisioterapia.

Sim, eu penso nestas coisas. Para terminar, queria também fazer uma menção honrosa a outros tipos de apertos de mão desagradáveis.

O malandrinho
Este tipo de aperto de mão é uma espécie de arroz malandrinho, demasiado cozido e molhado do suor. Há quem tenha a noção e limpe as mãos às calças antes de cumprimentar alguém, mas ainda assim sentem-se sempre as goticulas sudoríparas a pousarem na nossa mão. 

A santola
A santola é aquele tipo de aperto em que a pessoa vos aperta apenas a ponta dos dedos, usando a sua mão como uma pinça e como se tivesse nojo de nós.

O carteirista
Se há aqueles que apenas nos apertam a ponta dos dedos, há também o oposto onde conseguimos sentir os dedos da pessoa a entrar-nos pelas mangas da camisa e a chegar-nos quase ao bolso de dentro do casaco. A pessoa por norma não tem culpa, mas não conseguimos deixar de nos sentir um pouco violados.

O Mayweather
Muitas vezes este aperto de mão é propositado e utilizado como forma de engate. Um aperto longo e demorado com os olhares quase a faiscarem. No entanto, há muitas pessoas que não têm noção que fazem isto e ficam ali a agarrar a nossa mão enquanto sorriem. E sorriem. E sorriem. Nós para não sermos indelicado sorrimos também, enquanto vamos fazendo alguma pressão para tirar a mão do abraço de palmas que ali se instalou. Quando a outra pessoa finalmente alivia a força, deslizamos a nossa mão numa longa e prolongada festinha nojenta.

Também acabei de dar uma de Mayweather e andar às voltas e abraçar-vos tempo demais já que ia escrever apenas os dois primeiros parágrafos. Se é preciso que retenham algo deste texto é isto:

#ApertaComForçaQueEuNãoGostoDeLulas





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