19 de maio de 2015

Xoninhas, rodízio de erasmus e acordo ortográfico



Então parece que o Doutor G passou mesmo para terça-feira e não fui eu que escolhi, ora reparem nos resultados das votações, só para verem que eu sou muito democrático e essas cenas todas.


Como a maioria de vós nem sabe às quantas anda, vamos lá então dar início a mais uma rubrica "Doutor G explica como se faz". Peço desde já desculpas às 56 pessoas que votaram na primeira hipótese, mas isto das ditaduras das massas é assim.


Dr. G estou muito preocupada com a vinda do novo acordo ortográfico. Receio que com isto como a palavra ação deixa de ter o "c" isso vá perturbar o modo de funcionarem as coisas debaixo dos lençóis com o meu companheiro, será que devo-me preocupar? E não é só, o meu amante chama-se Victor por isso não sei se com este novo acordo ortográfico ele vai ter que mudar o nome para Vitor, já viu o problema que é se ele se enganar a escrever? E se ele mantiver o "c" no nome continuando assim Victor, não será uma nova forma de vir a sofrer bullying? Exemplo, ele vai passar a vida a ouvir "ahah tu tens "c" no nome não és  normal...ahah". Ajude-me Dr. não sei como ajudá-lo.

Rita, 17, Setúbal

Doutor G: Cara Rita, o acordo ortográfico são como as boas maneiras na cama, só adopta quem quer a não ser que trabalhe na área. Em relação ao amante, penso que não haverá problema, já que mesmo que o nome dele fique sem "c" seria muito pior se fosse ele a ficar sem ele. Isto foi uma alusão à expressão anglo saxônica "She wants the D". Agora é fazer uma regra de três simples e perceber se D está para Dick, C estará para...?


Sr. Dr.G, eu sou um xoninhas, por isso peço-lhe ajuda. Por vezes trabalho num restaurante da minha localidade, e foi ai que vi uma rapariga que me chamou a atenção. Já a apanhei a olhar para mim umas 2 ou 3 vezes, mas não sei se era por ela ter também algum interesse ou se é apenas da minha cabeça. Gostava de a conhecer, mas sempre que a encontro está com os seus familiares, e não me parece que, enquanto sirvo a sobremesa, seja a melhor altura para lhe pedir o número, e ainda por cima em frente ao pai dela. Ao problema de não saber como estabelecer contacto junto o de nunca ter beijado ninguém, o que é óptimo pois ainda não ganhei herpes.
Um xoninhas, 17 anos e 5/6, Lisboa

Doutor G: Caro xoninhas, compreendo que seja uma situação complicada, no entanto tenho uma táctica infalível para ti que tem duas abordagens distintas, embora ambas utilizem o recurso a laxante. Ou dás uma dose de laxante a todos os membros da família excepto a rapariga e quando eles forem a correr ao WC tens o teu tão esperado momento a sós. A segunda hipótese, bem mais arriscada mas também mais romântica, é dar-lhe o laxante a ela. Previamente retiras todo o papel higiénico das casas de banho e assim que ela for a passo apressado aos lavabos e se sentar numa retrete, tu apareces qual cavaleiro alado e passas-lhe um rolo por debaixo da porta, com o teu número escrito. Se ela optar por guardar o teu número em vez de se limpar, é porque é amor.


Prezado Dr. G., desde que terminei um relacionamento duradouro, há 2 anos, tenho tido alguns problemas de confiança para voltar à caça. Acontece que, desde Fevereiro, estou a fazer Erasmus e é como se estivera faminto e, de um momento para o outro, o famigerado Ambrosio dos anúncios da Ferrero rocher me tivesse presenteado com um banquete requintadamente abastado de vagina do velho continente. A partir daqui, ganhei o gostinho ao hobby de saltimbanco, brindado com o facto de me sentir um macho latino flamejante, no topo da sua forma e confiança. Posto isto, o Dr. pensa que será difícil abdicar do mundano prazer de esbarrar o corpanzil em lombo alheio em prol de relações mais estáveis?  É um apelo humilde que lhe faço. Um forte abraço e longa vida a si e aos seus projectos!
Marcelo, 23, Figueira da Foz

Doutor G: Caro Marcelo, primeiro que tudo um muito obrigado por essa dúvida cheia de erudição chavasca. A questão aqui é simples: preferias ir todos os dias a um rodízio de carnes, onde eras atendido em quantidade e não qualidade, com carnes requentadas do almoço e com um serviço sem qualquer tipo de personalização para ti? Ou preferias ir todos os dias a um restaurante onde o chefe já te conhece e sabe exactamente aquilo que gostas, qual a quantidade de sal e pimenta para deixar a comida ao teu gosto, sabe o teu histórico e que pratos têm mais potencial para serem repetidos e/ou inovados, com um atendimento completamente personalizado e onde até podes dar uma ajuda na cozinha? Claro que era o rodízio, eu sei.


Grande Doutor G, conheço uma miúda que é 5 estrelas, ela é um ano mais nova que eu, simpática e já não é tímida (já foi, mas isso passou) e parece-me que também tem um fraquinho por mim. O único problema é que pessoas que a conhecem bem dizem que ela é ciumenta... eu detesto cenas de ciumes. Nem dou razoes para ter ciumes. Eu queria mesmo que resultasse com ela. Pergunta: Quais as melhores maneiras para fazer a miúda ter mais confiança em mim? 
Manuel , 20,  Aveiro

Doutor G: Caro Manuel, há tantas mulheres neste mundo, para quê iniciares algo com uma que já sabes à partida que é ciumenta? O meu conselho é nem pensares nisso e partires para outra. Mas se tiver mesmo que ser, uma das formas mais eficazes para tornar uma mulher menos ciumenta é tornares-te um banana que faz tudo o que ela manda e diz. Resulta que é um mimo. Se isso for uma hipótese que queres descartar, podes sempre tentar perceber a raiz dos ciúmes e inseguranças dela, mas aviso já que vais encontrar um emaranhado de fios que dificilmente conseguirás desentrelaçar.


Boa tarde Dr., namorei uns meses com uma garina 5 estrelas, fizemos muita coisa juntos, fomos felizes, muita brincadeira, mas a distância era incomportável (não me venha com aquela coisa que o amor vence tudo porque só estávamos juntos um dia por semana, umas horas vá! E isso é impossível, era preciso muito mais!) e agora terminou e terminou de uma forma menos boa, mas não o quero maçar com isso, até porque não é uma psicóloga jeitosa com umas amigas do peito onde eu pudesse chorar e desabafar. Eu nunca fui um garanhão, melhor nunca o quis ser porque sou um coraçãozinho mole e não um coraçãozinho de satã (ainda bem, porque seria verde e feio, contudo, carismático...) e sou um eterno apaixonado (estou sensível, é normal...) e não gosto de tratar as mulheres como objetos de uma só noite, a não ser que ela queria algo sem compromisso, mas isso só me aconteceu uma vez e foi a única vez em que tive uma One Night Stand. Dê-me a sua opinião... O que é que eu faço agora? Dê-me várias opções. Ilumine-me o caminho mestre!

Ps- Se isto importa: vou para a faculdade em setembro.
Anónimo, 18, Massamá

Doutor G: Caro anónimo, primeiro que tudo já ninguém diz garina, a não ser que seja taxista em Portimão e mesmo assim só é aceitável dos 60 para cima. Posto isto, não percebi qual seria a dúvida... tenho apenas a dizer que nunca me vais ouvir dizer que o amor vence tudo porque isso é realmente treta. Se vais para a faculdade vais conhecer imensas potenciais namoradas e/ou One Night Stands, resta a ti saber o que preferes. Aconselho-te no entanto a aproveitar bem a ternura dos 18 antes de te comprometeres  a longo prazo, isto porque pelas leis das probabilidades, dificilmente a tua próxima namorada séria será a mulher da tua vida. Já agora, cuidado com as praxes também, ir à praia só de braçadeira preta para condizer com o traje.


Doutor G, tenho uma relação perfeita! Dou-me muito bem com a minha parceira, somos completamente apaixonados um pelo outro. Pelo menos, sinto isso! Um dia perguntei-lhe se era capaz de ter um momento sexual a 3, apenas para ver a reacção dela. E ela rapidamente respondeu que talvez SIM. Eu fiquei chocado, não é que não gostasse de ter uma aventura dessas, mas ia prejudicar a nossa relação! Disse-lhe que a nossa relação não voltaria  ser a mesma, ia ser uma relação baseada em sexo, em vez de paixão/amor. Após essa conversa, ela disse-me que eu tinha razão. Que não faria sentido, e que íamos acabar por nos prejudicar. E que de facto ela talvez não suportaria ver-me enrolado com a suposta amiga dela. A minha questão é: será que ela disse que sim apenas por curiosidade relativamente à experiência, ou será que ela não se importa com o facto de eu me envolver com outras pessoas desde que ela esteja envolvida também. Tenho receio que ela dê mais valor ao sexo, do que À nossa relação como casal! :(
VRS, 23, Braga

Doutor G: Caro VRS, a dúvida que colocas é sem dúvida bastante pertinente, no entanto tenho que primeiro perguntar: Mas tu és parvo ou fazes-te, minha grandessíssima besta?!?!?! Bom, já estou mais calmo. Uma oportunidade dessas não se desperdiça, desde que se saiba que não era apenas uma ratoeira para te trilhar as peles escrotais. Uma relação a 3, desde que bem falada, nunca estraga uma relação. Isso é o mesmo que estragar bolo de chocolate com cobertura de chocolate extra. Sim, pode ficar doce demais mas sabe bem. Tens 23 anos, o mais provável é essa relação que tens dar para o torto mais cedo ou mais tarde (estou novamente a basear-me em estatísticas), por isso ao menos quando isso acontecer, sempre podes dizer que brincaste aos médicos, enfermeira e paciente. Se ainda meteres ao barulho uma auxiliar de acção médica para limpar a bodega no fim, melhor. Já agora, uma mulher que dê mais valor ao sexo, desde que contigo, do que à relação em si, é o sonho da maioria dos homens. Talvez afinal até tenhas uma relação perfeita.


Boa tarde doutor G. Eu sou uma pessoa muito envergonhada, mas sou capaz de ter boas conversas, geralmente o mais difícil para mim é começar mas depois até fico mais descansado e a conversa até flui bem. E quando isso acontece várias vezes sinto que devo fazer algo mais, se é que me entendes... Mas fico com tanto receio de fazer alguma coisa, sem saber qual será o método mais acertado que geralmente acabo por não fazer nada,.. Fico arrependido, mas o mais provável é que da próxima vez actue exactamente da mesma maneira, fico mesmo Fo**** com isto mas o nervosismo impede-me sempre de fazer alguma coisa, fico sempre a pensar que irei fazer uma figura de parvo! Sempre que acabei por tentar fiz merda, isto é grave ao ponto de praticamente nunca ter comido nenhuma gaja (conto pelos dedos de uma mão as que já comi!) já tenho 23 anos e só não sou virgem porque já paguei para foder! Eu sou um bocado gordo mas sei que já tive algumas  oportunidades que acabo sempre por desperdiçar, por não ter coragem sequer de tentar! O que devo fazer???
Anónimo, 23, Oleiros 

Doutor G: Caro Anónimo, gosto da forma de como dizes que és envergonhado mas a meio do texto soltas a franga e dizes que já pagaste para foder. É realmente um grande obstáculo saber passar da boa conversa para o coito. É uma transição difícil de fazer sem percalços mas como todas as transições, é necessário tentar várias vezes até atingir a perfeição. Tentar várias vezes significa falhar muitas delas, mas o que interessa é bater punho, num sentido metafórico, caso contrário de nada te adianta neste caso. É sentir se está a rolar clima, não pode ser passar de uma conversa de "Pois e tal, amanhã diz que vai chover" para mão debaixo da saia e língua nas amígdalas. Esse tipo de técnicas só está acessível aos cinturões negros e tu meu caro, que ainda apenas praticaste a arte de andar à bulha todo nu com profissionais remuneradas para tal, ainda és um pequeno cinturão branco que nem dinheiro para o kimono tem, principalmente porque o gastou todo em putas. Por isso começa pelas técnicas mais básicas: conversa está a fluir, há olhares prolongados, ela toca-te várias vezes no braço e ri-se das tuas piadas da treta? Está na hora de beijar. Mais tarde ensino-te a parte de partir tijolos com a cabeça.


E já está. Peço desculpa pelas asneiras mas já sabiam ao que vinham. Reparei que as dúvidas de hoje foram quase exclusivamente masculinas, o que é de estranhar e entristecer. Já agora faço um apelo, está a faltar algum colorido a esta rubrica por isso dúvidas lésbicas e gays são também bem-vindas, que o Doutor G não discrimina e até era giro. Se querem mais não deixem de partilhar e enviar mais dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com.


Até lá, façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.






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