30 de março de 2016

Deve uma mulher fingir orgasmos? E um homem?



Devido a motivos ontem não houve consulta mas hoje cá estamos para compensar com mais uma rubrica "Doutor G explica como se faz". 


Caro Dr. G., namorei com uma rapariga à uns anos atrás, na altura eramos muito diferentes nos gostos e mentalidades (ela era mais nova do que eu uns 5 anos). No entanto tinha sentimentos por ela que nunca tivera por outra miúda. O certo é que ela acabou comigo e em forma de retaliação não descansei enquanto não afundei o barco nos mares da melhor amiga dela. Passou quase um ano sem falarmos, mas quando isso aconteceu, apercebi-me que ela ainda me fazia vibrar. Fomo-nos falando mais vezes, saímos e acabei por dar novas sensações ao colchão dela. O certo é que ela depois veio dizer que foi um erro e deveríamos nos afastar um do outro. Eu levei aquilo como uma vingança pelo que tinha feito anteriormente. Fiquei f%#/%, mas então surge uma outra amiga dela que sempre olhou para mim de uma forma um pouco diferente e acabei por dar um novo inquilino à sua gruta. Passaram-se dois anos e voltamo-nos a encontrar. Ela namora o irmão de um amigo meu, e mais uma vez houve uma reaproximação, e ela até acabou com o namorado e tudo. Mas eu estou desconfiado. Não sei deixo as coisas rolar, pois o mais certo é de ter ir atrás de uma nova amiga dela ou se corto o mal pela raiz. O que fazer, pois ela sempre me fez sentir diferente das outras mulheres com quem estive...
Anónimo, 23, Lisboa

Doutor G: Caro Anónimo, vai para aí uma novela digna de horário nobre da TVI. A resposta ao teu caso é muito simples: essa relação nunca vai dar certo. Ponto. Achas que vais ser feliz nessa relação e que vão recordar as histórias passadas durante um jantar à luz das velas «Lembras-te daquela vez em que foste para a cama com duas amigas minhas? Fogo, foi há quê? 10 anos? O tempo passa a correr.». Não vai acontecer e, se tu gostasses realmente dela não terias sentido a necessidade de te vingares dessa forma. Isso faz quem tem sentimento de posse e não amor. Uma adenda final: ela não foi para a cama contigo para depois se afastar por vingança. Normalmente, as vinganças não são agradáveis. Não estou a ver uma mulher congeminar um plano ao género «Bem, agora é que me vou vingar! Vou deixá-lo comer-me toda por trás, fazer-lhe um épico felácio, e depois dizer-lhe que afinal isto foi só sexo sem compromisso! Ele até se vai passar! Vai ser a melhor vingança de sempre!». O que aconteceu foi que o sexo foi fraco, ou ela tinha outro nessa altura. Provavelmente o teu melhor amigo.

PS: *há uns anos atrás. Não dar erros destes vai ajudar-te a arranjar uma mulher mais interessante.


Ai Dr. G. passa-se o seguinte: eu sou uma coninhas. Pronto. Já disse. Sou uma verdadeira coninhas. O problema reside aqui: sou uma coninhas com uma libido do caraças. Do tipo que parece tímida, é tímida, mas só pensa em levar com ele na maior javardice 90% do tempo. Recentemente, a minha conisse faz-me ter um problema com nada mais nada menos que: anal. Eu quero. Acredite. Eu quero. Muito. Mas cada vez que o meu namorado se vira para a porta dos fundos, um dedinho, dois dedinhos, e acabo por começar a pensar demais naquilo e não consigo levar a coisa avante. Lá está, a veia de coninhas a dar o ar da sua graça. Mas quero. E não tenho medo que doa. Nada disso. A dor não me assiste e se assistir, morde-se qualquer coisa até passar. O que me aflige são as minhas entranhas, Sr. doutor. E se, com aquela sensação de preenchimento pelo túnel acima,  as ditas me traem e o moço acaba coberto em badalhoquice? Ai que morria de vergonha.  
S., 26, Braga

Doutor G: Cara S., já reparaste que a letra "S" tem a mesma pronunciação que "Ass"? Acho bastante pertinente tendo em conta a tua dúvida. Sexo anal é uma espécie de investimento de risco em bancos portugueses: pode correr bem, ou podes ficar com os activos tóxicos. Não é comum acontecer, mas é sempre um risco a considerar o facto da perninha de peru dele poder sair de dentro de ti panada a fezes. Formas de evitar que isso aconteça:

  • Aproveitar os dias em que já defecaste duas vezes e era daquele cocó em que passamos o papel e vem limpo que parece que demos à luz uma lontra ninja bebé que não deixou pistas;
  • Após a penetração, não andar a tirar o cão da pradaria da toca e voltar a pôr;
  • Não fazer na posição em que a mulher fica de cócoras.
Quanto terminarem, antes dele tirar o churro do túnel de chocolate, morde um limão verde que é para te contraíres toda, ajudando assim o esfíncter na tarefa da limpeza. No fim, não limpes o rabo de trás para a frente, porque para além das infecções ninguém quer ter de responder à pergunta «Mãe, de onde vêm os bebés?» com a frase «De Paris, numa cegonha, meu filho. Menos tu. Tu viste do rabo.».


Boas, comecemos com uma analepse. Aos 15 decidi aproveitar a vida e fazer de tudo o que me desse na real gana, comecei a sair, a fumar e outras coisas começadas por F com com um número de pessoas incontável (umas vezes à vez, outras à molhada e não me lembro muito bem de nomes). Fiz de tudo, realizei todas as minhas fantasias e fetishes – desde fisting a cordas – e, entretanto, decidi fazer uma pausa. Sinto alguma necessidade de assentar, de controlar o meu lado animalesco e de me tornar um gajo mais racional. Estando eu a entrar na casa dos 20, começo a pensar na vida e o quão bom seria ter alguém a meu lado. E é aqui que começa o meu drama. Primeiro, tenho medo de estar demasiado carente e de me pegar ao primeiro que me aparecer à frente, depois tenho medo de me cruzar com alguém que tenha a filosofia de vida que eu tinha no passado – o que me faz ser desconfiado – por último, receio ter uma recaída da minha fome de pila. Ainda por cima não há por aí muitos gajos com quem me identifique, inteligentes, cultos e de preferência mulatos. Será que há por aí gajos decentes? Mais grave, as pessoas mudam mesmo e posso confiar em mim próprio ou mais tarde ou mais cedo, o que fui, volta ao de cima?
Twink, 19, Lisboa 

Doutor G: Caro Twink, quando vi o teu nome pensei «Que nome mais gay.» e, vai-se a ver, confere. Acho que fizeste muito bem em aproveitar a vida e andares na javardeira como gente grande e só espero que tenhas usado preservativo. Devo confessar que mesmo com toda a minha abertura, me custa perceber o prazer que advém do fisting anal, seja ele gay ou hetero. Acho que as pessoas alinham nisso porque tem nome estrangeiro e querem ser viajadas. «Olha, queres ir a um brunch no Domingo e depois faço-te um fisting? Vai ser top!» é muito mais apelativo do que dizer «Olha, queres ir tomar o pequeno-almoço ao meio dia e depois enfio-te uma mão inteira no cu? Até lambes os dedos!». Era nojento. Tenham juízo, depois queixam-se que quando chegarem a velhos têm soltura intestinal e que vão ao WC e voltam de lá a dizer «Era para ir fazer xixi, mas afinal fiz cocó sem querer.». Quanto à tua dúvida: sim, há gajos decentes por aí; sim, há mulatos inteligentes e cultos e duvidares disso é um bocado racista; sim, vai apetecer-te voltares à vida de um gordo no rodízio, em que está sempre a pedir ao empregado se pode trazer mais salsicha fresca. Moral da história:

  1. Calma! Tens 19 anos, não tens 43;
  2. Às vezes a pessoa que procuras pode estar mesmo ao teu lado mas sendo que às vezes tens muita gente ao lado e atrás ao mesmo tempo, é estar mais atento;
  3. Não metas mãos inteiras no cu. Depois pareces um coveiro sempre com terra debaixo das unhas só que afinal é pior porque é fezes.

Caro Doutor G, existe esta pessoa do sexo masculino que conheço há cerca de 3 anos, somos da mesma faculdade, temos o mesmo grupo de amigos e sempre nos demos extremamente bem! Sempre o encarei apenas como amigo, nunca senti nenhuma atração, apenas um grande carinho e amizade. Contudo há uns tempos atrás passámos um dia juntos, abraçados, a falar e do nada.. BAM! De um momento para o outro foi como se tivesse uma rave dentro do crânio e as hormonas fossem cocktails para os meus neurónios que, pobres coitados já pareciam epilépticos, tremelicavam-se todos! Sendo uma pessoa apologista da frontalidade contei ao respectivo o que se passava ao que ele me responde que não se sente preparado, que acompanhou a minha ex relação (acabámos há +/- 6 meses) de perto e que não é correcto e que embora queira estar comigo e eu tenha tudo o que ele procura no sexo oposto, há algo que o deixa reticente e pouco à vontade. O moço é, como o caro Doutor costuma dizer, um verdadeiro xoninhas, contudo, de vez em quando, mostra um certo interesse, mas sempre com medo que eu lhe arranque um pedacinho! A verdade é que estou a começar a gostar do querido, mas não sei o que pensar. Qual o seu diagnóstico Doutor?
Helena, 22, Coimbra

Doutor G: Cara Helena, não me digas que os mitos que se ouvem sobre homens na friendzone que deram o ombro para uma amiga chorar por outro gajo, a ver se pingava alguma coisa, e que depois conseguiram sair dessa zona cinzenta são realmente verdade? Para mim, isto é uma descoberta maior do que ver o Big Foot sem estar desfocado! Havia casos documentados, mas só aqueles em que o gajo ficou rico! Não sei o que está a fazer com que ele esteja reticente, mas avanço algumas hipóteses:

  • O teu ex é amigo dele e decidiste omitir-me esse detalhe;
  • Contaste-lhe demasiados detalhes porcos da tua relação passada, com foco no tamanho assustador do trombinhas do teu ex e do quanto prazer ele te dava, o que está a fazer com que o xoninhas não se sinta à altura e esteja a dar uma de careta;
  • Ele sabe que tu ainda tens sentimentos pelo teu ex e tem medo que o uses apenas para rebound sex.
Se por acaso a última opção for a correcta, sugiro que te afastes do teu amigo porque um homem que recusa ser o objecto de rebound sex é caso para chamar a polícia.


Caro Dr. G,sou aluno do 4 ano de engenharia informática da UNL (mar da testosterona). Sempre me dediquei aos estudos e orgulho-me de nunca ter chumbado a nenhuma cadeira. Porém este sucesso académico é o oposto do meu sucesso amoroso, nunca tendo conseguido ter algum tipo de relacionamento. Já tentei conhecer raparigas nas discotecas mas não gosto do ambiente e no meu dia-a-dia não convivo com raparigas. O que é que o doutor sugere?  
Anónimo, 22, Lisboa

Doutor G: Caro Anónimo, podes estar orgulhoso de nunca ter chumbado a nenhuma cadeira, mas o teu trombinhas está bastante desgostoso com esse caminho que escolheste para a tua vida. Mas tu achas que algum homem gosta do ambiente de uma discoteca? Achas que os homens iriam a discotecas não havendo lá pipi seminu? Existem discotecas dessas: as discotecas gay. Há que fazer sacrifícios! Leva uns livros de programação avançada e senta-te num canto da discoteca a estudar. Vai ser só mulherio à tua volta! Até vão ter de chamar as empregadas para colocarem aquelas placas a dizer «Cuidado, chão escorregadio», tal vai ser a baba de caracol que elas vão espalhar ao verem a tua sensualidade nerd. Claro que depois vão aparecer uns senhores vestidos de branco para te levar, mas com sorte consegues safar uma psiquiatra. Bem, não sendo as discotecas uma opção ficam algumas sugestões:
  • Tinder
  • Mercearia, na zona dos tomates cherry
  • Elefante Branco
Deixa-te ir e vive a vida. Faz por conhecer novas pessoas e uma rapariga que te queira vai aparecer. Ou não. Talvez não, mas preocupares-te com isso não vai fazer com que apareça.


Caríssimo Doutor G, namoro há 3 anos com um rapaz incrível, admiro-o muito e temos montes de coisas em comum, no entanto quando praticamos o coito eu tenho sempre de pôr as mãozinhas no pipi para estimular o clitóris caso contrário não atinjo o orgasmo, eu já tentei várias vezes não o fazer porque ele disse-me que isso o deixava desconfortável e sentia-se mal por não me consegui presentear com o dito cujo, eu entendo isso porque ele pode pensar que não me deixa excitada, o que não é verdade. O que faço? Cometo o crime de fingir o orgasmo? 
Anónima, 18, Porto 

Doutor G: Cara Anónima, mas que tipo de homem não gosta de ver a namorada a tocar no pipi? Raio dos homens inseguros! Primeiro, é perfeitamente normal uma mulher apenas conseguir atingir o clímax através da estimulação na campainha de satã. Pelo menos é o que dizem os estudos, provavelmente feitos por homens que não sabem fazer a coisa bem feita. Simular o orgasmo não é solução, pois só te vais prejudicar a ti e ele não irá fazer por melhorar. Opções? Ele que te estimule o narizinho da tartaruga. Olha que merda de namorado, hein? Não quer que tu te toques porque lhe afecta o ego e não vai lá ele tocar um solo dedilhado enquanto te preenche a boca do corpo com o oboé? Há 3 anos nisso? Enfim, a juventude está perdida. Acho que devias simular um grande orgasmo só com penetração, um orgasmo mesmo à Meryl Streep, com um acting digno de um óscar e no fim, quando ele estivesse com aquele sorrisinho idiota na cara de quem conseguiu finalmente subir ao cume do Evereste, dizias «Quase que parecia real, não era? Não foi. Agora vou ao WC satisfazer-me com a escova elétrica que é aconselhada pelos melhores dentistas e ginecologistas.». Sendo esta opção demasiado bruta, tenho outra: compra um vibrador tamanho XXL e diz-lhe «Ou é deixares-te de merdas e deixares-me brincar com o pipi para aumentar o prazer de ambos, ou vou começar a usar este caralhão metálico e chamar-lhe Wilson.»


Está feito. Até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com e tentem não ser aquelas velhas que contam os detalhes todos que não interessam para nada.


Partilhem e façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.






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