13 de abril de 2018

Nova review ao novo vídeo da Ana Malhoa



É sexta-feira treze, mas sinto-me como se fosse Natal ao receber a notificação de que a Ana Malhoa acaba de lançar um novo videoclipe: Viúva Negra. Como crítico não oficial dos vídeos da senhora Malhoa, sinto-me obrigado a fazer mais uma review ao trabalho da nossa musa latina tropical urbana. Se ainda não viram o vídeo aqui fica para estarmos todos em pé de igualdade e segue a crítica detalhada e profissional a que vos tenho habituado.


Gostaram? Achei fraco em termos de potencial humorístico e esse é o maior elogio que posso fazer à nossa embaixatriz das gorduras monoinsaturadas. O vídeo começa bem, com a Ana a quebrar um grande tabu da nossa sociedade que é a menstruação.

Percebe-se que está nos primeiros dias em que o fluxo é mais abundante e, claramente, não está a usar tampão.

Parece-me uma má escolha para quem diz ser uma viúva negra, visto que se pretende matar os maridos, convém não deixar aquele rasto de sangue de pipi ou a polícia nem precisará de cães pisteiros para a encontrar. A Ana começa por palrar qualquer coisa que não consigo perceber, mas deixo algumas hipóteses: La Dueña - nome da editora; Ventoinha; Não tinha. Vamos dar o desconto e partir do princípio que é a primeira, caso contrário teríamos de assumir que a Ana Malhoa não tem o seu forte na escrita de letras de músicas, algo que é impensável para alguém que tem obras que começam como "Eu nunca apoiaria a guerra. Sou uma máquina, sim. La makina de fiesta". Bons tempos. Foi talvez o que mais falta senti neste vídeo: a ausência do castelhano. Percebo que haja uma aposta na língua nacional, mas exigia-se, pelo menos, um "subelo" ou um "cariño". Em vez disso, Ana inicia com um "Ai tu encosta-te a mim". Nada contra fazer sexo nessas alturas difíceis do mês, mas com esse fluxo todo, diria que é melhor tomar um banho primeiro com água fria para o abrandar e irmos para um hotel para que não tenhamos de estragar os lençóis lá de casa. Continua; "Ai que eu já estou pronta". Não sei se estás, Ana. Não sei se estás. "Vai até ao fim, não pares", ordena, mas começo a ficar preocupado com tanto sangramento. Bem sei que pode diminuir o nível de oxigénio no cérebro e que isso pode potenciar o orgasmo, mas se calhar é melhor abrandar e ir ao hospital.

"Caça que isto é um safari". Portanto, está a dizer que ela é um animal de um safari, é isso? Pronto, ao menos não sou eu a dizer. Que animal? Um texugo do mel? É o que tem o penteado mais pimba. Quantos foram ao Google pesquisar texugo do mel? Ah pois, já vos conheço. Caçar num safari parece-me um conceito parvo, gosto de safaris para ver e apreciar a fauna e flora e não para matar bicharada e mostrar a minha masculinidade. Até porque não sei se a cabeça empalhada da Ana Malhoa, por cima da minha televisão, ficaria bem com a decoração da sala. Aos 0:36 há um detalhe muito rápido que passa despercebido ao espectador menos atento: um grande plano das unhas da Ana Malhoa. São, como seria de esperar, unhas de gel. Achei que era importante referir para o caso de haver dúvidas.

Pelos 0:40m aparece a Ana em frente de uma teia e com vários braços atrás, personificando uma aranha - a viúva negra. Apesar das cores estarem bem escolhidas - preto e o vermelho - mostrando algum conhecimento sobre a espécie em questão, a anatomia da aranha está errada. Vislumbramos, contanto com os braços da Ana, 10 braços e 2 pernas. A aranha é um aracnídeo e tem 8 patas. Só tem a menos se tiver sofrido algum acidente de trabalho e só tem a mais se for deficiente. Um erro clamoroso vindo da parte de quem esperamos sempre, acima de tudo, rigor científico. Só me lembro de pior num episódio do Inspector Max em que havia um criminoso que matava as vítimas colocando-lhes uma viúva negra em casa. No decorrer do episódio, mostram a aranha e é uma tarântula, mas os detectives afirmam "Confirma-se, é uma viúva negra." mostrando que, provavelmente, pensavam que o Max era de raça chihuahua ou um ganso.

"Vou dar-te a beber do meu veneno em gestos mortais". Ah? Não percebi. O que são gestos mortais? Golpes de artes marciais? Se ele vai beber veneno para que é que ela precisa de executar gestos mortais? Não se percebe. Devem ser as hormonas do período a confundir a nossa Ana. "Isto vai ser só uma noite, só uma e nada mais", ameaça, durante toda a canção como se isso fosse um problema para os homens. Não percebo se isto é uma canção de libertação da sexualidade feminina ou uma canção machista que desculpabiliza os homens por não ligarem no dia seguinte.

Nisto, entra o beat do refrão, house carrinhos de choque e/ou de festa de gente pastilhada que até dança ao som do barulho das obras do meu vizinho de cima. Como é habitual, e para disfarçar o facto da letra ser sempre igual, a artista exibe diferentes outfits para desenjoar o espectador e ouvinte:
  • Começa bem vestida, elegante e de vestido preto. Estranho.
  • Ah bom, finalmente roupa azeiteira. Meia de rede vermelha com cueca da avó ir ao pão, e com um oleado vermelho de gola alta. Assim, sim, é a Ana turbinada que conhecemos.
  • Casaco de peles, provavelmente de um dos animais do safari.
  • Enrolada em sacos do lixo.
  • Tapada por lençóis daqueles que se encontram em casas de meninas. Ouvi dizer.
  • No fim, peladona a ser banhada por por um líquido preto, mas que parece branco devido ao negativo da imagem e que daria para fazer referências a bukkakes e coisas assim, se eu fosse uma pessoa sem classe.
A partir do segundo minuto, até ao final, é sempre igual. Repetição de batida, de letra, de roupa, tudo igual, mostrando que a nossa diva está a fazer de tudo para deixar de ser a minha musa inspiradora. Não há nada a acrescentar. De 0 a 5 garrafas de azeite, temo que esta só mereça dois e meio. Ainda assim, positivo para todos. Como sempre, reforço que estas reviews devem ser interpretadas como uma homenagem. Respeito, genuinamente, o trabalho da Ana Malhoa e acho que é a nossa melhor artista dentro do género. Pena o género ser uma merda.



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