4 de abril de 2018

10 tipos de pessoa na viagem de finalistas



Por esta altura, milhares de estudantes do secundário abandonam o ninho para irem para o estrangeiro beber fora do alcance dos pais. Apesar das diferenças: alunos de colégios ricos vão para uma estância de ski ou para o México e alunos de escolas públicas do bairro vão para Lloret Del Mar (como foi o meu caso) ou para a Praia da Rocha; o tipo de pessoas que se vê por lá são os mesmos porque, no fundo, com ou sem dinheiro, somos todos iguais.

O que nunca apanhou uma bebedeira
Melhor aluno da turma, certinho e que não falta a uma aula. Os pais foram despedir-se não só até ao autocarro, mas até à estação de serviço de Aveiras enquanto a mãe chorava como se estivesse a mandar o seu filho para combater as milícias armadas da Síria. Os outros já bebem e fumam no autocarro, mas ele vai a fazer os trabalhos de férias de Páscoa que a professora de matemática passou. Enquanto os outros se embebedam todos os dias, ele vai bebendo coca-colas nas discotecas e pagando mais por águas do que os amigos por cerveja e vodkas. É gozado por todos, mas diz que não precisa de álcool para se divertir até que na última noite, decide experimentar. Bebe até ficar em coma, vomita para cima de pessoas, dança em cima da coluna e baixa as calças no meio da pista de dança. Grita em plenos pulmões que é a melhor noite da vida dele, mas no dia seguinte não se lembra de nada. Felizmente, os amigos filmaram tudo para ele perceber que pode divertir-se sem álcool, mas que com álcool se diverte, francamente, mais.

O gajo da agência
O gajo mais velho e cool que só tem este trabalho para comer gajas do secundário. Ganha pouco, por isso tem um negócio paralelo de venda de droga aos estudantes.

O garanhão
Diz já ter rodado meia escola de Loures, apesar de estudar na Amadora. Vai para a viagem de finalistas de dez dias munido de dez embalagens de doze preservativos. Desaparece a meio da noite e aparece no dia seguinte de manhã com histórias de ménages com duas espanholas e um anão maneta que usava o coto de forma sexual. A verdade é que foi dormir à praia sozinho só para conseguir inventar a história e vem da viagem com os pacotes de preservativos intactos e virgem na mesma, mas com SIDA porque dormiu em cima de uma seringa na areia.

A coleccionadora
A coleccionadora é o garanhão no feminino, mas como é mulher e devido à falta de critério dos homens, basta-lhe querer e não se assemelhar a uma avestruz atropelada. Depois de meia dúzia de Pisang Ambon com sumo de laranja, entra em god mode e faz uma espécie de rampage killing spree pela discoteca, beijando tudo o que mexe, chafurdando e mamando da boca de todos os gajos como se fosse um antílope que acabou de encontrar uma poça de água no deserto. Acaba na casa de banho com dois gajos e volta para o hotel com o gajo da agência, numa espécie de triatlo da putaria. O único gajo que não varre é o choninhas que é apaixonado por ela desde o 9º ano. Enquanto os outros trazem ímanes para o frigorífico como souvenirs, ela traz como lembranças um feto de pai incógnito, herpes e hepatite C.

O casal
Cedo se apercebem que namorar é bom, mas não numa viagem de finalistas. Sim, a viagem de 18 horas de autocarro foi mais confortável porque iam de mão dada e dormindo com a cabeça no colo um do outro, mas chegando lá percebem que levaram areia para a praia. São os únicos que fazem sexo na primeira noite, é certo, mas acabam por discutir porque o rapaz foi beber um shot do umbigo de uma das bailarinas ou porque ela simulou sexo oral com o barman para ter uma pulseira com bar aberto.

O investigador
O gajo que leva tudo preparado de casa. A primeira pesquisa que fez no Google foi "Melhores gajas de Benidorm" e gostou do que viu. Sabe o preço de todas as bebidas nas discotecas, os horários de abertura e fecho, e quais as zonas onde se pode comprar droga. O melhor investigador é o repetente que já conhece as ruas da cidade pelo nome porque é a terceira viagem de finalistas a que vai.

O decorador de interiores
É um gajo que tem alma de designer de interiores, mas que tem medo que julguem a sua exuberante heterossexualidade, acentuada por um buço que recusa desfazer, e, como tal, em vez de rearranjar os interiores do quarto de hotel com delicadeza, resolve fazer remodelações à Rambo: a televisão não combina com o papel de parede, então é atirá-la para a piscina; o colchão não é de gel viscoelástico, então é abrir ao meio e enchê-lo de placas de haxixe que se adaptam à forma do corpo; as portas do quarto são para mandar abaixo e as paredes para esburacar e fazer um T2 com o quarto do lado que fica mais arejado. Acaba por fazer com que toda a turma seja expulsa e volte mais cedo para Portugal sem receber reembolso.

O imortal
Tem pulseiras de todas as discotecas da cidade e colecciona t-shirts de todos os pubcrawls. Está sempre bêbedo numa espécie de energia perpétua e quando parece estar, finalmente, a quebrar, bebe um shot de tequilla e renasce para a festa, qual fénix que se baba e cambaleia. Gaba-se de não ter ressacas e todos os dias de manhã conta a toda a gente quantas e quais as bebidas que bebeu, num relatório detalhado.

O não vi nada
O gajo que pagou o mesmo que os outros, mas que não usufruiu de nenhuma das viagens e extras porque dormia até o sol se pôr. Ir a Andorra esquiar? Não deu, muito cansado. Ir comer frango assado com as mãos no jantar medieval? Não deu, muita azia e sono. Ir ao PortAventura? Estava de intoxicação alimentar.

O acrobata
Há sempre um gajo com alma de artista circense cuja única positiva foi educação física e que tirou zero a geometria descritiva e, por isso, tem boa capacidade atlética, mas pouca noção das distâncias. Já com os copos, decide saltar da varanda para a piscina para impressionar as miúdas. Consegue impressionar toda a gente porque um cadáver escarrapachado com a mioleira de fora à beira da piscina mete muita impressão.

E é isto. Uma boa viagem de finalistas se for caso disso e tenham juízo, seus mamutezinhos alcoólicos.



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