20 de janeiro de 2014

Lusófona não sabe nadar yo!



Lembram-se dos Black Company, aqueles que cantavam "Madnigga não sabe nadar yo"? Eu lembrei-me agora. Serve isto para introduzir um tema. Gosto muito de introduzir, especialmente temas. Qual tema? O dos alunos da Lusófona que morreram afogados. Nem ia falar sobre isto, mas é tanta a falta de inteligência que se vê nos comentários das notícias, onde de repente todos são detectives e especialistas em meteorologia marítima, que resolvi opinar. Já introduzi, agora vou portanto opinar.

Não tenho muito a dizer sobre este assunto. Principalmente porque não sei o que se passou. Há pessoas para as quais isso não interessa. Onde não saber nada do que se passou não as impede de tecer teorias e juízos de valor. Eu quando não sei, fico calado. É uma virtude que se anda a perder.

Aconteceu ali algo muito estranho. Disso não há dúvida. Foi uma praxe? Foi apenas estar no local errado à hora errada? Foi distracção? Estavam a fazer rituais satânicos que envolviam cabras cuspidoras de fogo que lhes pegaram fogo às capas do traje e tiveram que ir a correr para a água? Não sei. Qualquer uma delas me parece plausível. Agora pergunto eu: Mesmo que tenha sido uma praxe, e tenham sido incentivados a entrar na água é razão para culpar o rapaz que sobreviveu? Eu sei que para os familiares há quase uma necessidade compreensível de culpar alguém, mas parece-me exagerado. Primeiro porque cada um sabe de si, e que eu saiba as praxes não são feitas com armas apontadas à cabeça. Eram todos maiores e vacinados e se foi esse o caso foram incautos ao entrar na água. Como são tantos outros que são colhidos por ondas todos os anos.

Agora fala-se do pacto de silêncio e está tudo escandalizado com ele, dizendo que é uma falta de respeito para com os familiares das vítimas... Ninguém está preocupado com as famílias das vítimas! Está é tudo preocupado em saber mais para alimentar a curiosidade mórbida que move esta nossa sociedade. Ninguém abranda na auto-estrada para ver se os passageiros do carro despistado estão bem, abranda-se para ver se se consegue ver gente morta. Aqui é igual. Acho que o pacto de silêncio para com a comunicação social faz sentido. São uns abutres filhos da puta, que pouco ou nenhum respeito têm tido para com as vítimas e familiares, desde colocar fotos do facebook e andar a expor vida pessoal nos jornais. Não todos, obviamente, mas muitos deles. Por isso para mim o pacto de silêncio faz sentido. Agora não se pode estender esse pacto à polícia e principalmente aos familiares das vítimas. O pacto de silêncio, se não estiver a ser imposto, é uma escolha que eu respeito. Falta apenas dizer que este pacto se estende aos 6 mortos, não por opção, entenda-se, mas estende-se.

Por isso,  vamos lá parar com o exagero à volta deste caso, pode ser? Morreu gente sim. Uma morte trágica. Mas qual não é? No tempo que demoraram a ler este post morreu uma mão cheia aos milhares de gente no mundo, por razões muito piores, como a falta de água, ironicamente. Deixem a novela, a verdade é como os corpos afogados, há-de vir à superfície e ai todos vamos poder satisfazer o nosso desejo mórbido de voyer. Agora não me venham com merdas que querem a verdade por respeito com a família. Sejam ao menos honestos. Se não és familiar ou amigo não tens direito a ficar indignado.

Este caso deveria servir como metáfora perfeita para a vida. A vida é estar sentado numa praia a contemplar o horizonte e de repente, sem avisar, vem uma onda e leva-te. Ou seja, a vida é curta, levantem o cu da areia e deixam-se de merdices, já que há tantas formas imprevisíveis de morrer, cedo demais.






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