16 de janeiro de 2014

Enrolado pronto a acender


Eu não sei qual é a estratégia de marketing do pessoal que vende droga na rua, como por exemplo no Bairro Alto. Se eles segmentam o mercado e têm um público alvo, então eu devo ser o utilizador tipo, porque não há um que não me venha perguntar se quero haxixe. Se eu digo que não ao haxixe, perguntam se quero coca. Se recuso delicadamente a coca, oferecem-me heroína. Estou para um dia perguntar se têm "zbramans". Só para ver se o gajo fica confundido ou se é um gajo realmente que conhece o mercado.
Um dia andava eu pelo bairro, tinha saído de um jantar e estava à espera sozinho de uns amigos meus. E estava assim meio alegre. Bêbedo vá. E vêm dois rapazitos de aspecto duvidoso. Duvidoso não era, porque eu não tive grandes dúvidas que eram traficantes. E perguntam-me "haxixe", "coca"? E eu nem foi para me meter com eles, mas devido ao álcool que me corria no sangue, o meu cérebro estava em modo low battery e pensou que me estavam a pedir, ao que eu respondo "Eu não tenho, mas ali em cima costuma haver pessoal a vender". Pronto gerou-se a galhofa. Eles riram-se que nem perdidos, eu passado 3 segundos de percebi e comecei a rir-me também. "Não... se tu queres comprar droga a nós?" Assim de modo pausado e alto como se fala com os atrasados mentais (ou com os estrangeiros). E eu "Ahhh não, muito obrigado". E pronto não comprei nada. Já tinha. Mentira.

Canabinóides e seus derivados, foram a única droga até hoje que experimentei. Experimentei várias vezes até me tornar um connoisseur. Depois deixei. Já não tinha nada a aprender e retirei-me. Eu moro perto da Cova da Moura, por isso já que ia ter a fama resolvi ter o proveito.

Bem esta história serve para dizer que sou a favor da legalização. Não sou a favor que se fume, da mesma maneira que não sou a favor que se beba. Mas que é giro é. Se for legal um gajo sente-se produtivo no meio da inércia toda que a moca dá. Está a mexer economia assim. Está a criar postos de trabalho e a dar mais receitas ao estado. É toda uma moca muito mais consciente e socialmente responsável. Hum se calhar perdia a graça assim.

A meu ver a proibição não faz sentido em nada. Devia ser tudo legar, desde que a educação e a informação disponível para todos estivesse à altura. Ai, todos poderíamos fazer escolhas informadas e conscientes. Se sabes que a heroína dá cabo do corpinho e mesmo assim vais experimentar... azar o teu. No mesmo sentido que ser obrigatório usar capacete e cinto de segurança não me faz sentido. As leis não têm quer fazer de nossos pais adoptivos. Quem não se quiser assegurar e depois for bater de fronha desprotegida num poste e morrer é parvo. É nesse sentido que vejo a legalização. Morrem centenas de pessoas, ou milhares (reparem como sou específico) devido ao álcool, seja porque propencia a violência, porque há acidentes de carro, ou apenas porque chegam ao fim de vida precoce com um fígado que mais parecem umas iscas do José Avilez. Da Cannabis não há registos que cheguem sequer aos calcanhares. Mortes registas? Poucas ou nenhumas. O Tabaco é diferente, mata mais, vicia mais, mas não altera comportamento como a droga e o álcool, por isso e também porque vai ficar para outro post não vou comparar aqui.

Bem estive muito tempo sem escrever, estou um bocado perro. Se eu ainda fumasse isto saia tudo muito mais fluído. Mas concluindo, numa sociedade em que o álcool é permitido não faz sentido a Cannabis não ser. Equilibrava-se o défice, havia mais sorrisos na rua e a crise não magoava tanto no rabo.





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