29 de janeiro de 2014

Ensaio sobre o manguito



Mais uma vez venho aqui de falar de assuntos cujo o interesse para a sociedade vale zero. Venho falar desta vez sobre a origem desse belo gesto, efectuado com a nossa mão, que serve para expressar o grande desagrado com alguém ou alguma situação. O Manguito!

Primeiro que tudo vamo-nos concentrar no manguito em si. Consiste em fechar a mão e esticar apenas o dedo do meio formando assim uma forma obscena que faz lembrar órgão genital masculino. Ora bem... quem foi a mente doente que descobriu isto? Quem, no seu perfeito juízo, utilizou o seu membro para simular o outro membro? Remontará a que século esta descoberta? Haverá registos pré históricos? Eu fiz o trabalho sujo e investiguei. Pouco descobri. Há quem diga que surgiu no império Romano, identificado como "digitus impudicus" em manuscritos da época. Já dizia o Obélix que aqueles romanos eram doidos.

Ao longo da nossa vida vamo-nos deparando e sendo alvo em diversas ocasiões com o manguito de certos e determinados indivíduos. Para os mais atentos, é notória a existência de dois tipos distintos de manguito: O primeiro, mais másculo, mais comum também, é o mais utilizado pelos taxistas, e faz transparecer mais raiva e indignação, que consiste num punho fechado apenas com o dedo indicador esticado. O segundo, por seu lado, não é utilizado para ofender mas sim para fazer pirraça. O preferido das gentes mais cultas e sofisticadas, que consiste na mão aberta encolhendo todos os dedos menos o do meio.

O manguito tem várias qualidades. Primeiro que tudo está ao alcance de toda a gente. Não descrimina nem por sexo, religião, raça ou género. Só descrimina os manetas que, mesmo assim, poderão exibir o seu coto que as pessoas entenderão certamente a intenção. A situação em que mais é utilizado é sem dúvida no trânsito, situação em que na segurança dos nossos carros e devido a dificuldade de comunicação com os outros utilizamos a língua gestual para marcar a nossa posição. Ninguém faz um manguito numa discussão cara-a-cara porquê, ou num debate político só para reforçar o ponto de vista? Eu gostava de ver. O Manuel Pinho tentou abrir essa porta, mas não foi bem aceite o conceito.

Tenho pouca experiência em manguitos, do ponto de vista do utilizador, nem me lembro se o fiz alguma vez, mas recordo-me de um amigo exibir o seu a um carro que se atravessou à nossa frente e ia provocando um acidente. O carro perseguiu-nos até parar ao nosso lado num semáforo. Nisto o condutor abre a janela e a mulher que estava no lugar do pendura grita "Mete o dedo na cona da tua mãe". Nós rimo-nos, deliciados com a classe da sujeita, e cada um foi à sua vida.





Gostaste? Odiaste? Deixa o teu comentário: