22 de março de 2017

A vida de um português segundo Dijsselbloem



Desde sempre disse que o problema de Portugal é a cerveja ser barata, haver calor e mulheres bonitas e que se não fosse isso já tinha havido uma revolução à séria com umas quantas cabeças de banqueiros e políticos rachadas ao meio. Por isso, as declarações do Djaló holandês, Dijsselbloem, são palermas e o facto de gastarmos tudo em álcool e mulheres devia ser salutado pois é apenas por isso que aguentamos as medidas de austeridade sem refilar muito. Aliás, dizem que o negócio da prostituição e do álcool têm sempre mais procura em momentos de crise e de austeridade, por isso, não me parece que as meninas e o vinho sejam, ao mesmo tempo, causa e efeito. O senhor deve ter vindo cá e os locais que encontrou para lhe mostrar o país foram os senhores da fotografia. É normal que tenha ficado com essa ideia de nós e pense que o dia normal do português comum seja assim:

12:00h - Acorda, com ressaca. Fuma um cigarro ainda na cama. Levanta-se e bebe um café e um bagaço.
12:40h - Liga o computador e vê que vídeos novos há na sua subscrição premium do PornHub.
13:00h - Almoço na tasca com os amigos, duas garrafas de tinto para cada um, duas aguardentes no fim para desmoer.
15:00h - Dorme uma sesta valente.
17:00h - Agarra o telemóvel e encomenda duas pizzas e a Lorena do Portal Privado.
20:00h - Jantar na tasca com os amigo, bitoque e dez imperiais.
01:00h - Vão à Casa da Mãe Kikas consumir um gin, uma lapdance e uma hora de sexo desprotegido.
05:00h - Vai dormir cedo que amanhã ainda só é quarta-feira.

É certo que há muita gente assim e que são os que mais se queixam. É certo que temos políticos amigos da borga como o Santa Lopes que até tirou as prostitutas das estradas de Monsanto, alegadamente, tirou-as de lá para casa dele. Voltando à cronologia do dia, reparem que o português, para além de consumir produto interno e de estimular a economia ainda é versado em novas tecnologias para melhorar o seu conforto e produtividade. No entanto, a reacção a estas declarações vieram mostrar que a sociedade portuguesa ainda objectifica a mulher. Porquê? Quando ele falou em gastar dinheiro com mulheres toda a gente pensou que a única forma de se investir em mulheres é pagando a prostitutas.

Fiquei pasmado, já que o meu primeiro pensamento foi no dinheiro que gasto em prendas de Natal e de aniversários com a minha namorada.

Aliás, lembrei-me que o ainda lhe estou a dever prenda de Natal e que isso me pode sair mais caro no futuro, por isso, gastar dinheiro nas nossas mulheres é o melhor investimento para a nossa felicidade que pode haver.

O que é certo é que pedimos ajuda financeira depois de ter gasto tudo o que se tinha na carteira em carros, plasmas e numa amante brasileira. O problema é que não foi o português comum, classe média nem baixa, a gastar o que tinha nesses luxos. Foram os governantes e banqueiros que gerem isto que gastaram o que não era deles com as colegas das suas mães. Num país com um dito popular «Quero é putas e vinho verde!», não podemos propriamente levar a mal o que o Djalóflingaspissas disse. Até porque acredito piamente que o dinheiro que nos tem sido roubado tenha sido, em grande parte, usado para garrafas de vinho de milhares de euros e para pagar a companhia de jovens voluptuosas.

O álcool e as mulheres sempre foram a melhor fonte de inspiração dos nossos poetas e já os nossos descobridores gastavam tudo em rum e em sereias. "Dá-me mais vinho porque a vida é nada!", dizia Pessoa, e "Beijo na boca todas as prostitutas" escrevia o seu heterónimo Álvaro de Campos. Agora finjam que o Djalósafoda mentiu.





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