10 de março de 2017

Animais abandonados, circos e touradas



Este texto é diferente e não tem grande piada. É só mesmo para mostrar que sou muito boa pessoa e ter muitos likes e soutiens encardidos atirados aos meus pés quando passo na rua. Não sou muito de causas porque a minha posição é mais a de observador e grande parte de mim já desistiu da nossa espécie. No entanto, depois de fazer um vídeo sobre o abandono animal, filmado em canis, apesar de ser acusado de hipócrita por não ser vegan e de ser acusado de só querer aparecer por parte de pessoas que nunca fazem nada para ajudar seja quem for, vi que ainda se pode mudar alguma coisa. Pouca? Sim, quase nada, mas soube de alguns casos de pessoas que depois de verem o vídeo decidiram ir a um canil resgatar um cão e sei de pessoas que estavam a ponderar comprar que mudaram de ideias e adoptaram um cão enjaulado. Por isso, valeu a pena. Uma gota no oceano que não muda nada, já que as pessoas continuam a ser uma valente merda na sua maioria, mas vejo que é importante, às vezes, utilizar a visibilidade que nunca pedi a ninguém em prol de algo mais do que fazer-vos rir.

Não que fazer rir, por si só, não seja um tema já suficientemente sério, nobre e desafiante, e será sempre esse o motivo principal pelo qual escrevo.

Como já sabem, enquanto gravava esse vídeo apaixonei-me por uma fêmea toda nojenta, suja e ferida. É a segunda vez que me apaixono por uma fêmea assim, da primeira vez foi num jantar de amigos em que conheci a minha namorada. Pumba, mais umas noites no sofá. Tinha um tacho, vazio, de comida na boca (a cadela, não a minha namorada), mesmo a fazer habilidades a ver se alguém a libertava daquela jaula onde estava há meses e onde iria, muito provavelmente, morrer porque é raríssimo alguém adoptar um pitbull adulto. Veio para casa e está toda contente e a SOS Animal convidou-me para fazer parte da campanha "O teu maior fã" como quem diz que a cadela é minha fã, quando, na verdade, é uma cínica e só quer comida e brinquedos do chinês. De onde ela veio também não pode ser muito exigente. Disse que sim, se me pagassem um milhão de euros. Eles disseram que só dava se fosse de borla. Enfim, por isso é que há pouca gente a ajudar.

Este cartaz já está em espalhado em vários locais de várias cidades e, se forem atentos como eu, vêem que no fundo diz Zaya & Miguel Guilherme. A Zaya é a cadela, o Miguel Guilherme não sou eu. Os meus pais só tiveram dinheiro para um nome próprio. Embora me chame Guilherme Duarte, Duarte é apelido. Também não íamos estar à espera que o pessoal que trabalha em associações de animais fosse competente, caso contrário trabalhariam em empresas a sério. Pumba, vai buscar. O bom de ajudar é que depois podemos dizer estas bojardas e eles são obrigados a levar na boa e a rir. No entanto, percebi o engano, já que pensaram que só um grande actor como o Miguel Guilherme é que conseguiria, sendo hetero, parecer gay, mesmo com barba e um pitbull ao lado. Se alguém ficar ofendido com esta piada extremamente homofóbica, lembre-se que eu adoptei uma cadela sem perguntar se ela era lésbica ou hetero.

Já que estamos a falar de animais, e para não vos chatear outra vez, há outra questão que me faz confusão para além do abandono: circos e touradas. Sobre touradas já escrevi tudo e sabem bem a minha posição. Circos é igual, menos cruel no sentido em que o público não está a assistir ao sofrimento e ao derrame de sangue enquanto bate palmas, mas devido aos bastidores em que os animais de circo são mantidos, em más condições e treinados à base do chicote no lombo. Sado-maso tem de ser com consentimento de ambas as partes e nunca vi um tigre vestir umas meias de liga por vontade própria. Animais selvagens não são para nos entreterem nem para saltar por argolas em chamas e apanhar amendoins com a tromba. Por isso, aceitei também o pedido da associação ANIMAL para me juntar a esta causa e assinar a petição que espero que também assinem, embora o mais importante seja deixarem de ir assistir a circos que usam animais para vender bilhetes. De notar que o meu gorro de guaxinim não é feito de pele de guaxinim verdadeira. No entanto, no dia que tirei esta foto comi leitão. São gostos.

Quero também acrescentar que não partilho apelos de animais perdidos na minha página e é das coisas que mais me custa rejeitar. Já agora, explico o que digo a muita gente que me pede essa ajuda. Uma vez partilhei, na minha ingenuidade, e depois recebi dezenas de pedidos semelhantes. Obviamente, tive de os rejeitar e explicar que aquilo tinha sido um caso único por ser de um amigo de um amigo e que se eu fosse partilhar tudo a minha página tornar-se-ia num encontra-me.org ou noutra página do género e não é por isso que as pessoas seguem o que escrevo. Algumas pessoas compreenderam e agradeceram na mesma, outras chamaram-me hipócrita dizendo que afinal eu não gostava de animais e merecia que caso tivesse um cão ele também se perdesse. Enfim, percebo que no desespero as pessoas se tornem atrasadas mentais, no entanto, decidi nesse dia que nunca mais iria partilhar nenhum apelo. Prefiro proteger a minha "marca" e tipo de conteúdo e ganhar visibilidade com o que sei fazer e, mais tarde, poder utilizá-la para apoiar causas destas. Quem preferir achar que é para aparecer e parecer bem, pode achar isso e, com todo o respeito, ir para o caralhinho, sim?

É isto, não vos aborreço mais com estas coisas que não é por isso que seguem o que escrevo. Resta-me agradecer à Rita e a Sandra, da ANIMAL e da SOS Animal, respectivamente, (esta gente não tem muita criatividade para escolher nomes) por dedicarem grande parte da suas vidas a esta causa. Devem ter grande pancada, como toda a gente destas associações, mas vem tudo de um fundo bom. Vá, agora partilhem e ajudem no que puderem e, acima de tudo, se virem alguém a maltratar ou abandonar um animal, denunciem. Há um email da PSP criado especialmente para isso: defesanimal@psp.pt. Digam que o cão é preto que eles mandam sempre mais agentes.





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