25 de março de 2015

Entrevista ao gajo dos cartazes, Hugo Rosa




Bom dia, hoje um post diferente. Não lhe chamaria bem entrevista nem inquérito, porque no fundo é uma série de perguntas parvas que decidi fazer ao Hugo Rosa, o gajo dos cartazes do Got Talent. O Hugo é um comediante com quem já tive o previlégio de partilhar o palco várias vezes. Já o conhecia antes dele participar e sempre lhe achei mais piada que ao Guilherme Leite. Vamos conhecê-lo melhor? Vamos a isso que quem manda sou eu.
 
PFNC: Sei que és informático como eu, por isso começo esta entrevista com um "m/f?", "dd tc?", "idd?" e "como te chamas linda?"
HR: f,lx,18,débora e estou-me a tocar (limitei-me a dar-te a resposta que sempre sonhaste).

PFNC: Há quanto tempo começaste nesta vida de (tentar) fazer rir?
HR: Esta vida já vai para 5 anos e meio. Fiz o curso de Stand Up da Bang Produções em 2009 e no final incluia um espectáculo para "provarmos" a droga. Nunca mais a larguei.

PFNC: Como foi a primeira vez que pisaste um palco?
HR: Foi a experiência mais nervosa da minha vida, e na semana anterior tinha feito salto tandem de queda livre!! Estive em palco 18 mins e correu-me muito bem, mas também estava a jogar em casa (tinha algumas 50 pessoas amigas no meio de um público de 140).
 

PFNC: Escrever, fazer stand-up, fazer improviso, sketchs ou outra coisa? Queres fazer sempre de tudo um pouco ou tens alguma preferida da qual gostavas de viver exclusivamente?
HR: Um comediante não pode ser exclusivamente uma só coisa. Nem em Portugal nem em lado nenhum. Acho que temos de trabalhar nas várias vertentes da comédia e é por isso que tento fazer de tudo. Mas para mim a experiência de palco (Stand Up e Improv) é a melhor, porque tens um público que te dá feedback instantâneo sobre o que acha do teu humor.
 

PFNC: Referências no humor nacional, para além do Guilherme Leite?
HR: Ora bem, deixo só um top 3 para não me alongar muito: Herman José, Bruno Nogueira, Carlos Moura e para acrescentar mais nomes a esta lista, só se me quiserem dar trabalho :P
 

PFNC: E internacional?
HR: Como no estrangeiro ninguém me quer dar trabalho, a lista é mais longa: Louis CK, Bill Burr, Jim Jeffries, Chris Rock, Jerry Seinfeld, Dara O'Briain, Jimmy Carr, Stephen Wright, Jon Dore e se quisesse podia continuar... Milton Jones, Stephen Francis, Dave Chapelle e olha que era menino para dizer mais uns quantos ... .. . Robin Williams, Mitch Hedberg e se calhar já chega ... ... .. . . . Demitri Martin e se me lembrar de mais algum mando um mail!
 

PFNC: De 0 a 10, qual o nível de desilusão por aquele grupo de jovens com mãos fluorescentes e temas de Jesus ter passado à final no Got Talent e tu não? Achas que foi por vontade de Deus?
HR: Ahahaha, não estou desiludido. Não estive à altura das expectativas e fiz um trabalho mediano quando tinha de ser perfeito. Deixei-me influenciar em demasia por certos acontecimentos e a questão de ter apenas 2 minutos nunca joga a favor de um comediante. A culpa é minha, mas só com o vídeo do casting já tirei mais daquele programa do que alguma vez pensaria tirar (1 milhão de fucking views!!!!).
 

PFNC: Tens noção que se o ser humano nunca tivesse inventado a religião, tu provavelmente terias passado?
HR: Continuo a achar que é improvável. Ainda assim, fica esse lindo pensamento. #diejesusdie #bringbackourjesus #jesuspleasedieagain
 

PFNC: Achas que algum dia Portugal vai ter um vencedor de um programa de talentos que seja um comediante e que não tenha sido abandonado pelos pais nem tenha pelo menos uma doença grave?
HR: Acho que sim. Acho que se eu tenho feito algo realmente bom, o público tinha votado em mim porque senti que queriam mesmo que superasse o que já tinha feito. Com um formato de programa de menor restrição temporal, um comediante de qualidade parte aquilo tudo.
 

PFNC: Em termos de gajas, aparecer na TV trouxe-te quantas maminhas para autografar até agora?
HR: Puto, não te passa pela cabeça. UMA mama... a da minha namorada... enquanto ela estava a dormir... .. . Ricky Gervais: outro comediante que curto!
 

PFNC: Já alguma empresa de venda de cartazes te contactou para fazeres publicidade para eles?
HR: Não mas a Staples já se chegava à frente (wink wink) Deixei lá uns euros valentes!
 

PFNC: Queres deixar alguma palavra fofinha àquelas pessoas que depois de verem o teu vídeo do Got Talent comentaram com coisas do género "Acho inadmissível ele fazer piadas com matar gatinhos! É um ordinário!" ou "Devia morrer com cancro, esse patife!"?
HR: Essas pessoas podem ir levar ... os filhos à escola :P Rapidamente comecei a desligar do feedback sobre o que podia ou não dizer. Há pessoas que gostaram e pessoas que não gostaram, o que está no seu direito e podem manifestar essa opinião. Mas achar que a coisa errada daquilo, foi fazer referências a violência animal, ou cancro, e que devia haver limites é só ignorante ou hipócrita. Aposto que qualquer um deles já se riu de uma piada racista ou até de uma anedota "Um inglês, um espanhol e um português ..." que regra geral ofende nações inteiras de uma só vez. Enfim, todos temos telhados de vidro, comediantes incluídos.
 

PFNC: És Charlie ou és Gustavo Santos? Tens algum limite ou tema tabu quando fazes humor?
HR: Não tenho limites, falo do que acho piada. Depois o público julga e decide se também acha. Só tento não fazer a piada fácil de "esta gaja é porca", "aquele é corrupto" etc etc... porque acho redutor e dessas chovem aos milhares na internet de comediantes e não só. Em tempos li um comediante dizer algo que tento ter em mente, sempre que estou a escrever: "se um civil consegue fazer a mesma piada, então o comediante não é original".
 

PFNC: O que achas de não haver nenhum programa de humor na TV generalista portuguesa, com a excepção do Jornal Nacional da TVI?
HR: Acho uma pena, especialmente quando já se viu que o formato funciona (Levante-te e Ri) e sabendo que existem hoje mais comediantes com qualidade do que nunca. Por mim, era colocar um programa de Stand Up em horário tardio (da meia-noite para a frente), fazer trabalho de edição para garantir um produto de maior qualidade possível e não borrar a cuequinha sempre que o comediante toca em temas "sensíveis" ou diz um palavrão. Depois, era ver a magia a acontecer.
 

PFNC: Portugal sabe rir ou ainda tem a mentalidade do "muito riso, pouco siso"?
HR: Não gosto de argumentos que desculpam a falta de qualidade do comediante e este é muitas vezes usado dessa forma. É certo que há diferentes estilos de humor e públicos que não se adequam a alguns, mas temos de trabalhar sempre para fazer as pessoas rir do que nós também nos rimos e o resto é desculpas.
 

PFNC: Vende-te, sua badalhoca. Diz onde é que as pessoas te podem ver ao vivo nos próximos tempos. Podes deixar links e tudo, que eu sou um mãos largas.
HR: Yay, sou uma badalhoca. Ora bem, para já estou com o meu grupo de comédia de improviso (Improvio Armandi) todas as sextas até ao final de Maio, no Teatro da Comuna com o espectáculo TRAILER. Improvisamos um filme inteiro para o público e eles é que decidem o rumo da história. (Sinto-me sujo!) No inicio de Abril vou fazer 4 shows de Stand Up ao Porto a convite do Rui Xará e em Maio e Junho vou estar de volta com os meus Saia Na Saída ao Lisboa Comedy Club para espectáculos de Stand Up quinzenais (é aos Sábados! Vou tomar banho, emprestas-me o teu champô Johnson?).



E pronto, é isto. Gostaram de o conhecer? É um gajo porreiro por acaso, não é muito normal entre comediantes. Ele é mesmo um gajo humilde, as respostas dele não foram só para agradar, a mim quase que me convencia que a culpa foi dele e não do público que é na sua maioria burro. Já sabem, sigam-no e se o quiserem ver ao vivo apareçam esta sexta-feira, dia 27, no Teatro da Comuna, às 21h45, para uma noite de improviso, que se tudo correr bem vai ter piada, mas eu não prometo nada.





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