15 de abril de 2014

Como lidar com o pessoal que liga a tentar vender cenas




Ora bem. Depois de um texto sobre os problemas do mundo e questões existenciais, filosóficas e sociais volto às parvoíces do costume, que eu sei bem que vocês gostam é disso.

Há uns tempos um senhor da MEO ligou-me e perguntou se estava a falar comigo, eu disse que sim, porque era estranho dizer que não. Depois perguntou "Tudo bem consigo?", e eu respondi "Sim obrigado e consigo?". Houve uma pausa de 2 segundos e ele diz "Estou bem. É a primeira pessoa que me pergunta isso. Obrigado." Notou-se entusiasmo e emoção na voz do senhor. Pareceu-me genuíno e fiquei a pensar "Porra sou mesmo um gajo porreiro". Umas semanas depois ligou-me uma senhora do Barclays a tentar vender-me um cartão de crédito e aconteceu exactamente o mesmo. Afinal não sou um gajo assim tão porreiro, deve fazer parte é do guião que eles têm que seguir. Uma coisa é tentarem intrujar-me com os serviços e produtos deles, outro é darem-me falsas expectativas em relação à minha porreirice.

Bem, do Barclays a tentar vender-me cartões de crédito é a 5ª vez que tentam. Eu penso sempre em mandá-los à merda e dizer que deviam ter vergonha de andar a tentar endividar pessoas numa altura desta. Mas como sei que a culpa não é deles prefiro não o fazer. Em vez disso opto por outra postura e digo sempre que não preciso. Digo que não preciso de cartões de crédito porque tenho imenso dinheiro. A reacção é sempre gira, hão-de experimentar. Depois dizem "Mas 5000 euros de plafond é sempre bom mesmo para quem tem dinheiro!". E eu respondo, "Sim, claro que é, mas sabe eu não gosto de usar cartões, tenho sempre o dinheiro em casa, em notas, por questões profissionais". No meu caso, tendo eles no sistema que eu moro na Buraca, depois desta frase segue-se um "Pronto sendo assim obrigado pelo seu tempo". É a melhor forma de os despachar e de lhes dar uma história para contar quando chegam a casa cansados de um trabalho de merda onde andam a ser explorados.

Uma situação gira também são aquelas que vos ligam a oferecer cenas, e por vezes coisas, que basta ir buscar. Depois chegam lá e levam uma ensaboadela de paleio mais secante que os discursos do Cavaco. Havia uma altura que ligavam para casa e pediam para adivinhar a cor de um suposto carro. Fosse qual fosse a nossa resposta era a certa e eles diziam que tínhamos sido premiados com uma torradeira manual ou algo do género. Claro que depois nunca era, ou para ser tinha que se comprar não sei o quê e fazer o pino todo nu. Então um dia ligaram-me com essa conversa e eu respondo "Cor de rosa às bolinhas amarelas!". Silêncio constrangedor de 3 segundos e depois a senhora diz "ACERTOU!" numa performance digna de uma Meryl Streep de call center. Depois disso fiz-lhe um manguito, mas como era por telefone ela não viu. Desliguei e fui à minha vida.

Há que ter criatividade para tornar as situações desagradáveis em momentos cómicos que alegram o resto do dia. Da mesma forma que se alguém no trânsito vos mandar a algum sítio menos próprio, em vez de retribuírem na mesma moeda devem fazer o seguinte: Colocar uma cara preocupada e apontar para o carro deles a dizer "Olhe o pneu". Depois é recostarem-se e apreciarem as expressões faciais de confusão, raiva e agradecimento ao mesmo tempo a apoderam-se da pessoa. E mesmo que não consigam ver o resultado final, vão para casa com a felicidade de terem feito aquela pessoa parar o carro uns metros à frente e andar a verificar os pneus. Ele mandou-vos ir até ao pénis mas ele é que foi encavado com a subtileza de um ninja catatónico.





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