9 de abril de 2014

Confissão polémica



Venho hoje confessar-vos algo polémico. Algo que nunca ouvi ninguém a assumir em público. EU NÃO LEIO! O último livro que li foi a Aparição, do Virgílio Ferreira, no 12º ano, isto há mais de 10 anos atrás. Antes disso tinha lido os Maias, em 2 dias, mesmo à campeão para um teste de Português. Tirei 20 (show-off). Depois disso nunca mais li nada, a não ser alguns livros de humor e rótulos de gel de banho na retrete quando ainda não havia tablets nem smartphones.

Mas antes adorava ler, devorava livros até aos 15 anos talvez. Depois vi que havia coisas mais giras para fazer. Arrisco os seguintes resultados caso fizessem um inquérito à população portuguesa sobre os seus hábitos de leitura:
  • 100% lê regularmente (sem contar a imprensa cor de rosa e desportiva)
  • 90% tem como escritor nacional favorito Saramago
Isto porque fica mal dizer que não se lê e é pecado dizer que não se gosta de Saramago, especialmente agora que ele pode voltar sob a forma de ectoplasma e assombrar-nos a casa.

Ao que parece, para se ser uma pessoa culta tem que se ler. Quem não lê é automaticamente olhado de lado, mesmo por quem só lê livros da Margarida Rebelo Pinto. Não digo que não ajuda, mas existem muitas mais formas de nos cultivarmos. Até porque uma pessoa só é considerada culta se souber nomes de livros e escritores, quadros, seus autores e vertentes artísticas. Mas se não souber isto e souber antes teorias físicas, cosmologia, biologia, etc e tal, não é considerado da mesma forma. Digo eu que é mais importante saber a teoria do Big Bang e da evolução de Darwin do que saber quem escreveu o livro A, B ou C.

Sou um gajo honesto. Ao menos não faço como a maioria que compra o livro que está em 1º lugar na FNAC para levar para a praia e fingir que lê. Lembro-me de ver uma senhora no Algarve, que estava sempre na mesma praia que eu. Reparei que, durante 3 dias seguidos, estava ela a ler o Código Da Vinci e ainda não tinha passado da página 20. Sou um gajo atento aos detalhes. "Mas tu tens um blogue e não lês? Para escrever bem é preciso ler muito", pensam alguns de vocês. Isso era o mesmo que dizer que para se saber fazer sexo era preciso ver pornografia. Ajuda, é um facto, mas não é essencial. Gostava de ler mais, confesso, mas pareço um puto autista com défice de atenção sempre que começo a ler. Chego ao fim de uma frase e já não me lembro da primeira parte porque já estou a pensar noutra coisa. Ler é uma óptima forma de aprender, imaginar, ganhar vocabulário, etc. Mas não é a única forma.





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