6 de março de 2014

10 celebridades à minha mesa



Perguntaram-me quem convidava para um jantar em minha casa, qualquer pessoa, viva ou morta. Sendo que parti do princípio que viriam cá jantar no seu estado vivo e não putrefactos a encherem-me a casa de peles caídas. Então pus-me a pensar quem são os meus ídolos, ou quem gostaria de confrontar. Vamos apontar para 10 convidados, comigo sentado na cabeceira da mesa.

Primeiro que tudo ligava ao Jesus. Não o treinador do Benfica, embora também fosse capaz de ser interessante, mas o Cristo. Convidava-o por interesse, simplesmente porque assim me bastava comprar uns garrafões de água e uma carcaça. Jesus fazia a cena dele e de repente havia vinhaça e pão que chegue para nos embebedar e alimentar a todos. Prezo isso num convidado. "Desculpa não ter trazido vinho, mas se tiveres ai uma garrafão do Luso sou gajo para o transformar num belo tinto da Cartuxa". Esta seria a razão principal para a qual convidaria Jesus, mas também para o conhecer, porque apesar de não acreditar nas tretas sobrenaturais, se ele existiu devia ser bom rapaz. Depois é que serviu de bode expiatório para todas as merdas da Igreja.

Depois convidava o Ray Charles. Grande músico e personalidade para que pudesse animar o jantar com as suas histórias e música. Convidava-o por isso mas também, já que Jesus ia lá estar, lhe poderia curar a cegueira. Nesse prisma convidava também o Stephen Hawking para ver o Cristo a dizer "Levanta-te e anda" e o Stephen a responder-lhe naquela voz de robô gago "E se fosses gozar com outro ó desgadelhado?".

Depois convidava um dos meus ídolos, o comediante, ou filósofo com sentido de humor, como gosto mais de lhe chamar, George Carlin. Morreu há uns 5 anos, aos 81, mas com uma genica mental, perspicácia e forma de ver o mundo muito mais lúcida do que qualquer um de nós. Um idealista frustrado, como ele próprio chegou a dizer. Ia sentá-lo ao lado de Cristo, só para haver discussão acesa. Para não ser a festa da mangueira convidava a Cleópatra. Porque era claramente uma mulher muito à frente do seu tempo, com uma visão do mundo que daria concerteza uma conversa muito interessante. Mentira, convidava-a porque dizem que ela era dada ao chavascal e porque no fim era preciso alguém para lavar a loiça.

Convidava o Martin Luther King Jr. também. Porque é um herói dos tempos modernos e porque, como num filme americano, tem que sempre haver um preto para ser politicamente correcto. Se por acaso fosse um filme de terror, também já se sabe quem ia ser o primeiro a morrer. (Reparei agora ao reler que já havia o Ray Charles, mas não interessa, fica a intenção). Convidava também Maria, mãe de Jesus, só para o gajo andar na linha e não beber demasiado. E depois porque gostava de a chamar à parte para saber a verdade daquela história do engravidar virgem. Para saber se quem a engravidou não foi o António Espírito Santo, carteiro famoso de Jerusalém, e saber se essa fábula não foram, apenas e só, erros de tradução.

Acho que convidava a Adriana Lima. Por nenhuma razão nenhuma em especial. Para o caso de ser preciso alguém com conhecimentos em filosofia existencialista e experiência empírica nas diferenças entre tanga e fio dental. Por fim, convidava Hitler e Napoleão, mas colocava-os na mesa das crianças, sozinhos, com um jogo do Risco para eles se entreterem. No fim, se eles se portassem bem, deixava-os comer um pudim flan com cobertura de cianeto.

E pronto, eram estes os meus convidados. Havia de ser um jantar interessante, com humor, drama, paixão, inteligência, cultura e bacalhau à brás.





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